Suspeito de vazar dados para amigo de Flávio é alvo da PF
PF cumpre mandado de busca na casa de Humberto Pradera, ex-servidor do STJ que é acusado de vazar documentos ao advogado Willer Tomaz

Willer Tomaz | Divulgação
A Polícia Federal cumpre nesta segunda-feira (19) mandado de busca na casa de Humberto Pradera, ex-servidor do Superior Tribunal de Justiça acusado de vazar minutas de decisões ao advogado Willer Tomaz, amigo do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Pradera é suspeito de quebra de sigilo funcional.
Pradera ocupava o cargo de secretário de Tecnologia da Informação e Comunicação do STJ até sexta-feira (16), quando foi exonerado.
Em nota, Tomaz "nega categoricamente ter tido acesso irregular ou não autorizado a decisões judiciais ou a pareceres do Ministério Público Federal, bem como ter interferido em qualquer manifestação" (veja mais abaixo).
O STJ, por sua vez, afirmou que o presidente da corte, ministro Luis Felipe Salomão, "tomou conhecimento dos fatos, e um procedimento interno para apuração já havia sido instaurado desde a semana passada".
Em setembro, o senador afirmou que um jato usado por ele e sua família em uma viagem dos Estados Unidos a Brasília, em janeiro de 2025, pertencia ao advogado, que disse ter custeado o voo. Reportagem da revista Piauí havia afirmado, na ocasião, que o avião pertencia ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do extinto Banco Master.
Documentos obtidos pela Polícia Federal apontaram que uma empresa ligada a Tomaz contratou ao menos três trechos de viagens de jatinho de Flávio pela Europa, em 2025.
No domingo (18), a PF enviou ao Supremo Tribunal Federal uma investigação para apurar suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio e Tomaz. O STF autorizou a abertura de inquérito para apurar o caso. O senador afirma que a relação entre os dois é apenas de amizade e nega irregularidades.
Em nota, o advogado ainda disse que "as insinuações são falsas, configuram desinformação e revelam desconhecimento elementar, ou deliberada distorção, do funcionamento dos tribunais."
"A ciência antecipada de julgados no Superior Tribunal de Justiça não é crime: é funcionalidade prevista no próprio sistema da Corte. Tampouco há ilícito quando um procurador, convencido pelos memoriais apresentados, incorpora seus argumentos ao parecer. Isso é contraditório, e converter rotina processual em suspeita é criminalizar a advocacia", acrescentou.
"A defesa desconhece o relatório citado e repudia sua divulgação seletiva, em plena campanha eleitoral, com menções a terceiros alheios aos fatos investigados. Ilegal, este sim, é o vazamento de material sigiloso, cujos autores serão identificados e responsabilizados", concluiu.
Quem é Willer Tomaz
O advogado criminalista é conhecido pelo trânsito entre diferentes grupos políticos em Brasília. Em agosto, ele foi alvo da Polícia Federal em fase da Operação Sem Desconto, que apura fraudes em descontos de aposentados do INSS. Segundo a PF, ele atuaria como "hub financeiro, patrimonial e logístico” do senador Weverton Rocha (PDT-MA), suspeito de receber propinas para manter o esquema. Ambos negam.
Em 2017, ele foi preso preventivamente em operação ligada à Lava Jato, acusado de participação em esquema de pagamento de propina para obter informações do Ministério Público Federal. Ele sempre negou ter cometido irregularidades.
Flávio já declarou publicamente ter uma relação de "amizade legítima" com Tomaz. Reportagem do jornal "O Globo" mostrou que Flávio, Willer e o senador Weverton Rocha viajaram juntos para um safári na África do Sul em 2025.
A revista Piauí também mostrou que Flávio utilizou um apartamento de Tomaz na Vila Nova Conceição, na zona sul de São Paulo, em agosto. Antes de ser adquirido pelo advogado, o apartamento pertencia a Fabiano Zettel, cunhado e apontado pela PF como principal operador de Vorcaro. Adversários afirmam que Flávio deveria ter registrado a utilização do imóvel como doação eleitoral.





















