Cessar-fogo no Líbano “não é 100%”, diz embaixador de Israel
Danny Danon afirmou que o governo libanês não tem controle sobre militantes do Hezbollah


Camila Stucaluc
O embaixador de Israel na Organização das Nações Unidas (ONU), Danny Dano, afirmou que o cessar-fogo acordado com o Líbano “não é 100%”. Isso porque, segundo o diplomata, o governo libanês não tem controle sobre o Hezbollah, que atua no sul do país, o que pode resultar na violação da trégua.
"O Hezbollah está lançando foguetes tentando sabotar o cessar-fogo, e Israel – temos que revidar. Toda vez que vemos uma ameaça, tomamos uma atitude”, disse Dano, em entrevista à CNN. “Espero que as forças armadas libanesas sejam de fato capazes de implementar e fazer cumprir este cessar-fogo”, acrescentou.
Israel e Hezbollah voltaram a trocar hostilidades no início de março, encerrando o cessar-fogo firmado em novembro de 2024. Os ataques começaram após o grupo, apoiado pelo Irã, lançar drones contra Tel Aviv em retaliação à operação coordenada entre Israel e Estados Unidos em Teerã, iniciada em 28 de fevereiro.
Desde então, as tropas israelenses atuam em todo o Líbano, incluindo na capital, Beirute. Além dos ataques aéreos, os militares avançaram por terra, visando expandir a zona de segurança no sul do país. Ao todo, a ofensiva israelense já deixou 2,9 mil mortos, além de 7,5 mil feridos, segundo dados do Ministério da Saúde local.
A declaração do embaixador israelense ocorreu poucas horas após Israel e Líbano concordarem em prorrogar o cessar-fogo, inicialmente de 10 dias, por mais três semanas. O período de trégua visa incentivar as delegações a negociarem um acordo definitivo de paz, com foco no desarmamento do Hezbollah — entendimento essencial para destravar as negociações entre Estados Unidos e Irã.
Na quinta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que trabalhará com o Líbano para ajudar o país a “se proteger” do Hezbollah. “Temos que trabalhar com eles – quero dizer, temos uma boa relação com o Líbano. O incrível é que [o Líbano] tem uma relação meio boa com Israel, e eles não lidam uns com os outros. Mas agora eles vão lidar, estamos juntando eles”, disse o republicano.
O Hezbollah ainda não se pronunciou sobre a extensão do cessar-fogo. Em declarações anteriores, os militantes afirmaram que respeitariam o período de trégua, mas que manteriam “alerta máximo”, bem como o “dedo no gatilho”, caso Israel violasse o acordo. Nesta semana, ambas as partes se acusaram de quebrar a trégua, com novas trocas de hostilidades.









