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Acordo com Índia é “primeira etapa crucial” para Brasil avançar em terras raras, avalia especialista

Para o professor Alexandre Pires, memorando abre caminho para cooperação tecnológica e industrial, mas não representa produção conjunta imediata

O acordo firmado entre Brasil e Índia para cooperação em minerais críticos, incluindo terras raras, representa um passo inicial, porém estratégico, na relação entre os dois países. A avaliação é do professor de Relações Internacionais Alexandre Pires, em entrevista ao News Domingo, do SBT News.

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O documento assinado tem validade de cinco anos e se enquadra no modelo de memorando de entendimento – instrumento comum em negociações internacionais que antecede acordos mais robustos. “Esse documento costuma ser uma primeira etapa para chegar a um acordo com maior impacto. Tanto do lado da Índia quanto do lado do Brasil serão formadas equipes dedicadas a estudar possibilidades na área tecnológica, de financiamento e de desenvolvimento.”

Lula com presidente da Índia, Draupadi Murmu | Ricardo Stuckert/PR
Lula com presidente da Índia, Draupadi Murmu | Ricardo Stuckert/PR

O Brasil detém a segunda maior reserva mundial de terras raras, minerais considerados essenciais para a transição energética, produção de baterias, eletrônicos e para a expansão da inteligência artificial. Para Pires, a parceria pode acelerar o domínio tecnológico em etapas estratégicas da cadeia produtiva. “É uma forma de parceria que o Brasil já tem com a Índia em outros setores, além da China e Rússia, e que busca acelerar o domínio de algumas tecnologias. Fizemos algo semelhante na área de satélites.”

Apesar da relevância do anúncio, o professor pondera que o acordo não significa que os dois países iniciarão imediatamente a produção conjunta de terras raras. “Não significa que Brasil e Índia firmaram um acordo para produção de terras raras. É uma primeira etapa, mas crucial em qualquer processo de cooperação e adensamento das relações bilaterais”, destacou.

Além do memorando, foram assinados termos de compromisso entre empresas brasileiras e indianas em diferentes setores, o que, segundo Pires, indica a possibilidade de desdobramentos mais concretos no futuro. Para o especialista, o movimento reforça a estratégia brasileira de diversificação de parcerias internacionais em áreas consideradas sensíveis e estratégicas, especialmente em um contexto global de disputa por minerais críticos e por cadeias produtivas ligadas à tecnologia e à energia limpa.

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