Tecnologia

Com custos de logística acima de R$ 940 bi por ano, setor procura alívio na tecnologia

Estudo mostra otimismo com ganhos de produtividade, mas revela entraves em infraestrutura, mão de obra e maturidade digital

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Exame.com
06/01/2026, 16:14 • Atualizado em 06/01/2026, 16:17
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Em 2024, os gastos com transporte no Brasil ultrapassaram R$ 940 bilhões, uma alta de quase 7% em relação ao ano anterior | Reprodução

Em 2024, os gastos com transporte no Brasil ultrapassaram R$ 940 bilhões, uma alta de quase 7% em relação ao ano anterior | Reprodução

A logística brasileira entrou em uma década decisiva. De um lado, empresas projetam ganhos expressivos de produtividade impulsionados por tecnologia. Do outro, seguem presas a gargalos antigos: infraestrutura deficiente, custos elevados e uma cadeia de distribuição fragmentada. Esse contraste aparece com nitidez no Infor Reports 2025 – Inovação na Logística, estudo anual da Infor que mapeia os rumos do setor no Brasil e no mundo.

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Segundo o levantamento feito em 15 países, 81% das empresas brasileiras de distribuição esperam elevar sua produtividade em mais de 20% nos próximos três a cinco anos. Para 79% delas, esse salto só será possível com a adoção de tecnologias avançadas. O otimismo, no entanto, convive com uma realidade operacional ainda dura.

Em 2024, os gastos com transporte no Brasil ultrapassaram R$ 940 bilhões, uma alta de quase 7% em relação ao ano anterior, de acordo com o ILOS. O número reflete a dependência histórica do modal rodoviário e as diferenças na qualidade das estradas entre regiões, fatores que seguem pressionando custos e prazos. Nos armazéns, o cenário não é mais simples: entre 2022 e 2023, o custo de estocagem subiu de 18% para 23%, impulsionado pela baixa previsibilidade da demanda e pela falta de integração entre sistemas de gestão.

Ao mesmo tempo, o mercado imobiliário logístico está mais apertado do que nunca. A taxa de vacância dos condomínios logísticos caiu para 7,2% no segundo trimestre de 2025, segundo a Colliers, o menor nível desde 2016. O dado indica um setor aquecido, puxado pelo avanço do e-commerce e pela fragmentação das cadeias de suprimentos, mas também expõe a necessidade de ganhos rápidos de eficiência.

Rafael Pinto, vice-presidente de Fulfillment da Daki e um dos especialistas ouvidos no relatório, resume bem o dilema. "Temos uma infraestrutura defasada, custos elevados e uma cadeia bastante fragmentada. Em outras palavras: é preciso garantir eficiência e velocidade em um ambiente de gargalos estruturais", afirma.

O salto via tecnologia

É nesse contexto que a digitalização surge não mais como promessa, mas como imperativo. O estudo aponta que a inovação é decisiva para aumentar a visibilidade das operações e mitigar falhas estruturais. Ainda assim, o avanço ocorre de forma desigual. Dados do Mundo Logística mostram que 71% das empresas brasileiras já investem em tecnologias para modernizar suas operações, mas a transformação digital esbarra em obstáculos recorrentes: orçamento limitado, integração deficiente entre sistemas e baixa maturidade no uso de dados.

Já a pesquisa "O Armazém do Futuro", conduzida pela Infor com 51 empresas de distribuição, reforça esse diagnóstico. Para 55% dos entrevistados, a baixa maturidade tecnológica é o principal desafio do setor. Outros 53% citam a escassez de mão de obra qualificada, enquanto 47% apontam a dificuldade de formar lideranças com competências digitais.

O problema não é pontual. Dados da FGV indicam que 80% das empresas têm dificuldade para contratar profissionais nas áreas de logística, tecnologia e operações. No recorte de transporte e supply chain, a escassez chega a 91%, segundo a Manpower Group. Como resultado, as próprias empresas reconhecem que ainda estão atrás: em uma escala de 1 a 5, avaliam sua maturidade digital em média em 2,71, abaixo dos 3,24 atribuídos aos concorrentes.

Para Waldir Bertolino, country manager da Infor Brasil, a tecnologia já se tornou peça-chave para equilibrar essa equação. "A digitalização é essencial para compensar a falta de mão de obra e o aumento da complexidade operacional. Ferramentas de inteligência artificial, automação e analytics já ajudam empresas a reduzir custos, antecipar gargalos e otimizar o uso de pessoas", diz.

Mas o relatório deixa claro que tecnologia, sozinha, não resolve. A transformação exige mudança cultural: líderes orientados por dados, ambientes colaborativos e investimento contínuo em capacitação. No fim das contas, conclui o estudo, a inovação deixou de ser apenas um diferencial competitivo na logística brasileira. Passou a ser um critério básico de sustentabilidade operacional.

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