Israel lamenta morte de brasileiros no Líbano e diz que alvo era o Hezbollah
Brasileiros haviam retornado à cidade de Bint Jbeil para buscar pertences quando a residência foi atingida por um mísseil israelense


Leandro Magalhães
O Exército de Israel lamentou, nesta terça-feira (28), a morte de brasileiros no sul do Líbano, em um ataque na região de Bint Jbeil, no último domingo (26) .
"A perda de vidas civis em qualquer conflito é profundamente lamentável e representa uma tragédia que não pode ser ignorada. É precisamente por isso que os fatos precisam ser compreendidos com clareza e responsabilidade".
A nota enviada ao SBT News também afirma que a região atingida tinha como alvo infraestruturas militares do Hezbollah e que houve aviso para a população deixar a reigião de Bint Jbeil.
"As operações conduzidas pelas FDI no último domingo (26), na região de Bint Jbeil, tiveram como alvos exclusivamente infraestruturas militares do Hezbollah — instalações utilizadas para armazenamento de armamentos e condução de atividades terroristas. As explosões secundárias registradas durante os ataques confirmam a presença de munições e materiais bélicos nesses locais. As operações visavam apenas alvos militares, e medidas concretas de mitigação de danos foram adotadas, incluindo alertas prévios de evacuação à população civil da área", complementou a nota.
Israel responsabiliza grupos terroristas pela morte de civis.
"O Hezbollah opera deliberadamente em meio à população civil, utilizando residências, edifícios e infraestrutura urbana como escudo para suas atividades militares. Essa estratégia — amplamente documentada e reconhecida internacionalmente — é a que expõe moradores e visitantes estrangeiros a riscos reais. A responsabilidade por esse cenário recai diretamente sobre o grupo terrorista".
A família de brasileiros morta no ataque do Exército de Israel, havia decidido retornar para casa por acreditar que o cessar-fogo garantiria segurança. Em entrevista ao SBT News, o brasileiro Mohamad Nader, de 18 anos, relatou o drama vivido pelos parentes.
Mohamad, que vive em Foz do Iguaçu, no Paraná, é sobrinho de Ghassan Nader, uma das vítimas. Ele conta que seu pai, irmão de Ghassan, havia insistido diversas vezes para que a família deixasse o Líbano e se mudasse para o Brasil, mas o tio resistia por patriotismo e esperança no fim do conflito.
"Meu pai falava para o meu tio: ‘Vem para o Brasil, aqui você fica estável e seguro com sua família em Foz’. Mas ele dizia: ‘Relaxa, a guerra já vai passar’. O povo libanês é muito patriota, eles põem na cabeça que o conflito vai acabar, mesmo sabendo que ele sempre volta”, destacou.
Segundo o relato de Mohamad, a família havia se refugiado em Beirute desde o início dos ataques, mas aproveitou o anúncio de cessar-fogo para buscar roupas e objetos de valor sentimental que haviam sido deixados para trás na pressa da fuga.
Eles planejavam passar apenas uma noite em Bint Jbeil. O ataque ocorreu no momento em que se preparavam para pegar a estrada de volta à capital.









