Governo prevê 3 meses para definir reciprocidade contra EUA
Brasil avalia que novas tarifas só devem ser aplicadas se a Casa Branca fizer novas investidas; telefonema para Trump e recado em discurso na ONU estão no radar
Hariane Bittencourt
O presidente dos EUA, Donald Trump | Foto: REUTERS/Kylie Cooper
O governo brasileiro estima que a análise das medidas de reciprocidade contra os Estados Unidos dure de dois a três meses. A conclusão do processo, porém, não significa que o Brasil aplicará imediatamente novas tarifas sobre produtos norte-americanos. A decisão dependerá da conjuntura e, segundo interlocutores do Palácio do Planalto, só deve avançar se a Casa Branca fizer novas investidas contra o país.
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A abertura da análise de possíveis medidas de reciprocidade econômica, prevista na Lei nº 15.122/2025, foi oficializada nessa quinta-feira (13). A iniciativa é uma resposta às medidas unilaterais adotadas pelos Estados Unidos com base na legislação comercial americana.
Entre os governistas, o acionamento do mecanismo de reciprocidade já era esperado, assim como a representação formal contra as medidas americanas na Organização Mundial do Comércio (OMC), que está em andamento. A orientação, porém, é manter uma postura conservadora e consultar cuidadosamente os setores mais afetados antes de qualquer decisão, para evitar novos prejuízos à economia brasileira.
A avaliação no Planalto é que, apesar de os canais de negociação continuarem abertos, o governo de Donald Trump não deve avançar em um acordo durante o período eleitoral brasileiro. Para interlocutores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a Casa Branca vai aguardar para saber quem comandará o Executivo brasileiro nos próximos quatro anos.
Enquanto isso, o governo também avalia duas frentes de atuação. Uma delas é uma ligação de Lula para Trump, ainda sem data definida, mas que está no radar da diplomacia brasileira. A outra é o discurso do presidente na Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), no próximo mês, em Nova York.
Segundo apurou o SBT News, Lula deve dar destaque à defesa da soberania e da democracia e reforçar a oposição do governo brasileiro a medidas unilaterais. O discurso, embora não seja direcionado exclusivamente aos Estados Unidos, também deverá enviar uma mensagem ao presidente Donald Trump.
O Planalto mantém ainda no radar a possibilidade de novas tarifas ou investidas concretas até o fim de 2026. Entre os cenários considerados está uma eventual intensificação do que integrantes do governo classificam como interferência norte-americana no processo eleitoral brasileiro.
É nesse contexto que o governo considera importante manter o mecanismo de reciprocidade à disposição, mas sem necessariamente utilizá-lo de imediato. A avaliação é de que enfrentar o tarifaço não depende apenas de uma negociação com os Estados Unidos, mas da busca por mercados alternativos para os produtos brasileiros e da adoção medidas de apoio aos setores mais prejudicados.
Governo prevê 3 meses para definir reciprocidade contra EUABrasil avalia que novas tarifas só devem ser aplicadas se a Casa Branca fizer novas investidas; telefonema para Trump e recado em discurso na ONU estão no radarPolítica2026-08-14T19:47:30.122ZO governo brasileiro estima que a análise das medidas de reciprocidade contra os Estados Unidos dure de dois a três meses. A conclusão do processo, porém, não significa que o Brasil aplicará imediatamente novas tarifas sobre produtos norte-americanos. A decisão dependerá da conjuntura e, segundo interlocutores do Palácio do Planalto, só deve avançar se A abertura da análise de possíveis medidas de reciprocidade econômica, prevista na Lei nº 15.122/2025, foi oficializada nessa quinta-feira (13). A iniciativa é uma resposta às medidas unilaterais adotadas pelos Estados Unidos com base na legislação comercial americana. Entre os governistas, o acionamento do mecanismo de reciprocidade já era esperado, assim como a representação formal contra as medidas americanas na Organização Mundial do Comércio (OMC), que está em andamento. A orientação, porém, é manter uma postura conservadora e consultar cuidadosamente os setores mais afetados antes de qualquer decisão, para evitar novos prejuízos à economia brasileira. A avaliação no Planalto é que, apesar de os canais de negociação continuarem abertos, o governo de Donald Trump não deve avançar em um acordo durante o período eleitoral brasileiro. Para interlocutores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a Casa Branca vai aguardar para saber quem comandará o Executivo brasileiro nos próximos quatro anos. Enquanto isso, o governo também avalia duas frentes de atuação. Uma delas é uma ligação de Lula para Trump, ainda sem data definida, mas que está no radar da diplomacia brasileira. A outra é o discurso do presidente na Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), no próximo mês, em Nova York. Segundo apurou o SBT News, Lula deve dar destaque à defesa da soberania e da democracia e reforçar a oposição do governo brasileiro a medidas unilaterais. O discurso, embora não seja direcionado exclusivamente aos Estados Unidos, também deverá enviar uma mensagem ao presidente Donald Trump. O Planalto mantém ainda no radar a possibilidade de novas tarifas ou investidas concretas até o fim de 2026. Entre os cenários considerados está uma eventual intensificação do que integrantes do governo classificam como interferência norte-americana no processo eleitoral brasileiro. É nesse contexto que o governo considera importante manter o mecanismo de reciprocidade à disposição, mas sem necessariamente utilizá-lo de imediato. A avaliação é de que enfrentar o tarifaço não depende apenas de uma negociação com os Estados Unidos, mas da busca por mercados alternativos para os produtos brasileiros e da adoção medidas de apoio aos setores mais prejudicados. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/politica/governo-preve-3-meses-para-definir-reciprocidade-contra-eua
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