Entenda por que jogadores usam protetores bucais na Copa
Cirurgião-dentista explica como infecções bucais, traumas faciais e o uso de protetores podem impactar desempenho, recuperação e segurança no esporte


Jogadores de Colômbia comemoram em amistoso | Foto: FCF
A odontologia está inserida no contexto de Copas do Mundo de Futebol no Brasil desde 1958, com o cirurgião-dentista Mario Trigo integrando a Comissão de Saúde da Seleção Brasileira. Na época, chegou a realizar 118 extrações dentárias de 33 atletas e integrantes da comissão técnica antes do início da Copa. Um dado que hoje causa espanto, mas que, na época, buscava eliminar os “focos infecciosos bucais” que pudessem atrapalhar o desempenho físico.
De lá para cá, muitos estudos levaram ao entendimento da importância da Odontologia no desempenho de atletas, não só do futebol, mas de várias outras modalidades. Desempenho cardíaco, pulmonar, articular, dentre outros problemas sistêmicos, estão diretamente relacionados ao estado de saúde bucal do atleta.
Por que os protetores bucais viraram destaque na Copa
Mas o que tem realmente chamado a atenção do público que assiste à Copa do Mundo atualmente é o número cada vez maior de atletas usando dispositivos de proteção intra e extrabucais.
Os protetores bucais individualizados são extremamente eficazes na proteção contra eventuais traumas inerentes à prática esportiva. Não podemos “cravar” qual seleção será a campeã do maior mundial de futebol de todos os tempos, mas podemos, sim, afirmar que atletas sofrerão traumas faciais.
Isso é fato e se repetirá algumas vezes durante este mundial. E aquele atleta que usa o dispositivo de proteção bucal sofrerá menores consequências. Tal dispositivo, inclusive, deveria ser de uso obrigatório durante a prática de esportes de contato, como já é em alguns esportes de luta. Afinal, nenhum atleta quer perder um “dente da frente” durante uma partida de futebol.
Máscaras faciais: o que elas protegem e por que voltaram
Marca registrada da última Copa do Mundo do Qatar, em 2022, os protetores faciais, ou máscaras faciais, como são mais conhecidos, foram presença constante em atletas de diversas seleções, e nesta Copa não será diferente.
Atletas que sofreram fraturas de ossos faciais, como o osso nasal (do nariz), acabam utilizando esse dispositivo, que é confeccionado por um cirurgião-dentista especialista em Odontologia do Esporte, para poderem retornar aos treinos e jogos antes mesmo da consolidação final da fratura óssea que sofreram, porque, na realidade, nenhum atleta quer ficar de fora do maior evento esportivo do planeta, nem mesmo a seleção que ele representa quer ficar sem os seus maiores astros.
A odontologia do Esporte está e estará muito presente nesta Copa de 2026, bem como em todos os eventos esportivos mundiais.
Danilo Henrique Lattaro - CROSP 86074
Cirurgião-dentista especialista em Odontologia do Esporte
Secretário da Câmara Técnica de Odontologia do Esporte do CROSP
Delegado Seccional de Ribeirão Preto do CROSP
Dentista de clube de futebol














