Saúde

Medicina nuclear transforma diagnóstico e tratamento do câncer no Brasil

Tecnologia de ponta, precisão diagnóstica e terapias inovadoras estão redefinindo cuidado oncológico

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Brazil Health
18/08/2025, 13:13 • Atualizado em 18/08/2025, 13:41
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A medicina nuclear é uma especialidade médica que utiliza pequenas quantidades de substâncias radioativas, chamadas radiofármacos, para diagnosticar e tratar diferentes doenças | Freepik

A medicina nuclear é uma especialidade médica que utiliza pequenas quantidades de substâncias radioativas, chamadas radiofármacos, para diagnosticar e tratar diferentes doenças | Freepik

A medicina nuclear vem revolucionando a oncologia ao oferecer exames de alta precisão e terapias-alvo capazes de modificar estratégias médicas e impactar diretamente a sobrevida e a qualidade de vida dos pacientes.

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Nos últimos anos, a especialidade avançou de forma significativa, permitindo abordagens mais personalizadas e menos invasivas. Apesar disso, o acesso ainda é desigual no Brasil: enquanto países como Estados Unidos, França e Dinamarca realizam muito mais procedimentos per capita, a oferta nacional segue concentrada nas grandes capitais, revelando grande potencial de crescimento diante da demanda reprimida.

O que é medicina nuclear e como ela ajuda no diagnóstico de câncer?

A medicina nuclear é uma especialidade médica que utiliza pequenas quantidades de substâncias radioativas, chamadas radiofármacos, para diagnosticar e tratar diferentes doenças. Esses compostos emitem radiação que pode ser detectada por equipamentos de alta precisão, como câmeras especiais ou tomógrafos, permitindo a visualização do funcionamento de órgãos e tecidos de dentro do corpo.

Ao contrário de exames de imagem tradicionais, como raio-X ou ressonância magnética, a medicina nuclear mostra não apenas a anatomia, mas também o metabolismo e a atividade celular. Isso possibilita identificar alterações precocemente, muitas vezes antes de surgirem mudanças estruturais visíveis.

No campo diagnóstico, os exames mais conhecidos são as cintilografias e o PET/CT. Eles são amplamente utilizados em oncologia, cardiologia, neurologia e outras áreas. No câncer, por exemplo, permitem localizar tumores, avaliar metástases e acompanhar a resposta ao tratamento.

Principais aplicações nos tumores mais prevalentes

O uso da tecnologia se destaca em diferentes tipos de câncer. No de pulmão, o PET/CT com 18F-FDG é considerado indispensável para estadiamento, reestadiamento e avaliação da resposta às terapias, evitando procedimentos desnecessários.

Nos linfomas, o mesmo exame é o padrão-ouro para definir a extensão da doença e acompanhar a resposta precoce ao tratamento, permitindo ajustes que reduzem toxicidade sem perda de eficácia.

No câncer de mama, duas ferramentas complementares já estão disponíveis no Brasil:

  • PET/CT com 18F-FDG, utilizado em estadiamento e avaliação de recidiva, com impacto em até 30% das condutas médicas;
  • PET/CT com 18F-FES, que mede a expressão dos receptores de estrogênio, auxiliando na seleção de pacientes para terapia hormonal e na detecção de resistência precoce.

No câncer de próstata, o PET/CT com PSMA (68Ga ou 18F) apresenta sensibilidade muito superior para detectar recidivas, inclusive em níveis baixos de PSA.

Já no câncer diferenciado de tireoide, a cintilografia com 131I e o PET/CT com 18F-FDG orientam o uso da iodoterapia e identificam possíveis metástases residuais.

Além disso, o PET/CT com FAPI desponta como promessa para ampliar a detecção em tumores sólidos de baixo metabolismo glicolítico.

Teranóstico: diagnóstico e terapia no mesmo alvo

Um dos conceitos mais inovadores da medicina nuclear é o teranóstico, que combina diagnóstico e tratamento a partir de um mesmo alvo molecular. Primeiro, identifica-se o tumor com precisão; depois, utiliza-se a mesma molécula marcada com material radioativo para destruí-lo seletivamente.

No Brasil, alguns radiofármacos já estão em uso:

  • ¹⁷⁷Lu-PSMA e Rádio-223 (Ra-223): indicados para câncer de próstata metastático resistente à castração;
  • ¹⁷⁷Lu-DOTATATE: eficaz no controle de tumores neuroendócrinos;
  • ¹³¹I: tradicional no tratamento de câncer diferenciado de tireoide.

Perspectiva

A incorporação de exames altamente sensíveis e terapias moleculares direcionadas reforça a transição da oncologia para uma medicina mais individualizada, que considera não apenas o tipo de tumor, mas também o perfil biológico de cada paciente.

Combinando inovação tecnológica e cuidado humanizado, a medicina nuclear se consolida como protagonista de uma nova era no combate ao câncer, em que diagnóstico e tratamento caminham juntos para oferecer não apenas mais tempo de vida, mas também mais qualidade ao longo do tempo. * Felipe Hemerly Villela Pedras é especialista em medicina nuclear e diretor médico da Clínica Villelas Pedras - CRM: 52.77681-5 // RQE: 16177

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