Atlas diz que não vai recorrer contra suspensão de pesquisa
Empresa afirma estar em colaboração com a Justiça Eleitoral para mostrar que reprodução de áudio entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro não influenciou resultados


Na imagem, logo da AtlasIntel | Divulgação/AtlasIntel
A AtlasIntel afirmou nesta segunda-feira (8) que decidiu não recorrer da decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que suspendeu a divulgação de uma pesquisa eleitoral, do mês de maio, na qual o instituto exibe um áudio do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o banqueiro Daniel Vorcaro.
A ação foi movida pelo Partido Liberal, que alegou que o formato do questionário induzia respostas prejudiciais ao pré-candidato à Presidência.
Em nota, a empresa disse estar prestando esclarecimentos à Justiça Eleitoral acerca da metodologia usada na pesquisa. A Atlas reitera que o áudio de Flávio com Vorcaro só foi reproduzido ao final do levantamento, depois que os usuários já haviam respondido sobre suas intenções de voto, e que não permitia o retorno às perguntas já registradas – foram 48 ao todo.
“Estamos tranquilos e confiantes de que a situação será devidamente esclarecida a partir da análise técnica dos fatos e da metodologia empregada e confiamos no colegiado do TSE para afirmar a robustez técnica e a legalidade do estudo", disse a Atlas.
O questionário online começou a ser realizado em 13 de maio, mesmo dia em que o site Intercept Brasil mostrou que Flávio negociou repasses milionários com Vorcaro entre 2024 e 2025 para financiar o filme “Dark Horse", que retrata a trajetória de Jair Bolsonaro nas eleições de 2018 e tem previsão de lançamento para setembro.
Na pesquisa, o senador registrou queda nas intenções de voto na comparação com levantamentos anteriores. O levantamento da Atlas entrevistou 5.032 eleitores de 13 a 18 de maio e teve margem de erro de 1 ponto percentual. Foi protocolado no TSE com o código BR-06939/2026.

Entenda
A pedido do PL, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, determinou que a pesquisa não pode ser divulgada até o caso ser levado a referendo na sessão colegiada do Tribunal. A decisão é liminar e será apreciada pela corte em julgamento com data ainda a ser definida.
A sigla argumentou que o questionário foi construído para induzir respostas que prejudicaram Flávio Bolsonaro, extrapolando o papel de verificação da opinião pública.
Em sua decisão, Nunes Marques argumentou que, a partir do formulário disponibilizado pela Atlas, verificou-se "a existência de sequência de perguntas que, ao menos em juízo de cognição sumária, aparentam extrapolar a simples aferição neutra da opinião pública para introduzir estímulos narrativos possivelmente aptos a influenciar as respostas subsequentes relativas à intenção de voto, à rejeição e à avaliação de imagem de pré-candidato mencionado na representação".
"Ante o exposto, defiro parcialmente o pedido liminar para determinar à representada que se abstenha de promover nova divulgação, impulsionamento, republicação ou manutenção da pesquisa registrada em seus canais oficiais de comunicação, até ulterior deliberação deste Tribunal Superior", determinou o presidente do TSE.















