TSE julga hoje decisão de Marques que suspendeu pesquisa
Presidente da Corte Eleitoral acatou parcialmente pedido do PL, que alega que levantamento usou áudio de Flávio Bolsonaro a Vorcaro para prejudicar candidato


Ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) | Divulgação/Antonio Augusto/STF
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tem previsão de julgar nesta terça-feira (9), a partir das 19h, a decisão liminar do ministro presidente da corte, Kassio Nunes Marques, que suspendeu nessa segunda (8) uma pesquisa eleitoral do Instituto AtlasIntel.
O levantamento exibiu a entrevistados o áudio em que o senador e pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pede dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, pivô do caso Master, para financiar o filme "Dark Horse", que narra a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A pesquisa está registrada sob o número BR-06939/2026 e trata da disputa para o cargo de presidente da República nas eleições de 2026.
Em representação no TSE, o PL alegou que o formato do questionário induzia respostas prejudiciais ao pré-candidato. O argumento é de que a sequência de perguntas que misturavam temas de intenção de voto com a relação de Flávio e Vorcaro criaram efeitos de "priming, framing e ancoragem" que induziram uma propaganda negativa contra o senador.
Os termos citados estão ligados à psicologia comportamental. O priming se refere a um estímulo ou informação prévia que ativa crenças ou concepções que afetam interpretações posteriores. O framing, ou enquadramento, é ligado ao efeito em que a ordem de uma informação altera sua percepção, mesmo sem mudar seu conteúdo. Já a ancoragem é a tendência de usar a primeira informação recebida como referência para julgamentos e estimativas posteriores.
Nunes Marques acatou parcialmente pedido do PL e suspendeu "nova divulgação, impulsionamento, republicação ou manutenção da pesquisa" até que o TSE firme entendimento sobre o caso.
Na decisão, o presidente da Corte Eleitoral justificou que, a partir do formulário disponibilizado pela Atlas, verificou-se "a existência de sequência de perguntas que, ao menos em juízo de cognição sumária, aparentam extrapolar a simples aferição neutra da opinião pública para introduzir estímulos narrativos possivelmente aptos a influenciar as respostas subsequentes relativas à intenção de voto, à rejeição e à avaliação de imagem de pré-candidato mencionado na representação".
Em defesa do levantamento, o AtlasIntel disse que o áudio da conversa foi apresentado somente ao final da pesquisa, após a pergunta ser feita às pessoas entrevistadas sobre intenção de votos, e negou que a metodologia aplicada implicou em prejuízo a Flávio Bolsonaro.
Inicialmente, o instituto afirmara nessa segunda que não recorreria, confiante de que o colegiado de ministros do TSE poderia reverter a decisão monocrática de Nunes Marques. Depois, o diretor-executivo Andrei Roman esclareceu na rede social X (ex-Twitter) que respeitar a liminar não significa concordar com ela.
"Vamos recorrer sim. A nota para imprensa afirma que respeitamos a decisão. Isso é muito diferente de concordar com a decisão ou não recorrer dela. Vamos recorrer e confiamos no plenário do TSE para fazer uma justa aplicação da lei", disse.















