Saúde

Jogador de basquete enfrenta herpes-zóster; entenda a doença

Especialista explica como infecção funciona no organismo; vírus é o mesmo da catapora

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Tyrese Haliburton enfrenta dificuldades com herpes-zóster | Foto: Reprodução - Redes Sociais: @pacers/ @tyresehaliburton

Tyrese Haliburton, jogador de basquete do Indiana Pacers, revelou recentemente que passou cerca de dois meses lutando contra herpes-zóster, condição que impactou visivelmente sua aparência e atrasou sua recuperação física.

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Segundo o próprio jogador, o quadro foi mais severo do que o esperado, com a doença se manifestando no rosto, causando coceira intensa, inchaço, dor nervosa e o fechamento de um dos olhos por duas semanas.

O armador do time também relatou perda de parte da sobrancelha devido às lesões na pele, ganho de peso - ligado tanto à medicação quanto ao impacto emocional do período - e uma troca constante de diferentes tratamentos, incluindo até injeção de botox para lidar com os sintomas.

Além disso, Haliburton já estava afastado das quadras por uma ruptura no tendão de Aquiles, que ocorreu no jogo final da última temporada da NBA, o que tornou o processo ainda mais desgastante.

“Tenho dias bons e dias ruins, mas na maior parte do tempo são dias ruins. Tenho tomado quantidades inacreditáveis ​​de medicamentos para tentar me livrar disso. Não funcionou.. É difícil dizer ao certo com dor nos nervos, mas estou lidando com ela há dois meses. Espero que passe logo”, desabafa o jogador.

Entenda a doença

O médico infectologista do Hospital Israelita Albert Einstein, Daniel Paffili Prestes, explica que o herpes-zóster é a reativação do vírus varicela-zóster, o mesmo da catapora. Após a infecção inicial, esse vírus permanece adormecido no organismo, em gânglios nervosos, podendo se reativar anos depois, geralmente em momentos de queda da imunidade, causando dor e lesões na pele em uma área específica do corpo ou do rosto.

Segundo o infectologista, durante a fase ativa, especialmente enquanto ainda há vesículas (bolhas), a pessoa pode transmitir o vírus para indivíduos que nunca tiveram catapora ou não foram vacinados.

“Essa transmissão ocorre principalmente pelo contato direto com o líquido das lesões, mas também pode acontecer por via respiratória (aerossóis) em algumas situações, especialmente em ambientes fechados ou em casos mais extensos”.

Nesses casos, o que a pessoa desenvolve é catapora, e não herpes-zóster. Após a formação de crostas, o risco de transmissão reduz significativamente.

A principal forma de prevenção é a vacina contra herpes-zóster, que reduz de forma importante o risco da doença e, principalmente, das complicações, como a dor crônica.

“Além da vacina, manter uma boa saúde geral, com controle de doenças crônicas, sono adequado e redução de estresse, pode ajudar na manutenção da imunidade. Mas é importante reforçar que essas medidas ajudam, mas não substituem a vacinação, que é a estratégia mais eficaz”, alerta Daniel.

Tratamento

O tratamento inicial é feito com antivirais por via oral, idealmente nas primeiras 72 horas. Quando a evolução não é a esperada, o médico precisa reavaliar alguns pontos importantes: o tempo de início do tratamento, a extensão das lesões, a presença de acometimento ocular ou neurológico, o estado imunológico do paciente e o controle adequado da dor.

Daniel explica que, nos quadros mais extensos, em pacientes imunossuprimidos ou com complicações, pode haver necessidade de internação e uso de antiviral por via endovenosa, o que permite maior controle da infecção.

“Outro ponto essencial é descartar a presença de infecção bacteriana secundária, que pode ocorrer sobre as áreas de pele lesionadas e piorar o quadro clínico, com aumento de dor, secreção, vermelhidão ou febre. Nesses casos, pode ser necessário associar antibióticos”, acrescenta.

Além disso, é fundamental estar atento a sinais de disseminação sistêmica do vírus (visceralização), que embora mais rara, pode ocorrer principalmente em pacientes imunocomprometidos. Em casos assim, o vírus pode acometer outros órgãos, levando a quadros como encefalite (acometimento do sistema nervoso central), pneumonite ou hepatite, que exigem manejo hospitalar imediato.

Os sinais de alerta incluem alteração do nível de consciência, confusão mental, dor de cabeça intensa, falta de ar, febre persistente ou piora clínica desproporcional ao quadro cutâneo. Nessas situações, a conduta deve ser rápida, com investigação e tratamento intensivo.

O médico alerta que um dos principais desafios é que, após a fase inicial, o problema muitas vezes deixa de ser apenas o vírus ativo e passa a envolver inflamação neural e dor neuropática persistente. “Isso exige ajuste da abordagem, com medicações específicas para dor e, em alguns casos, acompanhamento multidisciplinar”.

Caso Tyrese

Tyrese relatou um quadro de dor persistente mesmo após o desaparecimento das lesões. O médico do Hospital Israelita Albert Einstein explica que é possível que isso aconteça.

“Essa é uma complicação chamada neuralgia pós-herpética. O vírus causa inflamação e lesão dos nervos, e isso pode levar a uma dor persistente mesmo depois que as lesões na pele já cicatrizaram”.

Essa dor pode durar meses e, em alguns casos, até anos, sendo mais comum em pessoas mais velhas ou em quadros mais intensos. Por isso, iniciar o tratamento antiviral precocemente é fundamental para reduzir esse risco.

“Antes de mais nada, eu diria para qualquer pessoa com mais de 50 anos tomar a injeção”, alerta o jogador Haliburton de 26 anos.

Quando o herpes-zóster atinge a região do rosto, pode haver queda de pelos, inchaço e alterações na pele, como no caso do jogador. Segundo Daniel, a inflamação intensa na pele pode levar à queda localizada de pelos, como sobrancelhas, além de alterações de pigmentação.

“Em muitos casos, isso é reversível, mas depende da intensidade da inflamação e da presença de cicatrizes. Quando há dano mais profundo, a recuperação pode ser parcial ou mais lenta”.

Já o inchaço pode indicar um quadro inflamatório mais intenso. O que merece atenção especial porque pode haver envolvimento de estruturas importantes, como o olho.

De acordo com o especialista em infectologia, as regiões que mais preocupam são face, região ao redor dos olhos, nariz e ouvido. Sintomas como dor intensa, alteração visual ou dificuldade de abrir o olho são sinais de alerta e exigem avaliação médica rápida.

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