Demanda por IA encarece chips e pressiona preços da Samsung
Empresa admite avaliar reajustes diante da alta dos custos


Exame.com
A Samsung afirmou que a escassez global de chips de memória deve pressionar preços em toda a indústria de eletrônicos e pode levar a reajustes inclusive em seus próprios produtos de consumo.
A avaliação foi feita pelo presidente e chefe de marketing global da companhia, Wonjin Lee, durante a CES, feira de tecnologia realizada em Las Vegas.
Segundo o executivo, os problemas na cadeia de suprimentos de semicondutores já estão impactando custos e tendem a afetar todos os fabricantes. "Há questões em torno do fornecimento de semicondutores, e isso vai afetar todo mundo. Os preços estão subindo neste momento", disse. Ele acrescentou que a empresa tenta evitar repassar esse custo aos consumidores, mas reconheceu que reajustes estão sendo considerados.
A Samsung é a maior fabricante mundial de chips de memória, componente essencial para produtos como smartphones, notebooks, eletrodomésticos conectados e veículos autônomos, mas nem mesmo sua escala tem sido suficiente para neutralizar a pressão de custos, segundo a Bloomberg.
Demanda por IA pressiona oferta de memória
A atual restrição de oferta ocorre em meio à expansão acelerada de data centers voltados a inteligência artificial, que impulsionou a demanda por memórias de alta largura de banda (HBM). O movimento elevou as ações da própria Samsung e da rival SK Hynix a novos patamares e reduziu a disponibilidade do componente para outros segmentos da indústria.
Fabricantes como Dell Technologies e Xiaomi já alertaram para possíveis aumentos de preços, enquanto a Lenovo iniciou no ano passado um processo de estocagem preventiva de chips de memória. A consultoria Counterpoint Research estimou, em novembro, que os preços de módulos de memória podem subir até 50% até o segundo trimestre deste ano.
Posição competitiva e perspectiva para 2026
Apesar do cenário mais apertado, a empresa avalia estar em posição mais favorável do que concorrentes que dependem de fornecedores externos de memória. Lee afirmou que a empresa espera desempenho superior ao do mercado e vê melhora no horizonte.
Samsung quer reinventar o celular — mas cobra caro por isso
"Estamos mais otimistas com a perspectiva de 2026 do que com o que vivemos no ano passado", disse o executivo. Segundo ele, a incorporação de recursos de IA em smartphones tende a estimular a troca de aparelhos, à medida que consumidores buscam dispositivos capazes de suportar as novas aplicações.
Na CES, a Samsung apresentou uma ampla linha de produtos, de fones de ouvido sem fio a televisores de grandes dimensões, todos integrados a uma estratégia de maior conectividade e uso de inteligência artificial — em um contexto de custos de produção mais elevados para o setor.







