Zema muda plano para Previdência após reação popular
Carlos da Costa afirma que candidato percebeu que debate sobre reforma ainda não está maduro e defende envolver sociedade na decisão
André Barbeiro , Raquel Landim , Ranier Bragon, Iander Porcella
Economista Carlos da Costa e candidato Romeu Zema | Reprodução
O coordenador do plano econômico de Romeu Zema (Novo), Carlos da Costa, afirmou em entrevista ao SBT News que o candidato recuou em propostas para a reforma da Previdência após perceber que a sociedade brasileira ainda não está madura para discutir mudanças no sistema.
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Segundo o coordenador, Zema costuma começar suas avaliações a partir de uma perspectiva técnica, mas leva em consideração a reação da população e pode alterar suas posições.
“Às vezes o governador Romeu Zema muda de opinião. Muda de opinião por quê? Porque ele primeiro tem uma visão mais técnica, ele sempre começa com uma visão técnica, e ele é sensível àquilo que a população fala”, afirmou.
Costa foi questionado sobre mudanças recentes no discurso de Zema a respeito da idade mínima para aposentadoria e do tempo de contribuição. O candidato já havia defendido alterações nesses parâmetros, mas passou a admitir que poderia esperar para avaliar se medidas como o aumento da formalização do emprego seriam capazes de melhorar as contas da Previdência.
De acordo com o coordenador, a estratégia agora é não promover uma nova mudança imediatamente. Em um eventual governo Zema, o primeiro passo seria criar um conselho tripartite, formado por representantes de trabalhadores, empregadores e governo, responsável por analisar os dados e propor ajustes no sistema.
“A gente vai primeiro fortalecer o ambiente institucional da Previdência criando este conselho e deixando os dados absolutamente transparentes, com simulações bem-feitas”, explicou.
Costa afirmou que Zema mudou sua posição porque identificou que o debate previdenciário ainda não chegou ao nível necessário para que mudanças mais profundas sejam implementadas.
“Ele percebeu que a discussão da Previdência não tá madura. E é verdade, não tá madura mesmo”, disse.
Na avaliação do economista, parte da população desconhece o impacto do déficit previdenciário sobre as contas públicas e não tem informações suficientes sobre os efeitos do envelhecimento da população no sistema.
“A sociedade não sabe que paga R$ 400 bilhões para o déficit da Previdência. Ela não sabe, por exemplo, qual vai ser o impacto do envelhecimento populacional daqui a 1, 2, 3, 5 anos”, afirmou.
Por isso, Costa defendeu que uma eventual reforma seja discutida de forma mais ampla antes da definição de parâmetros como idade mínima, tempo de contribuição e vinculação dos benefícios ao salário mínimo.
“O conselho é uma maneira de a população amadurecer e tomar uma escolha difícil”, declarou.
Crítica a Dario Durigan
Durante a entrevista, Costa também criticou o ministro da Fazenda, Dario Durigan, ao comentar a relação entre dívida pública e juros.
Segundo o coordenador de Zema, é equivocada a avaliação de que os juros são os responsáveis pelo problema da dívida. Para ele, a relação ocorre no sentido contrário: o desequilíbrio fiscal do governo pressiona as taxas.
“É um absurdo um ministro da Fazenda, como o Dario Durigan, dizer que a culpa é dos juros como se o governo não tivesse nada a ver com juros”, afirmou.
Costa argumentou que o governo federal tem responsabilidade sobre a pressão nos juros porque é responsável pelo déficit público e pela necessidade de financiamento.
“Quem faz esse déficit monstruoso é o governo. A causa do juro alto é o governo”, declarou.
Na sequência, o economista ironizou a explicação atribuída ao ministro.
“Então, o juro é o quê? É um ET? Agora o governo Dario Durigan inventou o ET dos juros”, afirmou.
Para Costa, a redução das taxas ocorreria como consequência da redução do déficit e da dívida pública, e não por uma decisão direta do governo de estabelecer uma meta para os juros.
Salário mínimo
A mudança de posição de Zema também foi discutida em relação ao salário mínimo. Segundo Costa, a proposta atual é garantir pelo menos a reposição da inflação.
Um aumento real continuaria sendo avaliado, mas dependeria dos efeitos sobre o mercado de trabalho, principalmente em regiões mais pobres.
“Pelo menos vai ser o reajuste pela inflação. E se couber, se não aumentar o desemprego, nós vamos continuar a política de valorização do salário mínimo”, disse.
O coordenador afirmou ainda que a prioridade da política econômica deveria ser aumentar a produtividade e criar empregos com salários maiores, reduzindo a quantidade de pessoas que dependem do salário mínimo.
Privatização de Petrobras e Banco do Brasil
A entrevista também detalhou a proposta de privatizações defendida por Zema. Costa afirmou que a campanha pretende vender empresas estatais que, na avaliação da equipe, não geram benefício líquido para a sociedade.
Entre as empresas citadas estão Petrobras e Banco do Brasil. Segundo o coordenador, parte dos recursos obtidos com as privatizações seria destinada à redução da dívida pública, enquanto outra parcela seria usada para ampliar investimentos em infraestrutura.
A equipe econômica estima arrecadar cerca de R$ 390 bilhões no primeiro ano com a venda de participações da União nas duas empresas.
No caso da Petrobras, Costa defendeu ainda a divisão da companhia em empresas menores para ampliar a concorrência e atrair investimentos privados em áreas como refino.
A proposta dependeria de aprovação do Congresso Nacional. Costa reconheceu a dificuldade política da medida, mas citou a privatização da Copasa, em Minas Gerais, durante a gestão de Zema, como exemplo de que seria possível avançar com a agenda.
