Dor nas costas: entenda por que não existe cura definitiva
Principal causa de incapacidade física no mundo pode ter diferentes origens; saiba quando é preciso procurar ajuda médica
Brazil Health
01/07/2026, 15:00 • Atualizado em 01/07/2026, 15:00
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Dor nas costas: entenda por que não existe cura definitiva | Reprodução
Você já se perguntou por que, em pleno século 21, ainda não existe uma cura definitiva para a dor nas costas?
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A pergunta faz sentido. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a dor nas costas é a principal causa de limitação física no mundo, afetando mais de 600 milhões de pessoas. Estima-se que até 80% da população terá pelo menos um episódio de dor nas costas ao longo da vida.
Diante de números tão expressivos, é natural questionar por que a medicina ainda não encontrou uma solução única para o problema. A resposta está em um detalhe fundamental: dor nas costas não é uma doença. Ela é um sintoma.
Existem diversas condições capazes de provocar dor nas costas. Algumas têm origem nas próprias estruturas da coluna vertebral, como vértebras, discos intervertebrais, nervos, articulações, músculos, tendões e ligamentos. Outras podem estar relacionadas a problemas em órgãos internos, que se manifestam por meio de dor na região das costas.
Por isso, duas pessoas com sintomas semelhantes podem ter causas completamente diferentes para a dor. E, consequentemente, necessitar de tratamentos distintos.
É justamente essa variedade de causas que torna impossível a existência de uma solução universal. O tratamento precisa ser direcionado ao problema específico de cada paciente.
A boa notícia é que a maioria dos casos está relacionada a condições benignas, que não causam sequelas permanentes e tendem a apresentar boa evolução quando tratadas adequadamente.
Embora a maior parte dos episódios tenha origem musculoesquelética, algumas situações exigem avaliação médica mais rápida, pois podem indicar problemas mais graves.
Procure atendimento médico se a dor:
· Irradiar para uma ou ambas as pernas;
· Estiver acompanhada de fraqueza, formigamento ou dormência nas pernas;
· Piorar durante o repouso;
· Vier acompanhada de febre por mais de 48 horas;
· Estiver associada a dor abdominal, dor no peito ou sensação de pulsação;
· Surgir após quedas ou traumas importantes, especialmente em idosos;
· Vier acompanhada de perda de peso sem causa aparente;
· Aparecer após uma infecção urinária recente;
· Estiver associada à perda do controle urinário;
· Ocorrer em pessoas com diagnóstico de câncer.
Na maioria das vezes, a dor melhora em quatro a seis semanas com medidas simples, como repouso relativo, alongamentos, exercícios leves, compressas de calor ou gelo e medicamentos para alívio dos sintomas, quando indicados.
No entanto, se a dor estiver piorando com o passar dos dias ou não apresentar melhora após esse período, é recomendável buscar avaliação médica.
O que fazer para prevenir a dor nas costas?
Os fatores de risco para dor nas costas podem ser divididos em dois grupos: aqueles sobre os quais não temos controle e aqueles que podem ser modificados.
Entre os fatores não modificáveis estão a idade e a genética. Com o envelhecimento, ocorre um desgaste natural das estruturas da coluna. Além disso, algumas características hereditárias podem aumentar ou reduzir a predisposição para determinados problemas.
Já os fatores modificáveis oferecem oportunidades importantes de prevenção.
Mantenha-se fisicamente ativo
O sedentarismo está entre os principais fatores associados ao surgimento de dores nas costas. A prática regular de atividade física ajuda a fortalecer a musculatura e melhora a estabilidade da coluna.
Controle o peso corporal
O excesso de peso aumenta a sobrecarga sobre as estruturas da coluna, favorecendo dores e desgastes ao longo do tempo.
Evite o tabagismo
Pouca gente associa o cigarro à saúde da coluna, mas fumantes apresentam maior risco de desenvolver dores nas costas e problemas degenerativos.
Cuide das doenças crônicas
Condições como diabetes e doenças inflamatórias podem contribuir para alterações que favorecem o aparecimento da dor. Por isso, manter o acompanhamento médico regular é fundamental.
Priorize um sono de qualidade
Dormir bem não é importante apenas para o descanso. A qualidade do sono está diretamente relacionada à percepção da dor e à recuperação do organismo.
Atenção à ergonomia
Ajustes simples na estação de trabalho podem fazer diferença. Altura da cadeira, posição do monitor, apoio para os braços e localização do teclado influenciam diretamente na saúde da coluna.
Cuide da saúde mental
Aspectos emocionais também interferem na percepção e na persistência da dor. Estresse, ansiedade e insatisfação com atividades profissionais ou sociais podem contribuir para o agravamento dos sintomas.
A prevenção ainda é o melhor caminho
Embora não seja possível eliminar completamente o risco de dor nas costas, a adoção de hábitos saudáveis pode reduzir significativamente sua ocorrência e intensidade.
Em um problema tão comum e multifatorial, a chave não está em buscar uma solução milagrosa, mas em identificar a causa correta, tratar cada caso de forma individualizada e agir sobre os fatores que podem ser modificados.
