Saúde

Burnout: Brasil tem recorde em afastamentos por saúde mental; saiba reconhecer sinais

Em 2025, país registrou 546 mil licenças trabalhistas por adoecimento psicológico, segundo dados do INSS e do Ministério da Previdência Social

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Número de casos de burnout crescem e exigem atenção aos sinais no trabalho | Reprodução/Freepik

O Brasil registrou, em 2025, um recorde histórico de afastamentos por saúde mental, com mais de 546 mil casos. Entre 2021 e 2024, os afastamentos especificamente por burnout — estado de exaustão extrema resultante de estresse crônico no trabalho — cresceram 493%, segundo dados do INSS e do Ministério da Previdência Social divulgados em janeiro.

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Reconhecer os sinais do burnout e diferenciá-los do cansaço do dia a dia nem sempre é simples.

De olho nos sinais de adoecimento

Segundo o médico psiquiatra Daniel Sócrates, doutor pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), os casos de burnout, ansiedade e esgotamento emocional muitas vezes são silenciosos e negligenciados no dia a dia. O problema não começa de forma abrupta, mas se instala aos poucos.

Antes do colapso, explica Sócrates, existem sintomas importantes que indicam que algo não vai bem, frequentemente confundidos com uma mera "fase difícil" ou "pressão do trabalho". Entre os físicos, estão cansaço constante, mesmo após o descanso; insônia ou sono não reparador; e dificuldade de concentração e lapsos de memória.

Já entre os sintomas psicológicos, estão irritabilidade e impaciência frequente; sensação de sobrecarga emocional; e irritabilidade e impaciência frequente. Outros sinais que indicam um processo de adoecimento incluem a queda na produtividade e a falta de motivação para tarefas simples.

"O corpo e a mente dão sinais, mas eles são frequentemente ignorados ou normalizados", afirma Sócrates, acrescentando que funcionários no limite prejudicam, inclusive, as próprias empresas. "O profissional exausto passa a decidir pior, reagir mais e escutar menos — e isso impacta diretamente a qualidade da liderança e das relações no trabalho."

O impacto da negligência nessa área já é mensurável. Estima-se uma perda anual de R$ 282 bilhões no Brasil, equivalente a 2,8% do PIB potencial, além da redução de 801 mil postos de trabalho e uma média de 51 dias de vida saudável perdidos por trabalhador ao ano, de acordo com levantamento da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) divulgado neste ano.

Em 2026, a Norma Reguladora nº 1 (NR-1) passou a incluir oficialmente os fatores psicossociais no ambiente de trabalho, tornando a saúde mental uma responsabilidade formal das empresas. A norma, que entrará em fiscalização ativa em 26 de maio de 2026, exige que empresas mapeiem e controlem fatores como estresse, assédio e burnout.

Estresse produtivo vs. exaustão

Sócrates faz uma diferenciação entre estresse produtivo (ou positivo) e exaustão. Segundo ele, o primeiro está ligado a momentos de desafio e adaptação e pode, inclusive, melhorar o foco, a energia e a capacidade de tomada de decisão. Já o segundo surge quando o estado deixa de ser episódico e passa a ser constante.

"Uma apresentação importante, um novo projeto ou uma meta desafiadora podem gerar esse tipo de ativação. É o corpo se preparando para performar melhor", afirma Sócrates, acrescentando que o organismo não foi feito para viver em alerta permanente. "Quando isso acontece, o estresse deixa de ser funcional e passa a ser tóxico."

A chave para evitar que o estresse ultrapasse o limite, de acordo com Sócrates, está em reconhecer os sinais precocemente e criar estratégias de proteção mental, como diferenciar urgência de excesso, estabelecer pausas e observar o corpo. Em caso de cansaço persistente, a orientação é reavaliar limites e procurar ajuda especializada.

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