Zema muda plano para Previdência após reação popularCarlos da Costa afirma que candidato percebeu que debate sobre reforma ainda não está maduro e defende envolver sociedade na decisãoPolítica2026-08-26T21:29:23.492ZO coordenador do plano econômico de Romeu Zema (Novo), Carlos da Costa, afirmou em entrevista ao SBT News que o candidato recuou em propostas para a reforma da Previdência após perceber que a sociedade brasileira ainda não está madura para discutir mudanças no sistema. 📲 Receba as principais notícias do Brasil e do mundo no seu WhatsApp! e siga o canal do SBT News. Segundo o coordenador, Zema costuma começar suas avaliações a partir de uma perspectiva técnica, mas leva em consideração a reação da população e pode alterar suas posições. “Às vezes o governador Romeu Zema muda de opinião. Muda de opinião por quê? Porque ele primeiro tem uma visão mais técnica, ele sempre começa com uma visão técnica, e ele é sensível àquilo que a população fala”, afirmou. Costa foi questionado sobre mudanças recentes no discurso de Zema a respeito da idade mínima para aposentadoria e do tempo de contribuição. O candidato já havia defendido alterações nesses parâmetros, mas passou a admitir que poderia esperar para avaliar se medidas como o aumento da formalização do emprego seriam capazes de melhorar as contas da Previdência. De acordo com o coordenador, a estratégia agora é não promover uma nova mudança imediatamente. Em um eventual governo Zema, o primeiro passo seria criar um conselho tripartite, formado por representantes de trabalhadores, empregadores e governo, responsável por analisar os dados e propor ajustes no sistema. “A gente vai primeiro fortalecer o ambiente institucional da Previdência criando este conselho e deixando os dados absolutamente transparentes, com simulações bem-feitas”, explicou. Costa afirmou que Zema mudou sua posição porque identificou que o debate previdenciário ainda não chegou ao nível necessário para que mudanças mais profundas sejam implementadas. “Ele percebeu que a discussão da Previdência não tá madura. E é verdade, não tá madura mesmo”, disse. Na avaliação do economista, parte da população desconhece o impacto do déficit previdenciário sobre as contas públicas e não tem informações suficientes sobre os efeitos do envelhecimento da população no sistema. “A sociedade não sabe que paga R$ 400 bilhões para o déficit da Previdência. Ela não sabe, por exemplo, qual vai ser o impacto do envelhecimento populacional daqui a 1, 2, 3, 5 anos”, afirmou. Por isso, Costa defendeu que uma eventual reforma seja discutida de forma mais ampla antes da definição de parâmetros como idade mínima, tempo de contribuição e vinculação dos benefícios ao salário mínimo. “O conselho é uma maneira de a população amadurecer e tomar uma escolha difícil”, declarou. Crítica a Dario Durigan Durante a entrevista, Costa também criticou o ministro da Fazenda, Dario Durigan, ao comentar a relação entre dívida pública e juros. Segundo o coordenador de Zema, é equivocada a avaliação de que os juros são os responsáveis pelo problema da dívida. Para ele, a relação ocorre no sentido contrário: o desequilíbrio fiscal do governo pressiona as taxas. “É um absurdo um ministro da Fazenda, como o Dario Durigan, dizer que a culpa é dos juros como se o governo não tivesse nada a ver com juros”, afirmou. Costa argumentou que o governo federal tem responsabilidade sobre a pressão nos juros porque é responsável pelo déficit público e pela necessidade de financiamento. “Quem faz esse déficit monstruoso é o governo. A causa do juro alto é o governo”, declarou. Na sequência, o economista ironizou a explicação atribuída ao ministro. “Então, o juro é o quê? É um ET? Agora o governo Dario Durigan inventou o ET dos juros”, afirmou. Para Costa, a redução das taxas ocorreria como consequência da redução do déficit e da dívida pública, e não por uma decisão direta do governo de estabelecer uma meta para os juros. Salário mínimo A mudança de posição de Zema também foi discutida em relação ao salário mínimo. Segundo Costa, a proposta atual é garantir pelo menos a reposição da inflação. Um aumento real continuaria sendo avaliado, mas dependeria dos efeitos sobre o mercado de trabalho, principalmente em regiões mais pobres. “Pelo menos vai ser o reajuste pela inflação. E se couber, se não aumentar o desemprego, nós vamos continuar a política de valorização do salário mínimo”, disse. O coordenador afirmou ainda que a prioridade da política econômica deveria ser aumentar a produtividade e criar empregos com salários maiores, reduzindo a quantidade de pessoas que dependem do salário mínimo. Privatização de Petrobras e Banco do Brasil A entrevista também detalhou a proposta de privatizações defendida por Zema. Costa afirmou que a campanha pretende vender empresas estatais que, na avaliação da equipe, não geram benefício líquido para a sociedade. Entre as empresas citadas estão Petrobras e Banco do Brasil. Segundo o coordenador, parte dos recursos obtidos com as privatizações seria destinada à redução da dívida pública, enquanto outra parcela seria usada para ampliar investimentos em infraestrutura. A equipe econômica estima arrecadar cerca de R$ 390 bilhões no primeiro ano com a venda de participações da União nas duas empresas. No caso da Petrobras, Costa defendeu ainda a divisão da companhia em empresas menores para ampliar a concorrência e atrair investimentos privados em áreas como refino. A proposta dependeria de aprovação do Congresso Nacional. Costa reconheceu a dificuldade política da medida, mas citou a privatização da Copasa, em Minas Gerais, durante a gestão de Zema, como exemplo de que seria possível avançar com a agenda.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/politica/zema-muda-plano-para-previdencia-apos-reacao-popular