** Daniel Camargo Pimentel é fisiatra Intervencionista
Dor nas costas: entenda por que não existe cura definitivaPrincipal causa de incapacidade física no mundo pode ter diferentes origens; saiba quando é preciso procurar ajuda médicaSaúde2026-07-01T15:00:07.178ZVocê já se perguntou por que, em pleno século 21, ainda não existe uma cura definitiva para a dor nas costas? A pergunta faz sentido. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a dor nas costas é a principal causa de limitação física no mundo, afetando mais de 600 milhões de pessoas. Estima-se que até 80% da população terá pelo menos um episódio de dor nas costas ao longo da vida. Diante de números tão expressivos, é natural questionar por que a medicina ainda não encontrou uma solução única para o problema. A resposta está em um detalhe fundamental: dor nas costas não é uma doença. Ela é um sintoma. Um sintoma com muitas causas Existem diversas condições capazes de provocar dor nas costas. Algumas têm origem nas próprias estruturas da coluna vertebral, como vértebras, discos intervertebrais, nervos, articulações, músculos, tendões e ligamentos. Outras podem estar relacionadas a problemas em órgãos internos, que se manifestam por meio de dor na região das costas. Por isso, duas pessoas com sintomas semelhantes podem ter causas completamente diferentes para a dor. E, consequentemente, necessitar de tratamentos distintos. É justamente essa variedade de causas que torna impossível a existência de uma solução universal. O tratamento precisa ser direcionado ao problema específico de cada paciente. A boa notícia é que a maioria dos casos está relacionada a condições benignas, que não causam sequelas permanentes e tendem a apresentar boa evolução quando tratadas adequadamente. Quando a dor nas costas merece atenção médica? Embora a maior parte dos episódios tenha origem musculoesquelética, algumas situações exigem avaliação médica mais rápida, pois podem indicar problemas mais graves. Procure atendimento médico se a dor: · Irradiar para uma ou ambas as pernas; · Estiver acompanhada de fraqueza, formigamento ou dormência nas pernas; · Piorar durante o repouso; · Vier acompanhada de febre por mais de 48 horas; · Estiver associada a dor abdominal, dor no peito ou sensação de pulsação; · Surgir após quedas ou traumas importantes, especialmente em idosos; · Vier acompanhada de perda de peso sem causa aparente; · Aparecer após uma infecção urinária recente; · Estiver associada à perda do controle urinário; · Ocorrer em pessoas com diagnóstico de câncer. Na maioria das vezes, a dor melhora em quatro a seis semanas com medidas simples, como repouso relativo, alongamentos, exercícios leves, compressas de calor ou gelo e medicamentos para alívio dos sintomas, quando indicados. No entanto, se a dor estiver piorando com o passar dos dias ou não apresentar melhora após esse período, é recomendável buscar avaliação médica. O que fazer para prevenir a dor nas costas? Os fatores de risco para dor nas costas podem ser divididos em dois grupos: aqueles sobre os quais não temos controle e aqueles que podem ser modificados. Entre os fatores não modificáveis estão a idade e a genética. Com o envelhecimento, ocorre um desgaste natural das estruturas da coluna. Além disso, algumas características hereditárias podem aumentar ou reduzir a predisposição para determinados problemas. Já os fatores modificáveis oferecem oportunidades importantes de prevenção. Mantenha-se fisicamente ativo O sedentarismo está entre os principais fatores associados ao surgimento de dores nas costas. A prática regular de atividade física ajuda a fortalecer a musculatura e melhora a estabilidade da coluna. Controle o peso corporal O excesso de peso aumenta a sobrecarga sobre as estruturas da coluna, favorecendo dores e desgastes ao longo do tempo. Evite o tabagismo Pouca gente associa o cigarro à saúde da coluna, mas fumantes apresentam maior risco de desenvolver dores nas costas e problemas degenerativos. Cuide das doenças crônicas Condições como diabetes e doenças inflamatórias podem contribuir para alterações que favorecem o aparecimento da dor. Por isso, manter o acompanhamento médico regular é fundamental. Priorize um sono de qualidade Dormir bem não é importante apenas para o descanso. A qualidade do sono está diretamente relacionada à percepção da dor e à recuperação do organismo. Atenção à ergonomia Ajustes simples na estação de trabalho podem fazer diferença. Altura da cadeira, posição do monitor, apoio para os braços e localização do teclado influenciam diretamente na saúde da coluna. Cuide da saúde mental Aspectos emocionais também interferem na percepção e na persistência da dor. Estresse, ansiedade e insatisfação com atividades profissionais ou sociais podem contribuir para o agravamento dos sintomas. A prevenção ainda é o melhor caminho Embora não seja possível eliminar completamente o risco de dor nas costas, a adoção de hábitos saudáveis pode reduzir significativamente sua ocorrência e intensidade. Em um problema tão comum e multifatorial, a chave não está em buscar uma solução milagrosa, mas em identificar a causa correta, tratar cada caso de forma individualizada e agir sobre os fatores que podem ser modificados. ** Daniel Camargo Pimentel é fisiatra IntervencionistaSão PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/saude/dor-nas-costas-entenda-por-que-nao-existe-cura-definitiva