Saúde

Uso excessivo de celular pode aumentar risco de trombose, alerta vascular

Síndrome do sedentarismo digital prejudica a circulação sanguínea e favorece a formação de coágulos nas pernas; entenda

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Longos períodos no celular podem afetar a circulação e elevar o risco de trombose | Reprodução: Freepik

O celular já se tornou um item indispensável na rotina das pessoas — presente no trabalho, no lazer e até nos momentos de descanso. Apesar de parecer inofensivo, o uso contínuo do aparelho pode impactar diretamente a saúde vascular.

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De acordo com o doutor Caio Focássio, cirurgião vascular e membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, o uso prolongado de dispositivos móveis, especialmente quando associado ao sedentarismo, tem contribuído para o surgimento de um fenômeno cada vez mais comum: a chamada “síndrome do sedentarismo digital”.

“Passar horas sentado ou na mesma posição, usando o celular ou computador, reduz a circulação sanguínea nas pernas. Isso pode favorecer a estase venosa — quando o sangue ‘fica parado’ — aumentando o risco de formação de coágulos, como na trombose”, explica o especialista.

Os principais sintomas da trombose

A trombose venosa profunda (TVP) ocorre quando há formação de coágulos nas veias profundas, geralmente nas pernas. Em muitos casos, os sinais podem ser discretos ou até ignorados.

Entre os principais sintomas estão:

  • Inchaço em uma das pernas;
  • Dor ou sensação de peso;
  • Vermelhidão ou aumento da temperatura local.

Segundo Focássio, o estilo de vida moderno tem intensificado o aparecimento da doença. “Hoje vemos pessoas passando horas seguidas no celular — seja trabalhando, assistindo a vídeos ou navegando nas redes sociais — sem se levantar. É um comportamento semelhante ao de longas viagens, que já sabemos estar associado ao risco de trombose”, alerta.

Embora qualquer pessoa possa ser afetada, alguns grupos exigem atenção redobrada:

  • Pessoas que trabalham sentadas por longos períodos;
  • Usuários intensivos de celular e computador;
  • Indivíduos com histórico de varizes ou trombose;
  • Pessoas com sobrepeso ou sedentarismo;
  • Usuários de anticoncepcionais hormonais.

O impacto do “sedentarismo digital”

O sedentarismo é caracterizado pela falta ou insuficiência de atividade física regular, resultando em baixo gasto energético. Quando associado ao uso excessivo de tecnologias, passa a ser chamado de “sedentarismo digital”.

Diferentemente do sedentarismo clássico, esse comportamento tem uma característica marcante: ocorre de forma quase imperceptível. “A pessoa não percebe que ficou duas, três ou mais horas na mesma posição. O foco na tela faz com que o corpo fique em segundo plano — e isso compromete a circulação”, destaca o médico.

Além disso, posturas inadequadas — como manter as pernas dobradas por longos períodos ou usar o celular deitado — podem agravar a compressão dos vasos sanguíneos.

Como se proteger

Para reduzir os riscos, algumas mudanças simples de hábito podem fazer diferença:

  • Levantar-se ao menos a cada uma hora;
  • Movimentar os pés e as pernas regularmente;
  • Evitar longos períodos na mesma posição;
  • Manter boa hidratação;
  • Praticar atividade física regularmente;
  • Ajustar a postura durante o uso do celular.

Segundo Focássio, interromper períodos prolongados de imobilidade é uma das formas mais simples e eficazes de prevenir problemas circulatórios.

O especialista reforça que o celular, embora indispensável, deve ser usado com consciência. “O problema não é o aparelho em si, mas a forma como ele é utilizado. Quando nos mantém imóveis por muito tempo, pode se tornar um fator de risco importante para a saúde vascular”, conclui.

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