Economia

Tesouro muda estratégia da dívida diante de juros altos

Órgão amplia espaço para títulos ligados à Selic e reduz limites de prefixados e papéis atrelados à inflação no plano de financiamento de 2026

Avatar de Caio Barcellos
Caio Barcellos
Tesouro Nacional

Tesouro Nacional

O Tesouro Nacional anunciou nesta quarta-feira (26) uma mudança na estratégia de financiamento da dívida pública para 2026 diante do cenário de juros elevados e maior volatilidade nos mercados. Na revisão do Plano Anual de Financiamento (PAF), o órgão ampliou o espaço para títulos remunerados por taxas flutuantes e reduziu os limites previstos para papéis prefixados e corrigidos pela inflação.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

A parcela atrelada à taxa básica de juros —a Selic— passou de 46% a 50% para um intervalo entre 49% e 53% do estoque da Dívida Pública Federal (DPF) ao fim do ano. Para os prefixados, a banda caiu de 21% a 25% para 20% a 24%, enquanto a faixa dos títulos vinculados a índices de preços, principalmente ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), foi reduzida de 23% a 27% para 21% a 25%.

Segundo o Tesouro, a alteração em relação ao estabelecido em janeiro reflete uma combinação de juros elevados com maior volatilidade, que tem aumentado a preferência dos investidores por instrumentos de menor duração e menos sensíveis às oscilações das taxas de juros.

“A demanda tem se concentrado em títulos indexados à taxa Selic, favorecendo sua emissão e contribuindo para a elevação de sua participação relativa no estoque da dívida”, afirmou o órgão em nota.

O órgão também atribuiu a revisão à persistência de incertezas nos mercados doméstico e internacional, inclusive aquelas relacionadas às tensões geopolíticas. Esse ambiente, segundo o Tesouro, mantém os prêmios de risco elevados e torna menos favorável a emissão de títulos prefixados e de prazos mais longos.

Mudança já aparece na dívida

A revisão do planejamento formaliza um movimento que já aparece na composição da dívida. Em julho, a participação dos títulos remunerados por taxas flutuantes passou de 49,32% para 51,11% da DPF, enquanto os prefixados recuaram de 21,04% para 19,22%. Os títulos vinculados a índices de preços aumentaram de 25,90% para 26,02%.

As emissões realizadas no mês também mostram a concentração nos papéis de taxa flutuante. Dos R$ 198,14 bilhões em títulos emitidos no mercado doméstico em julho, R$ 124,11 bilhões, ou 62,64%, tiveram remuneração flutuante. Outros R$ 66,73 bilhões foram emitidos em títulos prefixados e R$ 7,26 bilhões em papéis vinculados a índices de preços.

Estoque previsto é mantido

Apesar das mudanças na composição da dívida, o Tesouro manteve a projeção para o estoque da Dívida Pública Federal (DPF) ao fim de 2026 entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões. Também foram preservados os limites para a parcela da dívida com vencimento nos 12 meses seguintes, entre 18% e 22%, e para o prazo médio, entre 3,8 e 4,2 anos.

Ao fim de julho, a DPF estava em R$ 9,289 trilhões, alta de 0,22% em relação a junho. O prazo médio da dívida era de 4,05 anos, enquanto 18,91% do estoque tinha vencimento previsto para os 12 meses seguintes.

A faixa prevista para a parcela da dívida vinculada ao câmbio também permaneceu inalterada, entre 3% e 7% do estoque -em julho, essa participação estava em 3,65%.

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: Dívida pública sobe para R$ 9,29 trilhões em julho

Dívida pública sobe para R$ 9,29 trilhões em julho

Imagem da notícia: Conselho cobra explicações sobre caso de espancamento no Rio

Conselho cobra explicações sobre caso de espancamento no Rio

Imagem da notícia: Lula fecha acordo para votar 6x1, blusinhas e terras raras

Lula fecha acordo para votar 6x1, blusinhas e terras raras

Imagem da notícia: Real Madrid x Real Sociedad: onde assistir ao vivo e horário

Real Madrid x Real Sociedad: onde assistir ao vivo e horário

Imagem da notícia: Dívida pública sobe para R$ 9,29 trilhões em julho

Dívida pública sobe para R$ 9,29 trilhões em julho

Imagem da notícia: Conselho cobra explicações sobre caso de espancamento no Rio

Conselho cobra explicações sobre caso de espancamento no Rio

Imagem da notícia: Lula fecha acordo para votar 6x1, blusinhas e terras raras

Lula fecha acordo para votar 6x1, blusinhas e terras raras

Imagem da notícia: Real Madrid x Real Sociedad: onde assistir ao vivo e horário

Real Madrid x Real Sociedad: onde assistir ao vivo e horário

Últimas notícias

EUA dizem que hackers chineses invadiram sistemas do país

Afirmação foi feita pelo Departamento de Justiça, que estaria entre os órgãos federais visados pelos supostos ataques de Pequim

Nepal: Itamaraty diz não haver brasileiros entre vítimas

Inundações e deslizamentos deixaram ao menos 160 mortos na fronteira entre Nepal e Tibete, segundo autoridades locais

Ministério Público de SP denuncia 16 alvos da Carbono Oculto

Entre os denunciados está “Beto Louco”, considerado um dos principais nomes do esquema fraudulento de combustíveis que movimentou mais de R$ 50 bilhões em SP

VÍDEO: Lito chora ao falar do filho: "queria mais tempo"

Influenciador se emociona ao falar sobre a evolução da doença, a esperança em um possível milagre e a preocupação com o filho

Lula recebe Motta e Alcolumbre em almoço no Alvorada

Presidente quer discutir situação das pautas prioritárias para o governo, como as PECs do fim da escala 6x1 e da segurança pública

Zema diz que faltou a Lula “ralar” durante a vida

Candidato do Novo critica relação do governo com empresários e afirma que presidente “viu dinheiro de graça” por ter sido sindicalista