Nos EUA, Charles III defende Ucrânia e preservação da natureza em meio à tensão com Trump
Monarca enfatizou a aliança histórica da Otan e a urgência ambiental, contrastando com as recentes decisões da Casa Branca sobre a Ucrânia e o Acordo de Paris


Vicklin Moraes
O rei Charles III discursou nesta terça-feira (28) no Congresso dos Estados Unidos, em Washington, em um momento de tensão diplomática entre Londres e o governo Trump. O monarca está no país acompanhado da rainha Camilla, em uma visita de Estado de quatro dias.
Em seu pronunciamento, Charles III enfatizou a cooperação militar histórica e buscou blindar a importância da OTAN, alvo frequente de críticas de Trump, que questiona o financiamento da aliança. O rei relembrou a solidariedade mútua após os ataques de 11 de setembro como exemplo de união indissolúvel.
"Respondemos ao chamado juntos, como nossos povos têm feito por mais de um século, ombro a ombro, através de duas Guerras Mundiais, a Guerra Fria e o Afeganistão", afirmou o monarca.
O rei foi enfático ao ligar o passado ao presente conflito no Leste Europeu: "Hoje, essa mesma determinação inabalável é necessária para a defesa da Ucrânia e de seu povo mais corajoso. O compromisso dos Estados Unidos e de seus aliados está no coração da OTAN, mantendo norte-americanos e europeus seguros de nossos adversários comuns."
Ao abordar a segurança internacional, o monarca ressaltou a interdependência entre os países da aliança. “Nossos laços de defesa, inteligência e segurança são construídos ao longo de décadas e continuam essenciais para proteger nossos cidadãos de adversários comuns”, declarou.
Além da pauta geopolítica, Charles dedicou parte significativa do discurso à crise ambiental. Ele defendeu a preservação da natureza como um pilar estratégico para o futuro das nações.
“Ao olharmos para os próximos 250 anos, devemos reconhecer nossa responsabilidade compartilhada de proteger a natureza, nosso bem mais precioso”, afirmou.
O rei também alertou para os riscos do colapso de sistemas naturais e suas consequências para a economia e a segurança global. “Ignorar esses sistemas, a própria base da nossa prosperidade, é um risco que não podemos correr”, disse.
A fala ocorre em contraste com decisões recentes do governo Trump. Após retornar à Casa Branca, o presidente retirou os Estados Unidos do Acordo de Paris e, em fevereiro de 2026, classificou o dióxido de carbono como não prejudicial à saúde e ao meio ambiente, revertendo entendimentos científicos anteriores da Agência de Proteção Ambiental (EPA).
A visita do monarca acontece em um cenário de deterioração nas relações entre os dois países. Analistas britânicos classificam o momento como a pior crise diplomática entre Estados Unidos e Reino Unido em um século.
Trump tem feito críticas públicas ao primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, chegando a ironizar os porta-aviões do país e afirmar que o premiê “não é Winston Churchill”.
Outro ponto de atrito envolve a soberania das Ilhas Malvinas. Um e-mail vazado do Pentágono indicou que Washington pode rever seu apoio histórico ao Reino Unido no tema. O clima de tensão se agravou após um incidente no último sábado (25), quando um homem armado invadiu um jantar com a imprensa com a intenção de atacar o presidente americano.
Diante desse cenário, a visita de Charles é vista como uma tentativa de preservar a relação histórica entre os dois países em meio a um dos momentos mais delicados das últimas décadas.









