Saúde

Uso de maconha entre meninas cresce no Brasil, aponta estudo

Levantamento da Unifesp mostra que consumo entre adolescentes do sexo feminino mais que triplicou e já supera o dos meninos

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Vinícius Rangel
23/12/2025, 21:38 • Atualizado em 24/12/2025, 00:42
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Um levantamento feito pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) aponta que o consumo de maconha entre meninas a partir dos 14 anos mais do que triplicou no Brasil entre 2012 e 2023. Pela primeira vez, o uso entre elas foi maior do que entre os meninos, uma inversão que preocupa médicos, pesquisadores e quem lida, todos os dias, com as consequências do vício.

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“O corpo feminino é mais sensível aos efeitos das substâncias psicoativas, o que aumenta o risco de dependência”, afirma Clarice Madruga, responsável pelo estudo.

De acordo com a pesquisa, 28 milhões de brasileiros já usaram maconha, que segue sendo a droga ilícita mais consumida no país. O que muda agora é o perfil mais feminino dos usuários.

Entre adolescentes, enquanto os meninos reduziram o consumo no período pesquisado, as meninas seguem no caminho oposto. E quanto maior o poder aquisitivo, maior o acesso às drogas.

“Além da questão hormonal, tem o fato de o cérebro ainda estar em desenvolvimento. Isso aumenta a chance de desencadear ansiedade, depressão e outros transtornos mentais ao longo da vida”, explica Clarice Madruga.

É longe dos dados e das estatísticas que essa realidade ganha rosto. Há oito anos, uma casa em Itapecerica da Serra, na região metropolitana de São Paulo, acolhe meninas e mulheres que viram a curiosidade virar dependência. Muitas começaram achando que a maconha era inofensiva, uma forma de relaxar, e acabaram perdendo o controle.

Na maioria dos casos, segundo Silvana Braz Silva, responsável pela clínica, o primeiro contato é com a maconha. “Algumas acabam migrando para outras drogas e algumas acabam morrendo depois que saem”, relata.

A paciente que aceitou contar a história prefere não ser identificada. Ela chegou ao local depois que a maconha já não bastava mais. O que começou como “alívio” virou dependência e abriu portas que ela não conseguiu mais fechar sozinha. Ela relata o que passou com o uso da droga e conta que perdeu o filho de 12 anos, que foi tirado dela.

Mais da metade dos usuários entrevistados pela pesquisa relata uso diário de maconha. Entre adolescentes, quase 8% já precisaram de atendimento de emergência por causa dos efeitos da droga. Um dado chama a atenção: um em cada três usuários desenvolve transtorno por uso de cannabis.

“Existe uma crença errada de que maconha, álcool e outras substâncias sedativas podem dar a falsa impressão de serem calmantes. O público feminino pode achar que está se automedicando, quando, na verdade, está ingerindo uma substância que aumenta a ansiedade”, explica Clarice Madruga.

A dependência de uma droga pode levar ao desejo por outra. É o caso de uma comerciante de 49 anos, que também pediu para não ser identificada. Ela saiu da maconha, se viciou no álcool e perdeu o que tinha para a cocaína. Ela relata o quanto usou, o que perdeu e tudo o que enfrentou ao longo do vício.

Para muitas meninas, o que começa como uso recreativo pode terminar em uma luta diária para recomeçar. E quanto mais tarde o socorro chega, mais difícil é o caminho de volta, apontam os especialistas.

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