Política

Flávio saiu melhor na foto; Lula fez desafio, mas escorregou

Primeiro confronto direto entre os candidatos à Presidência foi marcado por estratégia ensaiada de Flávio

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Carla Araújo
Flávio Bolsonaro e Lula durante debate na Band TV | Reprodução/Band TV

Flávio Bolsonaro e Lula durante debate na Band TV | Reprodução/Band TV

O primeiro debate entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador e candidato Flávio Bolsonaro (PL) pode ser analisado do final para o começo. Os entrevistadores tiveram dificuldades para encerrar o programa devido às manifestações barulhentas das equipes dos candidatos.

Agiam como torcedores, aos gritos alternados Lula e de Mito, numa referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O ex-presidente foi citado por Lula numa provocação a Flávio ao dizer que queria os votos de todos os presidiários, incluindo “seu pai”. “Seu pai votou em mim”, provocou mais uma vez.

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As provocações, aliás, foram muitas. A principal e que ficará marcada foi a estratégia adotada por Flávio de reeditar os movimentos de Donald Trump, num debate com Hillary Clinton, em 2016.

Enquanto Lula falava, Flávio se colocava atrás do presidente, gesticulando com a cabeça e, às vezes, com a mão. A movimentação desconcentrou Lula algumas vezes. A equipe do presidente chegou a reclamar das regras e da permissão de Flávio de provocar o presidente.

Ainda para destacar uma cena do final do confronto que ajuda a explicar as razões para Flávio aparentemente ter se saído ‘melhor na foto’: nas entrevistas concedidas após o debate, Lula ficou cercado de rostos apreensivos, incluindo o da primeira-dama Janja e do ministro e publicitário Sidônio Palmeira, responsável pela preparação de Lula para o debate.

Já Flávio se cercou de sorrisos e aparente clima de vitória. Ao lado de Tarcísio de Freitas, com Nikolas Ferreiras e Lucas Pavanatto ao fundo, o candidato tentou demonstrar o tom moderado, que usou em diversos momentos do debate.

Se de um lado alguns classificaram a aparente tranquilidade de Flávio como serenidade, outros, porém, apontaram que o tom irônico pode passar a impressão de deboche, o que não costuma pegar bem entre os eleitores.

Perguntas sem respostas

Logo na largada do debate, Flávio irritou Lula com insistentes perguntas sobre a lobista Roberta Luchsinger, que é amiga do Lulinha, filho do presidente.

Questionado por Lula sobre veto a PEC estadual que ampliava a licença-maternidade das servidoras públicas, Flávio esquivou-se da pergunta e replicou com provocação:

"Você conhece a Roberta?", perguntou Flávio, que insistiu na pergunta, mesmo quando Lula tentava fazer o senador responder o que tinha sido perguntado.

Aliás, essa foi outra estratégia adotada por Flávio: a de não responder perguntas. Assim como fez em sabatina no Jornal Nacional, o senador mostrou um discurso ensaiado, pronto para rebater as críticas, como a mea culpa para as mortes da pandemia, e que pode funcionar com o eleitor.

Já Lula caiu nas provocações de Flávio e demonstrou impaciência. Demorou a perceber que o adversário estava usando o espaço no estúdio e “o fundo de tela” para pressioná-lo. Quase no fim do debate, numa cartada de reação, o presidente lançou o desafio para que ambos abrissem seus sigilos bancários e telefônicos numa tentativa de provar “quem seria o corrupto” entre eles.

O desafio foi refeito na entrevista final e Flávio ironizou dizendo que Lula não tinha telefone e por isso estava querendo abrir os sigilos.

O fato é que entre sorrisos e provocações, o eleitor perdeu mais uma vez a possibilidade de assistir a um debate de ideias, civilizado. O que se assistiu ontem foi um confronto de candidatos agradando suas torcidas.

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