Política

Com baixa adesão de líderes e Lula presente, cúpula da Celac testa força da integração na América Latina e Caribe

Reunião acontece em Bogotá, neste sábado (21), em meio a crises domésticas e pressões externas; presidente brasileiro viaja para a Colômbia no fim do dia

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Presidente Lula (PT) | Divulgação/Ricardo Stuckert/PR
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O presidente Lula (PT) embarca na noite desta sexta-feira (20) para Bogotá, na Colômbia, onde participa da cúpula de líderes da Celac, a Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos. O encontro será amanhã (21).

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Esvaziada pela baixa presença de chefes de Estado e de governo, a reunião é vista pelo governo brasileiro como uma chance para desmontar narrativas de potências globais que querem fazer da América Latina e do Caribe uma zona de influência, ou uma espécie de quintal.

Criada formalmente em dezembro de 2011, durante a cúpula realizada em Caracas, a Celac é um bloco centrado no objetivo de promover a integração regional, diálogo político e cooperação dos países integrantes. Historicamente, o grupo tem se pautado por agendas próprias, com uma trajetória marcada pela condenação de intervenções contra a soberania dos países latinos e caribenhos.

Nesta semana, a secretária de América Latina e Caribe, embaixadora Gisele Padovan, listou os principais desafios da região. "Desenvolvimento econômico, combate à fome e à pobreza, mudança do clima, combate ao crime organizado, que é um grande tema da região, segurança alimentar e nutricional. Todos esses temas serão discutidos pela Celac", afirmou.

A cúpula deste sábado também vai marcar a passagem da presidência do grupo da Colômbia para o Uruguai.

Em um momento de grande polarização regional, marcado por pressões extrarregionais, a cúpula acontece no contexto em que o unilateralismo tem se popularizado no cenário geopolítico global. Por isso, na tentativa de fortalecer o diálogo da região com os países africanos também acontece, pela manhã, o I Fórum de Alto Nível Celac-África. O fórum será precedido por debates entre especialistas das duas regiões com discussões sobre temas como saúde, agricultura, energia e segurança.

Interlocutores do Palácio do Planalto e do Ministério das Relações Exteriores avaliam que a presença de Lula no encontro envia uma mensagem de resistência às recentes investidas de países como os Estados Unidos contra a região. A leitura é de que é preciso dialogar com as ameaças externas e reafirmar o interesse do Brasil na consolidação de espaços de articulação entre os países da América Latina e do Caribe.

Desde 2023, o presidente brasileiro participou de todos os eventos de alto nível da Celac. Em seu discurso desta vez, Lula deve reforçar a defesa da integração regional e condenar ameaças à soberania. Ao criticar interferências externas, pretende reiterar que os países caribenhos e latinhos compõem uma zona de paz e que a manutenção desse status depende de uma ação interna.

Nessa quinta-feira (19), durante agenda em São Paulo, o petista criticou o histórico de exploração na região por potências globais e defendeu uma "nova atitude conjunta" entre os países latino-americanos. Ele citou o enfraquecimento de organismos como a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) e a Celac.

"Uma Celac que está praticamente, sabe, deixando de existir, porque o crescimento da extrema direita está afugentando esses países de participar, porque nós não construímos mecanismos de manutenção", disse o presidente.

Crises na América Latina e Caribe

Ponto de preocupação para o governo brasileiro são fatos recentes indicando que a região tem emitido sinais claros de enfraquecimento. O Canal do Panamá, além de enfrentar secas históricas em razão das mudanças climáticas, é alvo constante de tensões com o presidente americano, Donald Trump, que tem ameaçado retomar o controle da hidrovia.

Em Cuba, as tensões com a Casa Branca também seguem escalando, com o aumento de sanções, colapso energético e sugestões de que a ilha pode ser tomada pelos americanos.

O agravamento da situação fez com que o Brasil enviasse, há cerca de 20 dias, a primeira remessa de ajuda humanitária à ilha. Uma segunda remessa, com alimentos e medicamentos, já está sendo preparada pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC).

Na Venezuela, a ação militar americana, no início de janeiro, culminou na captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Acusado pelos americanos de narcoterrorismo, Maduro está preso em Nova York, nos Estados Unidos, em meio às ambições de Washington de controlar as reservas de petróleo venezuelanas.

Alvo do tarifaço e de sanções como o cancelamento de vistos de autoridades, o Brasil também entrou na mira dos Estados Unidos por conta de facções criminosas como Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC). Setores do governo americano atuam para classificar esses grupos como organizações terroristas, movimento que ainda não se concretizou mas é visto com preocupação pelas autoridades brasileiras.

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