Saúde

Arritmias sem sintomas podem aumentar o risco de AVC e exigem investigação clínica

Alterações no ritmo cardíaco podem passar despercebidas e só serem detectadas por exames; especialistas orientam quando monitorar e investigar

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Arritmias sem sintomas podem aumentar o risco de AVC e exigem investigação clínica | Reprodução

A maioria das arritmias cardíacas é benigna, porém uma pequena parcela está associada a risco de morte súbita, insuficiência cardíaca (IC) e acidente vascular cerebral (AVC). Ademais, podem causar sintomas inespecíficos para o paciente ou, eventualmente, ser completamente assintomáticas, podendo ser definidas como arritmias silenciosas. Nesse contexto, o diagnóstico e o tratamento precoces podem minimizar esses riscos (1). O objetivo inicial, além do diagnóstico específico da arritmia, é definir se há uma cardiopatia estrutural associada, uma vez que essa condição, usualmente, associa-se a maior risco.

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Quais sinais podem aparecer e como investigar

Os sintomas das arritmias silenciosas podem ser percebidos pelo paciente como sensação de “falha e tranco” no tórax, fadiga, sensação de “falta de ar” aos esforços habituais inexistente previamente, dor torácica, sensação de pulso irregular, tontura e síncope (desmaio) (1). A avaliação inicial, com história clínica, exame físico e exames cardiológicos básicos, é fundamental para o diagnóstico. Porém, devido à sua ocorrência intermitente, as arritmias podem ser diagnosticadas apenas com monitores de longa duração. Atualmente, no Brasil, temos disponíveis relógios com capacidade de gravar eletrocardiogramas e o monitor de eventos implantável, que consiste em um procedimento minimamente invasivo e monitora o coração por 3 a 5 anos (2).

Relógios que fazem ECG: vantagens e cuidados

Os relógios com capacidade diagnóstica permitem que o paciente grave o eletrocardiograma (ECG) e envie ao seu médico ou, diante de parâmetros programados no dispositivo, gravam automaticamente o evento e inferem o diagnóstico. A vantagem desse tipo de monitoramento é o menor custo e o fato de ser um monitoramento não invasivo. A desvantagem é a necessidade de o paciente conseguir manuseá-los adequadamente. Atualmente, existem diferentes marcas no mercado, mas é fundamental que o médico analise o diagnóstico correspondente ao traçado armazenado, a fim de evitar resultados “falso-positivos”.

Fibrilação atrial e desmaio: quando o risco aumenta

Uma das arritmias silenciosas mais frequentes na prática clínica é a fibrilação atrial (FA). Sua prevalência aumenta com a idade e está associada à presença de fatores de risco cardiovasculares clássicos, como hipertensão arterial, obesidade e síndrome da apneia obstrutiva do sono. Até 40% dos pacientes são completamente assintomáticos, porém a ocorrência de FA está associada a maior incidência de AVC, sendo responsável por até 23% dos AVCs de etiologia não elucidada (3,4). Desse modo, esses dispositivos podem auxiliar no diagnóstico precoce e no tratamento da FA, reduzindo o risco de suas consequências: AVC e IC (5).

A síncope é um sintoma de alerta devido à possibilidade de estar associada a risco de morte súbita cardíaca em pacientes com doenças elétricas cardíacas genéticas ou com cardiopatia estrutural, como aqueles com infarto do miocárdio prévio. Eventualmente, apesar de toda a avaliação clínica e laboratorial, seu diagnóstico permanece não elucidado. Nesse cenário, o monitor de eventos implantável pode auxiliar no diagnóstico e no tratamento (6). Trata-se de um dispositivo semelhante a um “pen drive”, implantado no tecido subcutâneo do paciente. Ele permite o diagnóstico automático de arritmias assintomáticas, assim como o registro eletrocardiográfico no momento de algum sintoma percebido pelo paciente. É eficaz no monitoramento de longa duração, porém exige um procedimento minimamente invasivo.

Dessa forma, avaliações clínicas periódicas são fundamentais na detecção e no tratamento das arritmias silenciosas. Felizmente, além dos recursos diagnósticos clássicos, dispomos, atualmente, de monitores de longa duração, permitindo o diagnóstico de arritmias paroxísticas e assintomáticas. Assim, podemos evitar suas consequências que, em algumas situações, causam lesões permanentes.

** Carlos Rassi é coordenador da Cardiologia do Sírio-Libanês, em Brasília

** José Mário Baggio Junior é cardiologista especialista em arritmias cardíacas e estimulação cardíaca artificial do Hospital Sírio-Libanês, em Brasília

Referências

1. Management of asymptomatic arrhythmias: a European Heart Rhythm Association (EHRA) consensus document, endorsed by the Heart Failure Association (HFA), Heart Rhythm Society (HRS), Asia Pacific Heart Rhythm Society (APHRS), Cardiac Arrhythmia Society of Southern Africa (CASSA), and Latin America Heart Rhythm Society (LAHRS). Europace (2019) 21, 844–845;

2. Rol de procedimentos ANS – RN 428, de 07/11/2017;

3. Cryptogenic Stroke and Underlying Atrial Fibrillation. N Engl J Med 370; 26. nejm.org. June 26, 2014. Os relógios com capacidade diagnóstica, especificamente o Apple Watch;

4. Diagnostic Accuracy of Apple Watch Electrocardiogram for Atrial Fibrillation. JACC: Advances Vol. 4, No. 2, 2025);

5. Diretriz Brasileira de Dispositivos Cardíacos Eletrônicos Implantáveis 2023; Arq Bras Cardiol. 2023; 120(1):e20220892;

6. Pacemaker Therapy in Patients With Neurally Mediated Syncope and Documented Asystole: Third International Study on Syncope of Uncertain Etiology (ISSUE-3). Circulation. Volume 125, Issue 21, 29 May 2012; Pages 2566-2571.

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