Falar outro idioma pode retardar envelhecimento do cérebro
Estudo internacional indica que cérebros de multilíngues podem parecer até 13 anos mais jovens
Camila Stucaluc
06/07/2026, 08:00 • Atualizado em 06/07/2026, 08:00
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Falar outro idioma pode retardar envelhecimento do cérebro | Reprodução
Falar um segundo idioma pode retardar o envelhecimento do cérebro. É o que aponta um estudo divulgado no Fórum da Federação Europeia das Sociedades de Neurociência, nesta segunda-feira (6).
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A pesquisa foi baseada em estudos anteriores, que mostraram que, em países onde normalmente se fala mais de uma língua, as pessoas parecem envelhecer mais lentamente. Para comprovar os dados, foi analisado um grupo de 728 pessoas da região basca da Espanha, que falavam entre um e quatro idiomas, como espanhol, basco, francês e inglês.
O objetivo foi criar um “relógio do envelhecimento cerebral”. Os pesquisadores usaram uma técnica chamada magnetoencefalografia, que mede os campos magnéticos criados pela atividade elétrica do cérebro. Depois, utilizaram Inteligência Artificial para processar os resultados e calcular um nível normal de conectividade cerebral em qualquer idade.
Quando compararam a idade real das pessoas com a idade do cérebro, os cientistas descobriram que aqueles que falavam duas línguas tinham cérebros que pareciam cerca de seis anos mais jovens do que aqueles que falavam apenas um idioma. Para pessoas que falavam três idiomas, seus cérebros eram cerca de sete anos mais novos, e para aqueles que falavam quatro idiomas, seus cérebros eram cerca de 13 anos mais jovens.
"O efeito não estava relacionado apenas ao número de línguas faladas. Maior proficiência linguística e aquisição precoce de uma segunda língua também estiveram associadas a um envelhecimento cerebral mais tardio. Isso sugere que a experiência multilíngue importa como um gradiente: não se trata apenas de ser bilíngue ou não, mas da profundidade e duração da experiência linguística”, explicou a pesquisadora Lucia Amoruso.
No estudo, os cientistas levaram em conta fatores como idade, sexo e escolaridade das pessoas, mas alertam que não podem descartar a possível influência de outros fatores que possam impactar o cérebro, como estilo de vida e engajamento social.
"Sabemos que muitos fatores podem influenciar nossa saúde cerebral e habilidades mentais à medida que envelhecemos. Por exemplo, sabemos que não fumar, comer bem, se engajar social e artisticamente, além de ser ativo, pode ajudar. A forma como usamos nosso cérebro ao longo da vida também pode ter impacto, especialmente se praticarmos um aprendizado esforçado que ativa nosso cérebro”, disse a professora Christina Dalla.
Falar outro idioma pode retardar envelhecimento do cérebroEstudo internacional indica que cérebros de multilíngues podem parecer até 13 anos mais jovensSaúde2026-07-06T08:00:00.000ZFalar um segundo idioma pode retardar o envelhecimento do cérebro. É o que aponta um estudo divulgado no Fórum da Federação Europeia das Sociedades de Neurociência, nesta segunda-feira (6). A pesquisa foi baseada em estudos anteriores, que mostraram que, em países onde normalmente se fala mais de uma língua, as pessoas parecem envelhecer mais lentamente. Para comprovar os dados, foi analisado um grupo de 728 pessoas da região basca da Espanha, que falavam entre um e quatro idiomas, como espanhol, basco, francês e inglês. O objetivo foi criar um “relógio do envelhecimento cerebral”. Os pesquisadores usaram uma técnica chamada magnetoencefalografia, que mede os campos magnéticos criados pela atividade elétrica do cérebro. Depois, utilizaram Inteligência Artificial para processar os resultados e calcular um nível normal de conectividade cerebral em qualquer idade. Quando compararam a idade real das pessoas com a idade do cérebro, os cientistas descobriram que aqueles que falavam duas línguas tinham cérebros que pareciam cerca de seis anos mais jovens do que aqueles que falavam apenas um idioma. Para pessoas que falavam três idiomas, seus cérebros eram cerca de sete anos mais novos, e para aqueles que falavam quatro idiomas, seus cérebros eram cerca de 13 anos mais jovens. "O efeito não estava relacionado apenas ao número de línguas faladas. Maior proficiência linguística e aquisição precoce de uma segunda língua também estiveram associadas a um envelhecimento cerebral mais tardio. Isso sugere que a experiência multilíngue importa como um gradiente: não se trata apenas de ser bilíngue ou não, mas da profundidade e duração da experiência linguística”, explicou a pesquisadora Lucia Amoruso. No estudo, os cientistas levaram em conta fatores como idade, sexo e escolaridade das pessoas, mas alertam que não podem descartar a possível influência de outros fatores que possam impactar o cérebro, como estilo de vida e engajamento social. "Sabemos que muitos fatores podem influenciar nossa saúde cerebral e habilidades mentais à medida que envelhecemos. Por exemplo, sabemos que não fumar, comer bem, se engajar social e artisticamente, além de ser ativo, pode ajudar. A forma como usamos nosso cérebro ao longo da vida também pode ter impacto, especialmente se praticarmos um aprendizado esforçado que ativa nosso cérebro”, disse a professora Christina Dalla.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/saude/falar-outro-idioma-pode-retardar-envelhecimento-do-cerebro