Política

Haddad cobra explicações sobre abordagem da PM

Petista afirma querer entender o que aconteceu com seu motorista após abordagem e diz que episódio precisa ser esclarecido

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André Barbeiro
O candidato ao governo de São Paulo pelo PT, Fernando Haddad | Reprodução/YouTube

O candidato ao governo de São Paulo pelo PT, Fernando Haddad | Reprodução/YouTube

O candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) voltou a cobrar explicações, nesta quinta-feira (13), sobre a abordagem da Polícia Militar ao motorista que trabalha com ele. Durante visita em Sertãozinho, no interior do estado, Haddad afirmou que conversou com o secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, e que busca esclarecer o que ocorreu na noite de terça-feira (11).

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“Eu só quero esclarecer o que aconteceu para que alguém peça desculpas”, afirmou Haddad. Segundo o candidato, o motorista, que o deixou em casa na noite do episódio, foi seguido por cerca de cinco quilômetros por uma viatura policial e se sentiu constrangido com a situação.

Haddad disse ter informado ao secretário os locais por onde o motorista passou e indicado pontos onde poderiam existir imagens capazes de esclarecer a ocorrência. Entre eles, estão câmeras de um hotel onde, segundo o candidato, o motorista teria sido abordado, além do sistema Smart Sampa, da Prefeitura de São Paulo.

“Explicamos exatamente a importância de recuperar da câmera do hotel. E também tem Smart Sampa, tem uma câmera da prefeitura ali. Então não deve ser difícil apurar o que aconteceu”, afirmou.

Haddad questiona motivo da abordagem

O candidato também contestou a justificativa apresentada para a ação policial. Segundo Haddad, foi enviado a ele um boletim de ocorrência relacionado a um roubo registrado às 23h10, enquanto a abordagem ao motorista teria ocorrido por volta das 21h45.

“Então, a menos que haja algum programa de inteligência sobrenatural que possa antecipar um crime em uma hora e meia, não fazia sentido nenhum aquela abordagem”, afirmou.

Haddad também questionou a razão pela qual o motorista teria sido perseguido após uma primeira abordagem. Segundo ele, os policiais teriam direcionado uma lanterna forte para o para-brisa do veículo.

“Então, ou eles não identificaram ninguém ou me identificaram. Então, se não identificaram ninguém e liberaram, por que perseguir depois?”, questionou.

Apesar das críticas, o candidato afirmou que parte do princípio de que os agentes envolvidos agiram de boa-fé e reforçou que não pretende dramatizar o episódio.

“Meu pressuposto é o seguinte: quem quer que seja agiu de boa-fé. Ponto. O que eu só estou pedindo é uma boa explicação para isso”, disse.

Para Haddad, o esclarecimento é importante não apenas para ele ou para o motorista, mas para a segurança de pessoas que participam da disputa eleitoral.

“Qualquer pessoa que for fazer política precisa se sentir segura no Brasil. Então, independentemente do que ela pensa, se é uma pessoa que está se colocando numa eleição democraticamente, levando à consideração dos eleitores suas propostas, ela tem que estar segura”, afirmou.

Haddad critica as contas de SP

Durante a entrevista coletiva, Haddad também criticou a situação fiscal do estado de São Paulo e afirmou que o controle das contas públicas será uma das prioridades de sua eventual gestão.

Segundo o candidato, o estado registrou déficit de R$ 12 bilhões no ano passado. Haddad afirmou que a renegociação da dívida com a União e recursos obtidos com a privatização da Sabesp ajudaram a aliviar as contas, mas questionou a redução do caixa livre do estado.

“Mesmo com R$ 12 bilhões do governo federal de abatimento do serviço da dívida, R$ 13 bilhões da privatização dessa Sabesp, que são R$ 25 bilhões, o caixa do estado, do Doria para cá, caiu de R$ 20 bilhões para R$ 5 bilhões de caixa livre”, afirmou.

Haddad calculou que a diferença entre os valores representaria, segundo sua análise, cerca de R$ 40 bilhões quando somados o déficit, a redução do caixa e os recursos da privatização. “Onde é que foi esse dinheiro?”, questionou.

O candidato afirmou que, antes de ampliar investimentos ou atender novas demandas, pretende priorizar o saneamento das contas públicas.

“Antes de tudo, o que precisa é sanear as contas do estado, porque senão não vou conseguir fazer nada”, declarou.

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