Política

Flávio Dino suspende privatização da Celepar por risco à proteção de dados pessoais

Ministro do STF determina paralisação do processo até que governo do Paraná apresente garantias sobre tratamento de dados sensíveis

Imagem da noticia Flávio Dino suspende privatização da Celepar por risco à proteção de dados pessoais
Sede da Celepar em Curitiba (PR) | Divulgação/Celepar

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu o avanço da privatização da Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná (Celepar). A decisão foi publicada neste domingo (22), em resposta a uma Ação Direta de Inconstitucionalidade protocolada pelo Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL).

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Ao conceder tutela provisória parcial, Dino apontou risco ao direito fundamental à proteção de dados pessoais, incluído na Constituição pela Emenda 115/2022. Segundo o ministro, a lei permite a alienação do controle da estatal sem deixar claro como serão protegidos dados sensíveis e informações ligadas à segurança pública.

Na decisão, o ministro determinou que o processo fique suspenso até que o governo do Paraná:

  • observe integralmente a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e a Lei da Política Nacional de Segurança Pública;
  • mantenha sob controle estatal as bases de dados sensíveis e aquelas relacionadas à segurança pública;
  • não transfira integralmente esses dados a empresas privadas;
  • elabore um Relatório de Impacto à Proteção de Dados específico para a transição societária.

Dino ressaltou que a LGPD proíbe que a totalidade de bancos de dados ligados à segurança pública seja tratada por empresa privada, salvo se tiver capital integralmente público.

O ministro também mencionou decisões do Tribunal de Contas do Estado do Paraná que já haviam suspendido o processo por falhas em estudos técnicos e riscos à governança digital. Para ele, há insegurança jurídica no andamento da desestatização.

A decisão determina comunicação urgente ao governador do Paraná, à direção da Celepar e à B3 para que mantenham suspensos os próximos atos administrativos até nova análise do STF. O caso ainda será submetido ao plenário da Corte.

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