Saúde

7 em cada 10 brasileiros não fazem check-up; veja as consequências

Exames preventivos identificam doenças silenciosas antes que virem emergência; saiba quando fazer e o que não pode faltar na sua avaliação

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7 em cada 10 brasileiros não fazem check-up; veja as consequências | Freepik

Você provavelmente já ouviu que deveria fazer check-up. E provavelmente ainda não fez. Não é coincidência: dados do IBGE mostram que 70,6% dos brasileiros não realizam exames preventivos regularmente. A maioria só procura um médico quando algo já está incomodando –e é exatamente aí que mora o problema.

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Muitas das doenças que mais matam no Brasil não avisam antes de chegar. Hipertensão, diabetes, colesterol alto, vários tipos de câncer –todas têm em comum o fato de serem silenciosas nos estágios iniciais. Quando os sintomas aparecem, a doença já está avançada. E tratar doença avançada é sempre mais difícil, mais caro e mais arriscado do que preveni-la.

O que o check-up pode evitar – em números reais

Os dados são contundentes. Cânceres de mama e colorretal detectados precocemente têm mais de 90% de chances de cura. O risco de infarto e AVC – as principais causas de morte no país –pode ser reduzido em até 80% com acompanhamento regular. Em 2024, mais de 330 mil mortes prematuras de brasileiros entre 30 e 69 anos poderiam ter sido evitadas, segundo o Datasus. São vidas que, com diagnóstico precoce, teriam tido outro desfecho.

Mesmo assim, quase 4 em cada 10 casos de câncer de mama no Brasil ainda são descobertos em estágio avançado. Não por falta de tratamento – por falta de rastreamento.

A partir de quando fazer check-up?

Não existe idade mínima para se preocupar com a saúde, mas existem recomendações claras para cada fase da vida. Adultos saudáveis entre 18 e 40 anos devem realizar pelo menos um check-up anual, com exames básicos de sangue: hemograma completo, glicemia, colesterol, triglicerídeos e avaliação de rins e fígado. São exames simples que rastreiam as condições mais comuns –e mais ignoradas.

A partir dos 35 anos, a atenção ao coração aumenta: pressão arterial e colesterol precisam de monitoramento mais cuidadoso. Depois dos 40, entra o eletrocardiograma e, para quem pratica ou quer iniciar atividade física intensa, o teste ergométrico. Para homens, a avaliação da próstata começa aos 45 anos em casos de risco aumentado, e aos 50 para os demais. Para mulheres, a mamografia e o Papanicolau fazem parte do protocolo desde os 40 e 25 anos, respectivamente.

Depois dos 50, o check-up se amplia: colonoscopia para rastrear câncer de intestino, densitometria óssea para avaliar risco de osteoporose e exames cardiovasculares mais completos entram na lista.

Check-up básico ou check-up completo?

Existe uma diferença importante entre o_s dois. O check-up básico cobre os exames de sangue essenciais e é suficiente para adultos jovens sem histórico de doenças na família. O check-up mais completo – indicado a partir dos 40 anos ou para quem tem fatores de risco –inclui exames de imagem, avaliação cardiológica detalhada e rastreamento de cânceres específicos.

Em ambos os casos, o ponto de partida é o mesmo: uma consulta com um médico clínico geral, que vai avaliar o histórico do paciente e indicar o que é realmente necessário. Check-up não é uma lista fixa de exames – é uma avaliação personalizada.

Por que as pessoas não fazem?

Os motivos mais citados são falta de tempo, medo de descobrir algo grave e a sensação de que "estou bem, não preciso". O último é o mais perigoso. Sentir-se saudável não significa estar saudável –significa apenas que o corpo ainda não sinalizou o problema externamente. A ausência de sintoma não é ausência de doença.

Cuidar da saúde de forma preventiva não é pessimismo. É a decisão mais racional que existe.

** Alfredo Salim Helito é médico clínico, membro do corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês e head nacional de Clínica Médica da Brazil Health

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