Câncer pode causar problemas na boca, diz dentista
Especialista explica por que a avaliação odontológica antes, durante e após o tratamento ajuda a prevenir complicações e aliviar sintomas
Brazil Health
Dentista deve acompanhar paciente com câncer desde o diagnóstico | Reprodução
Quando uma pessoa recebe o diagnóstico de câncer, sua atenção se volta naturalmente para exames, cirurgia, quimioterapia, radioterapia ou outras terapias necessárias. Nesse momento, a saúde bucal costuma parecer uma preocupação secundária.
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Mas a boca pode ser diretamente afetada pelo tratamento. Além disso, infecções dentárias, doença periodontal, próteses mal adaptadas e outras condições prévias podem se agravar e causar dor, dificuldade para se alimentar ou complicações durante a terapia oncológica.
Por isso, o cirurgião-dentista não deve ser procurado apenas quando surge uma urgência. Sua participação pode ajudar a reduzir riscos, controlar sintomas, preservar funções e contribuir para a qualidade de vida do paciente.
A mucosa oral possui rápida renovação celular e pode ser afetada por determinados tratamentos, favorecendo o aparecimento de mucosite oral, inflamação que pode causar vermelhidão, sensibilidade e ulcerações dolorosas.
A saliva também pode sofrer alterações. Ela não serve apenas para umedecer a boca: protege dentes e mucosas, auxilia na mastigação, na deglutição, na fala e no equilíbrio dos microrganismos. Quando sua quantidade ou composição muda, podem surgir ressecamento, alterações do paladar, candidose, dificuldade para comer e maior risco de destruição dentária.
Os efeitos variam conforme o tipo de câncer e o tratamento realizado. A quimioterapia pode estar associada à mucosite, a infecções e a sangramentos. A radioterapia de cabeça e pescoço pode comprometer glândulas salivares, músculos, dentes e ossos. Terapias-alvo, imunoterapias e alguns medicamentos utilizados no controle do câncer também podem provocar manifestações orais específicas.
Um receio frequente é que a consulta odontológica antes do tratamento resulte obrigatoriamente na remoção de vários dentes. Esse não é o objetivo.
O dentista procura identificar problemas que possam se agravar, como infecções, dentes com prognóstico desfavorável, inflamações gengivais, lesões nas mucosas e próteses que provoquem trauma.
Em alguns casos, uma extração é necessária. Em outros, o dente pode ser preservado com restauração, tratamento endodôntico ou controle periodontal. A decisão deve considerar a condição clínica do paciente, o tempo disponível, o tratamento oncológico planejado e a capacidade de reparo dos tecidos.
O cuidado continua durante e depois
A atuação do dentista não termina quando a terapia começa. Durante o tratamento, ele pode participar da prevenção e do controle da dor, das inflamações, das infecções, das alterações salivares e das dificuldades de higiene.
Também é importante diferenciar problemas que podem parecer semelhantes. Nem toda ferida é mucosite, nem toda lesão branca é candidose, e nem toda dor é uma consequência inevitável do tratamento do câncer.
Após o término da terapia, alguns pacientes ainda precisam de acompanhamento prolongado. Alterações salivares podem persistir, a destruição dentária pode evoluir rapidamente e procedimentos cirúrgicos em regiões irradiadas exigem planejamento cuidadoso.
Incluir o dentista no cuidado oncológico significa compreender que a boca não está separada do restante do organismo. O cirurgião-dentista não trata o câncer, mas participa do cuidado de quem está sendo tratado.
Uma boca dolorida, seca, ulcerada ou com dificuldade para mastigar não é um detalhe. Ela interfere na alimentação, na comunicação, no sono e na forma como o paciente enfrenta o tratamento.
Cuidar da boca também é cuidar da pessoa como um todo.
** Eduardo Fregnani é cirurgião-dentista
Câncer pode causar problemas na boca, diz dentistaEspecialista explica por que a avaliação odontológica antes, durante e após o tratamento ajuda a prevenir complicações e aliviar sintomasSaúde2026-08-17T14:29:07.207ZQuando uma pessoa recebe o diagnóstico de câncer, sua atenção se volta naturalmente para exames, cirurgia, quimioterapia, radioterapia ou outras terapias necessárias. Nesse momento, a saúde bucal costuma parecer uma preocupação secundária. Mas a boca pode ser diretamente afetada pelo tratamento. Além disso, infecções dentárias, doença periodontal, próteses mal adaptadas e outras condições prévias podem se agravar e causar dor, dificuldade para se alimentar ou complicações durante a terapia oncológica. Por isso, o cirurgião-dentista não deve ser procurado apenas quando surge uma urgência. Sua participação pode ajudar a reduzir riscos, controlar sintomas, preservar funções e contribuir para a qualidade de vida do paciente. A boca também sofre os efeitos do tratamento A mucosa oral possui rápida renovação celular e pode ser afetada por determinados tratamentos, favorecendo o aparecimento de mucosite oral, inflamação que pode causar vermelhidão, sensibilidade e ulcerações dolorosas. A saliva também pode sofrer alterações. Ela não serve apenas para umedecer a boca: protege dentes e mucosas, auxilia na mastigação, na deglutição, na fala e no equilíbrio dos microrganismos. Quando sua quantidade ou composição muda, podem surgir ressecamento, alterações do paladar, candidose, dificuldade para comer e maior risco de destruição dentária. Os efeitos variam conforme o tipo de câncer e o tratamento realizado. A quimioterapia pode estar associada à mucosite, a infecções e a sangramentos. A radioterapia de cabeça e pescoço pode comprometer glândulas salivares, músculos, dentes e ossos. Terapias-alvo, imunoterapias e alguns medicamentos utilizados no controle do câncer também podem provocar manifestações orais específicas. A avaliação não significa extrair dentes Um receio frequente é que a consulta odontológica antes do tratamento resulte obrigatoriamente na remoção de vários dentes. Esse não é o objetivo. O dentista procura identificar problemas que possam se agravar, como infecções, dentes com prognóstico desfavorável, inflamações gengivais, lesões nas mucosas e próteses que provoquem trauma. Em alguns casos, uma extração é necessária. Em outros, o dente pode ser preservado com restauração, tratamento endodôntico ou controle periodontal. A decisão deve considerar a condição clínica do paciente, o tempo disponível, o tratamento oncológico planejado e a capacidade de reparo dos tecidos. O cuidado continua durante e depois A atuação do dentista não termina quando a terapia começa. Durante o tratamento, ele pode participar da prevenção e do controle da dor, das inflamações, das infecções, das alterações salivares e das dificuldades de higiene. Também é importante diferenciar problemas que podem parecer semelhantes. Nem toda ferida é mucosite, nem toda lesão branca é candidose, e nem toda dor é uma consequência inevitável do tratamento do câncer. Após o término da terapia, alguns pacientes ainda precisam de acompanhamento prolongado. Alterações salivares podem persistir, a destruição dentária pode evoluir rapidamente e procedimentos cirúrgicos em regiões irradiadas exigem planejamento cuidadoso. Incluir o dentista no cuidado oncológico significa compreender que a boca não está separada do restante do organismo. O cirurgião-dentista não trata o câncer, mas participa do cuidado de quem está sendo tratado. Uma boca dolorida, seca, ulcerada ou com dificuldade para mastigar não é um detalhe. Ela interfere na alimentação, na comunicação, no sono e na forma como o paciente enfrenta o tratamento. Cuidar da boca também é cuidar da pessoa como um todo. ** Eduardo Fregnani é cirurgião-dentistaSão PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/saude/cancer-pode-causar-problemas-na-boca-diz-dentista
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