Política

"Vamos comparar governos. Se povo quiser acreditar na mentira, é responsabilidade dele", diz Lula sobre eleições

Presidente afirmou em evento na Bahia que, se depender dele, "os fascistas nunca mais irão governar esse país"; depois, remendou: "De mim, não. De vocês"

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Felipe Moraes
02/04/2026, 15:47 • Atualizado em 02/04/2026, 18:19
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Presidente Lula (PT) | Divulgação/Ricardo Stuckert/PR

Presidente Lula (PT) | Divulgação/Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (2) que sua campanha à reeleição vai comparar feitos e entregas do atual governo com gestões passadas, "para que no dia que o povo tiver que decidir, ele decida com base na verdade". "Se quiser acreditar na mentira, é responsabilidade dele", falou o mandatário, acrescentando que "essa gente tem que saber que eles vão sofrer muito pra voltar ao governo". "Se depender de mim, os fascistas nunca mais irão governar esse país."

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Logo depois, remendou: "[Se depender] de mim, não. De vocês. Vamos todo mundo ficar esperto [sic]", completou. O presidente participou hoje de entregas do Novo PAC na área de mobilidade em Salvador. A cerimônia marcou a despedida do ministro Rui Costa da Casa Civil, dando lugar à secretária-executiva da pasta, Miriam Belchior.

Durante discurso, Lula só fez uma referência direta ao grupo político de Jair Bolsonaro (PL), que tem como pré-candidato presidencial o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho mais velho do ex-mandatário condenado e preso, atualmente em regime domiciliar, por tentativa de golpe de Estado.

"Outro dia, numa reunião com Magda [Chambriard, presidente da Petrobras], fiquei chateado porque aqui quase se destruiu a educação universitária. Se tirou muito dinheiro. Perguntei pros professores, 'quantas greves fizeram de protesto a Bolsonaro?'. Nenhuma. 'Quantas greves petroleiros fizeram?' Nenhuma. Porque sociedade tem medo de se manifestar quando tem governo truculento. É contra o governo truculento que a gente tem que se manifestar. Contra governo democrata, a gente pode sentar e conversar, você não precisa fazer greve", argumentou o petista.

No tema eleitoral, Lula explicou que não é necessário recorrer a ataques, bastando comparar gestões passadas com a atual. "Não precisa ninguém falar mal de ninguém. Compare", pediu, adiantando que "cada cabeça de alfinete a gente vai fazer comparação com outros governos".

Refinaria privatizada, guerra no Oriente Médio e Pix

Lula repetiu no discurso alguns assuntos tratados em entrevista no começo da manhã, à TV Record da Bahia. Reiterou que o governo federal trabalha para recomprar para a Petrobras a Refinaria de Mataripe, privatizada no governo Bolsonaro, e afirmou que anulará leilão de gás cozinha realizado pela Petrobras.

Ao mencionar o conflito no Oriente Médio entre Estados Unidos, Israel e Irã, o mandatário falou que "estamos numa briga séria contra o que está acontecendo no preço dos combustíveis". O petista afirmou que o governo "não vai deixar chegar" no bolso das pessoas reflexos do mercado internacional sobre preço de insumos como o gás de cozinha.

"Ninguém pediu pro Trump fazer guerra. Nós não vamos deixar que a guerra do Trump cause prejuízos ao povo brasileiro. Estamos fazendo tudo que depende do governo. Isentar impostos, dar subvenção. Estou ansioso para adquirir a distribuidora de gás outra vez. Ontem fizeram leilão contra nossa vontade, [contra a vontade] do governo e da presidente da Petrobras. Foi um diretor que nem sei quem é. Vamos anular o leilão", avisou.

Alertado de um tema pelo ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, Lula abordou, no fim do discurso, um relatório divulgado nesta semana pela Casa Branca sobre o Pix. O texto do governo Trump alega que a ferramenta de pagamentos instantâneos cria "desvantagem" na concorrência com grandes empresas de cartão de crédito.

"Os Estados Unidos fizeram relatório sobre Pix. Disse que o Pix distorce comércio internacional", comentou. "O que é importante a gente dizer pra quem quiser nos ouvir: o Pix é do Brasil. E ninguém, ninguém vai fazer a gente mudar o Pix, pelo serviço que ele está prestando à sociedade brasileira. O que nós poderemos fazer é aprimorar o Pix, para que cada vez mais possa atender às necessidades de mulheres e homens desse país."

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