Em meio a cessar-fogo, Israel volta a pedir evacuação de moradores no sul do Líbano
Tropas de Tel Aviv atuam contra o Hezbollah, aliado do Irã; violação de trégua pode dificultar negociações diplomáticas


Camila Stucaluc
As Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) emitiram nesta quarta-feira (6) um alerta de evacuação para 12 bairros no sul do Líbano. O aviso ocorre em meio a preparação para novos ataques contra o Hezbollah, acusado por Tel Aviv de violar o acordo de cessar-fogo.
“Para garantir sua segurança, vocês devem evacuar suas casas imediatamente e se afastar das vilas e cidades por pelo menos 1000 metros para áreas abertas. Qualquer pessoa próxima a elementos do Hezbollah, suas instalações e meios de combate expõe sua vida ao perigo”, disse o porta-voz das IDF, Avichai Adraee.
Israel e Hezbollah voltaram a trocar hostilidades no início de março, encerrando o cessar-fogo firmado em novembro de 2024. Os ataques começaram após o grupo, apoiado pelo Irã, lançar drones contra Tel Aviv em retaliação à operação coordenada entre Israel e Estados Unidos em Teerã, iniciada em 28 de fevereiro.
A ofensiva israelenses mirou todo o Líbano, incluindo a capital, Beirute. Além dos ataques aéreos, os militares avançaram por terra, visando expandir a zona de segurança no sul do país. Dados do Ministério da Saúde local mostram que o conflito já deixou 2,7 mil mortos, incluindo brasileiros, além de 8,3 mil feridos.
No fim de abril, Israel e Líbano concordaram em prorrogar o cessar-fogo, inicialmente de 10 dias, por mais três semanas. O período de trégua visa incentivar as delegações a negociarem um acordo definitivo de paz, com foco no desarmamento do Hezbollah — entendimento essencial para destravar as negociações entre Estados Unidos e Irã.
A violação do acordo, no entanto, pode dificultar as negociações diplomáticas. Nesta semana, o líder do Hezbollah, Naim Qassem, afirmou que “não há cessar-fogo no Líbano, mas sim uma agressão israelense-americana em curso”. Israel, por sua vez, disse cogitar intensificar a ofensiva devido aos ataques do grupo, mesmo com os Estados Unidos pressionando pela diplomacia.









