'Ideia infeliz', diz associação sobre TSE ranquear pesquisas
Não está descartado que entidades de pesquisa questionem no STF a ideia de um ranking estudada pelo TSE

Presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques | Divulgação/Antonio Augusto/TSE
Para a Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep), a ideia do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de ranquear pesquisas eleitorais pelo nível de acerto prejudica o levantamento de informações sobre intenção de votos no Brasil.
A intenção do TSE de desistir de criar um selo de qualidade das pesquisas e substituí-lo por um ranking de resultados foi divulgada pelo SBT News nesta terça-feira (1º).
O coordenador do Conselho de Opinião Pública da Abep e fundador do Voxpopuli, João Francisco Meira, afirmou que falta diálogo do TSE com os institutos.
“Mais uma ideia infeliz. O papel do TSE é fiscalizar eleições e não ficar fazendo ranking de institutos de pesquisas. Por que não faz ranking do uso republicano dos recursos públicos, por que não faz ranking de quem respeita as regras do jogo? Pesquisas no Brasil já são hiperregulamentadas e não precisa de mais interferência do TSE. O papel dos institutos de pesquisa é cumprir a lei”, disse à Coluna.
Não está descartado que as entidades de pesquisa questionem a ideia de um ranking do TSE no Supremo Tribunal Federal (STF).
Meira ressaltou que o mercado de pesquisas tem sido inundado por empresas desconhecidas que deturpam a imagem dos levantamentos sérios e que o TSE deveria agir na fiscalização dos recursos públicos.
“Estão preocupados com o resultado da pesquisa, mas deveriam se preocupar com o dinheiro. Os partidos estão gastando milhões de reais com institutos de pesquisas que nunca produziram nada. Estão fora do radar de todo mundo”, ressaltou.
A Abep é a principal entidade que representa o setor no Brasil, reúne cerca de 160 empresas que fazem pesquisas eleitorais e também de opinião.
Não é a primeira vez que o TSE é alvo de críticas de pesquisadores nestas eleições. Em julho, o tribunal apresentou a ideia de criar um selo de acurácia, que premiaria os institutos que mais acertam. Diante da repercussão negativa, alternativas passaram a ser estudadas.
O ranking de pesquisas partiria do resultado do último levantamento a ser publicado na sexta-feira que antecederá as eleições.
Como o SBT News mostrou, o presidente do TSE, Nunes Marques, reuniu equipe técnica e encomendou estudo sobre a publicação do ranking no site do tribunal após o resultado das eleições, em outubro.























