"Vamos comparar governos. Se povo quiser acreditar na mentira, é responsabilidade dele", diz Lula sobre eleições
Presidente afirmou em evento na Bahia que, se depender dele, "os fascistas nunca mais irão governar esse país"; depois, remendou: "De mim, não. De vocês"

Felipe Moraes
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (2) que sua campanha à reeleição vai comparar feitos e entregas do atual governo com gestões passadas, "para que no dia que o povo tiver que decidir, ele decida com base na verdade". "Se quiser acreditar na mentira, é responsabilidade dele", falou o mandatário, acrescentando que "essa gente tem que saber que eles vão sofrer muito pra voltar ao governo". "Se depender de mim, os fascistas nunca mais irão governar esse país."
Logo depois, remendou: "[Se depender] de mim, não. De vocês. Vamos todo mundo ficar esperto [sic]", completou. O presidente participou hoje de entregas do Novo PAC na área de mobilidade em Salvador. A cerimônia marcou a despedida do ministro Rui Costa da Casa Civil, dando lugar à secretária-executiva da pasta, Miriam Belchior.
Durante discurso, Lula só fez uma referência direta ao grupo político de Jair Bolsonaro (PL), que tem como pré-candidato presidencial o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho mais velho do ex-mandatário condenado e preso, atualmente em regime domiciliar, por tentativa de golpe de Estado.
"Outro dia, numa reunião com Magda [Chambriard, presidente da Petrobras], fiquei chateado porque aqui quase se destruiu a educação universitária. Se tirou muito dinheiro. Perguntei pros professores, 'quantas greves fizeram de protesto a Bolsonaro?'. Nenhuma. 'Quantas greves petroleiros fizeram?' Nenhuma. Porque sociedade tem medo de se manifestar quando tem governo truculento. É contra o governo truculento que a gente tem que se manifestar. Contra governo democrata, a gente pode sentar e conversar, você não precisa fazer greve", argumentou o petista.
No tema eleitoral, Lula explicou que não é necessário recorrer a ataques, bastando comparar gestões passadas com a atual. "Não precisa ninguém falar mal de ninguém. Compare", pediu, adiantando que "cada cabeça de alfinete a gente vai fazer comparação com outros governos".
Refinaria privatizada, guerra no Oriente Médio e Pix
Lula repetiu no discurso alguns assuntos tratados em entrevista no começo da manhã, à TV Record da Bahia. Reiterou que o governo federal trabalha para recomprar para a Petrobras a Refinaria de Mataripe, privatizada no governo Bolsonaro, e afirmou que anulará leilão de gás cozinha realizado pela Petrobras.
Ao mencionar o conflito no Oriente Médio entre Estados Unidos, Israel e Irã, o mandatário falou que "estamos numa briga séria contra o que está acontecendo no preço dos combustíveis". O petista afirmou que o governo "não vai deixar chegar" no bolso das pessoas reflexos do mercado internacional sobre preço de insumos como o gás de cozinha.
"Ninguém pediu pro Trump fazer guerra. Nós não vamos deixar que a guerra do Trump cause prejuízos ao povo brasileiro. Estamos fazendo tudo que depende do governo. Isentar impostos, dar subvenção. Estou ansioso para adquirir a distribuidora de gás outra vez. Ontem fizeram leilão contra nossa vontade, [contra a vontade] do governo e da presidente da Petrobras. Foi um diretor que nem sei quem é. Vamos anular o leilão", avisou.
Alertado de um tema pelo ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, Lula abordou, no fim do discurso, um relatório divulgado nesta semana pela Casa Branca sobre o Pix. O texto do governo Trump alega que a ferramenta de pagamentos instantâneos cria "desvantagem" na concorrência com grandes empresas de cartão de crédito.
"Os Estados Unidos fizeram relatório sobre Pix. Disse que o Pix distorce comércio internacional", comentou. "O que é importante dizer pra quem quiser nos ouvir: o Pix é do Brasil. E ninguém, ninguém vai fazer a gente mudar o Pix, pelo serviço que ele está prestando à sociedade brasileira. O que nós poderemos fazer é aprimorar o Pix, para que cada vez mais possa atender às necessidades de mulheres e homens desse país."









