Atlas diz agora que recorrerá contra suspensão de pesquisa
Após nota em que falava respeito à decisão, diretor da AtlasIntel reiterou que vai contestar liminar que suspendeu levantamento com áudio de Flávio e Vorcaro


O diretor da AtlasIntel, Andrei Roman | Divulgação/Esfera Brasil
O diretor-executivo da AtlasIntel, Andrei Roman, afirmou nesta segunda-feira (8) que vai, sim, recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a suspensão de uma pesquisa do instituto que apresentava aos entrevistados um áudio no qual o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pede dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro. O pedido de suspensão foi feito pelo Partido Liberal, partido de Flávio, que vê tentativa de contaminar as respostas.
Em nota divulgada na tarde de hoje, AtlasIntel dizia que a empresa respeitaria a decisão e que confiava no colegiado TSE para reverter a liminar monocrática do presidente do TSE, ministro Kássio Nunes Marques. O comunicado reiterava que a metodologia aplicada não implicava em enviesamento ou prejuízo a Flávio, mas não deixava claro se a empresa iria entrar com recurso contra a decisão do tribunal.
“Vamos recorrer sim. A nota para imprensa afirma que respeitamos a decisão. Isso é muito diferente de concordar com a decisão ou não recorrer dela. Vamos recorrer e confiamos no plenário do TSE para fazer uma justa aplicação da lei”, disse Roman pelo X.
O julgamento da liminar está marcado para às 19h de terça-feira (9) no TSE. Além de Nunes Marques, a Corte Eleitoral é composta por outros 6 ministros.
A ação que motivou a decisão de Nunes Marques foi movida pelo próprio PL, que alegou que o formato do questionário induzia respostas prejudiciais ao pré-candidato à Presidência. O argumento é de que a sequência de perguntas que misturavam temas de intenção de voto com a relação de Flávio e Vorcaro criaram efeitos de “priming, framing e ancoragem" que induziram uma propaganda negativa contra o pré-candidato.
Os termos citados estão ligados à psicologia comportamental. O priming se refere a um estímulo ou informação prévia que ativa crenças ou concepções que afetam interpretações posteriores. O framing, ou enquadramento, é ligado ao efeito em que a ordem de uma informação altera sua percepção, mesmo sem mudar seu conteúdo. Já a ancoragem é a tendência de usar a primeira informação recebida como referência para julgamentos e estimativas posteriores.
Em resposta, a Atlas disse estar prestando esclarecimentos à Justiça Eleitoral acerca da metodologia usada na pesquisa. Em contraponto à reclamação do PL, a empresa reiterou que o áudio de Flávio com Vorcaro só foi reproduzido ao final do levantamento, depois que os usuários já haviam respondido sobre suas intenções de voto, e que não permitia o retorno às perguntas já registradas – foram 48 ao todo.
O questionário online começou a ser realizado em 13 de maio, mesmo dia em que o site Intercept Brasil mostrou que Flávio negociou repasses milionários com Vorcaro entre 2024 e 2025 para financiar o filme “Dark Horse", que retrata a trajetória de Jair Bolsonaro nas eleições de 2018 e tem previsão de lançamento para setembro.
Na pesquisa, o senador registrou queda nas intenções de voto na comparação com levantamentos anteriores. O levantamento da Atlas entrevistou 5.032 eleitores de 13 a 18 de maio e teve margem de erro de 1 ponto percentual. Foi protocolado no TSE com o código BR-06939/2026.
Liminar
Em sua decisão, Nunes Marques argumentou que, a partir do formulário disponibilizado pela Atlas, verificou-se "a existência de sequência de perguntas que, ao menos em juízo de cognição sumária, aparentam extrapolar a simples aferição neutra da opinião pública para introduzir estímulos narrativos possivelmente aptos a influenciar as respostas subsequentes relativas à intenção de voto, à rejeição e à avaliação de imagem de pré-candidato mencionado na representação".
"Ante o exposto, defiro parcialmente o pedido liminar para determinar à representada que se abstenha de promover nova divulgação, impulsionamento, republicação ou manutenção da pesquisa registrada em seus canais oficiais de comunicação, até ulterior deliberação deste Tribunal Superior", determinou o presidente do TSE.















