Política

Votação de Flávio pode refletir em ação de estatais; entenda

Se candidatura do PL tiver desempenho acima do esperado no 1º turno, Petrobras, Banco do Brasil e outros ativos podem reagir positivamente

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João Kepler
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) | Divulgação/Charles Vieira

Flávio Bolsonaro (PL-RJ) | Divulgação/Charles Vieira

O histórico de 2018 e 2022 mostra que resultados eleitorais interpretados pelo mercado como favoráveis a uma mudança na política econômica podem provocar fortes movimentos nas estatais já no primeiro pregão depois da votação. Em 2026, esse movimento começou antes mesmo das urnas.

Faltando poucos dias para o primeiro turno, marcado para 4 de outubro, uma expressão começa a ganhar ainda mais espaço no mercado financeiro, o chamado trade eleitoral.

E existe uma possibilidade concreta que merece atenção. Se Flávio Bolsonaro tiver no primeiro turno um desempenho acima do esperado pelas pesquisas, reduzir significativamente a diferença para Lula ou chegar ao segundo turno demonstrando maior competitividade, Petrobras, Banco do Brasil e outros ativos sensíveis ao cenário político podem reagir positivamente já no pregão seguinte.

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Não porque uma eventual vitória esteja definida. Um resultado de primeiro turno não determina o segundo. O que muda imediatamente é a expectativa dos investidores sobre os cenários possíveis para o próximo governo.

Foi exatamente esse mecanismo que apareceu em eleições anteriores.

Em 2018, Jair Bolsonaro recebeu 46,03% dos votos válidos no primeiro turno, contra 29,28% de Fernando Haddad. No pregão seguinte, o Ibovespa fechou em alta de 4,57% e diversas estatais registraram fortes valorizações. No caso do Banco do Brasil, o movimento já vinha acontecendo antes da votação. Uma pesquisa Datafolha divulgada poucos dias antes, mostrando Bolsonaro ampliando sua vantagem, foi acompanhada por alta de 9,1% das ações do banco; no pregão seguinte ao primeiro turno, BBAS3 avançou mais 9,7%.

Em 2022, o mercado voltou a reagir depois que candidatos de direita tiveram desempenho acima do indicado por parte das pesquisas, inclusive na composição do Congresso. Petrobras PN chegou a avançar 7,85% e Banco do Brasil abriu com valorização de 8,33%.

É justamente por isso que o primeiro turno de 2026 pode funcionar como um gatilho importante para o mercado. Se o resultado mostrar Flávio Bolsonaro mais competitivo do que o mercado já incorporou aos preços, investidores podem aumentar suas apostas em uma possível alternância de poder e reprecificar principalmente ativos considerados mais sensíveis à política econômica e à atuação do governo como controlador.

Esse comportamento já apareceu antes da eleição. Em 10 de setembro, o Ibovespa chegou a sair de uma queda de 0,55% para fechar em alta de 1,42% depois que uma pesquisa AtlasIntel/Bloomberg mostrou uma disputa mais equilibrada. Naquele levantamento, Flávio Bolsonaro aparecia numericamente à frente de Lula numa simulação de segundo turno, embora dentro da margem de erro. Analistas atribuíram parte importante da reação ao chamado trade eleitoral.

Mas existe uma condição importante. Para provocar uma nova alta relevante, o resultado precisa surpreender ou alterar as expectativas que já estão nos preços. Se Flávio Bolsonaro simplesmente confirmar aquilo que as pesquisas e o mercado já esperam, parte desse cenário pode já estar incorporada às cotações.

E há outro cuidado. Petrobras e Banco do Brasil não se movem apenas pela política. A Petrobras depende também do petróleo, câmbio, produção, investimentos e política de dividendos. No cenário atual, analistas apontam inclusive que o petróleo em patamares elevados sustenta a geração de caixa da companhia, ao mesmo tempo em que a proximidade das máximas históricas pode limitar a intensidade de uma eventual reprecificação eleitoral.

Por isso, um bom desempenho da oposição no primeiro turno pode, sim, provocar uma reação positiva nas estatais, como ocorreu em eleições anteriores. Mas a intensidade e a duração desse movimento dependerão da surpresa do resultado, da leitura sobre o segundo turno, da composição do Congresso e, depois, dos sinais concretos sobre política econômica, governança e atuação do governo nas empresas.

Esse é o ponto mais interessante do trade eleitoral. A Bolsa não espera saber quem será presidente para começar a negociar o próximo governo.

Pense nisso!

Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento.

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