Saúde

Além do ronco: conheça os riscos da apneia do sono

Problema afeta milhões de pessoas e muitas vezes permanece sem diagnóstico ou tratamento adequado, alerta especialista

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Brazil Health
06/07/2026, 14:50 • Atualizado em 06/07/2026, 14:50
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Saiba quais são os riscos da apneia do sono | Freepik

Saiba quais são os riscos da apneia do sono | Freepik

A apneia obstrutiva do sono (AOS) representa uma das condições médicas mais prevalentes e subdiagnosticadas da atualidade. Estudos recentes estimam que aproximadamente 936 milhões de adultos entre 30 e 69 anos em todo o mundo apresentam essa condição, sendo que 425 milhões possuem formas moderadas a graves que requerem tratamento.

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No Brasil, dados do estudo Episono de 2026 revelam que mais de um terço da população paulistana (37,12%) apresenta AOS, atingindo 45% dos homens.

O que é a apneia obstrutiva do sono

A AOS resulta do colapso repetitivo das vias aéreas superiores durante o sono, causando interrupções na respiração que levam à redução dos níveis de oxigênio no sangue, fragmentação do sono e ativação excessiva do sistema nervoso simpático.

A obesidade constitui o principal fator de risco modificável, presente em 60% a 70% dos pacientes com AOS. O excesso de tecido adiposo na língua, faringe e região cervical estreita as vias aéreas, enquanto a gordura abdominal impede a expansão completa do tórax e dos pulmões. Estudos demonstram que um aumento de 10% no peso corporal está associado a um incremento de 32% no índice de apneia-hipopneia, e mais de 40% das pessoas com índice de massa corporal acima de 30 apresentam AOS.

Outros fatores de risco incluem sexo masculino, idade avançada, anormalidades craniofaciais, circunferência cervical aumentada, histórico familiar e condições endócrinas como hipotireoidismo e acromegalia. Em mulheres, a menopausa representa um período de risco aumentado, com prevalência 2,6 a 3,5 vezes maior em mulheres pós-menopáusicas, quando comparadas às pré-menopáusicas.

Por que a apneia não tratada é perigosa

A AOS não tratada desencadeia uma cascata de alterações fisiopatológicas que incluem hipoxemia intermitente, estresse oxidativo, inflamação sistêmica, disfunção endotelial vascular e desregulação metabólica. Essas alterações explicam por que a prevalência de AOS atinge 40% a 80% em pacientes com hipertensão arterial, insuficiência cardíaca, doença arterial coronariana, hipertensão pulmonar, fibrilação atrial e acidente vascular cerebral, além de contribuir para perda de produtividade, aumento de custos com saúde e acidentes de trânsito e de trabalho.

Diagnóstico e tratamento

Muitos pacientes não consideram a sonolência diurna um sintoma relevante para discutir com profissionais de saúde. A investigação médica por especialista em medicina do sono é fundamental para estabelecer o diagnóstico preciso por meio da polissonografia e determinar a estratégia terapêutica mais adequada para cada paciente.

Embora o diagnóstico seja médico, o sucesso terapêutico depende criticamente da adesão ao tratamento com pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP), considerado padrão-ouro para casos moderados a graves. Aproximadamente metade dos pacientes enfrenta dificuldades de adesão, e é nesse contexto que o fisioterapeuta especializado em distúrbios respiratórios desempenha um papel insubstituível.

O fisioterapeuta possui formação única em fisiologia respiratória, biomecânica torácica e padrões ventilatórios, permitindo conduzir a adaptação personalizada ao CPAP por meio da seleção criteriosa da interface (máscara), ajuste fino das pressões, identificação e resolução de problemas técnicos (vazamentos, desconforto), educação sobre o funcionamento do equipamento e implementação de estratégias comportamentais baseadas em evidências científicas.

Estudos demonstram que intervenções de suporte profissional aumentam o uso do CPAP em aproximadamente uma hora por noite e melhoram significativamente as taxas de adesão, definidas como uso superior a quatro horas por noite.

** Adriana Fanelli é fisioterapeuta respiratória/distúrbio do sono

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