Copa 2026 tem recorde de jogadores com mais de 40 anos
Especialista da Unifesp explica como medicina esportiva, sono e nutrição ajudam atletas veteranos como Cristiano Ronaldo e Vozinha a manter desempenho


A Copa do Mundo de 2026 marca um novo capítulo na longevidade do futebol profissional, com um recorde de jogadores com mais de 40 anos na disputa. Ao todo, oito atletas "quarentões" participam do torneio, número que supera todas as edições anteriores somadas.
Em entrevista ao Radar News, nesta terça-feira (16), o médico Clayton Macedo, coordenador do Serviço de Endocrinologia do Exercício da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), afirmou que o Mundial reflete uma mudança importante no esporte de alto rendimento.
"Essa Copa está sendo uma vitrine para um novo cenário no esporte, onde a gente vê que a idade biológica pode valer mais do que a cronológica. São oito [atletas] com mais de 40 anos e 20 com mais de 38 anos", afirmou.
Entre os nomes de destaque está o português Cristiano Ronaldo, de 41 anos e quatro meses, que deve entrar em campo na partida entre Portugal e República Democrática do Congo, nesta quarta-feira (17). O médico também citou o goleiro cabo-verdiano Vozinha, de 40 anos, que segurou o forte ataque da seleção da Espanha e foi o grande nome do empate em 0 a 0 na segunda-feira (15).
"O goleiro de Cabo Verde, Vozinha, deu um show no jogo contra a Espanha, foi destaque, com mais de 40 anos", disse.

Além do português e de Vozinha, os "quarentões" que jogam a Copa do Mundo de 2026 são:
- Craig Gordon, goleiro da Escócia - 43 anos e cinco meses;
- Guillermo Ochoa, goleiro do México - 40 anos e 11 meses;
- Luka Modric, meio-campista da Croácia - 40 anos e nove meses;
- Edin Dzeko, centroavante da Bósnia - 40 anos e três meses;
- Manuel Neuer, goleiro da Alemanha - 40 anos e dois meses;
- Fernando Muslera, goleiro do Uruguai - 40 anos.
Medicina esportiva prolonga carreiras
De acordo com Clayton Macedo, os avanços da medicina do esporte têm sido determinantes para a longevidade dos atletas. "Temos hoje, na medicina do esporte, uma série de estratégias para melhorar e otimizar a performance desses atletas que são mais seniores", explicou.
Entre os principais fatores apontados pelo médico estão a rotina alimentar, sono e recuperação física, além de treinos específicos para preservar desempenho.
"Cuidado alimentar, cuidado com o sono, cuidado com a recuperação, treinamento de força específico, porque, aparentemente, com a idade o que mais repercute é a potência, a capacidade de explosão. A capacidade aeróbica mexe pouco nos atletas de mais idade", afirmou.
Segundo ele, até a gestão de minutos em campo faz parte da estratégia de alto rendimento.
"O tempo de jogo precisa ser cuidado. O desempenho pode ser otimizado. O jogador sênior não precisa participar do jogo como um todo", concluiu.













