TCU quer ampliar fiscalização sobre repasses de bets ao esporte
Corte prepara nova regra para monitorar o dinheiro e reforça que valores devem ser tratados como as loterias
Caio Barcellos
01/04/2026, 21:27 • Atualizado em 01/04/2026, 21:27
compartilhar
Site de apostas (bet) no Brasil | Agência Brasil
O Tribunal de Contas da União (TCU) quer ampliar o controle sobre os repasses das bets para o setor esportivo e passar a tratá-los como dinheiro público federal. A medida pode obrigar comitês e confederações a prestar contas mais detalhadas sobre o uso desses valores.
Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.
Em relatório aprovado nesta quarta-feira (1º), a Corte propõe criar um modelo de fiscalização contínua para monitorar os repasses ao setor esportivo. A mudança ocorre após a regulamentação das bets, que passou a direcionar parte da arrecadação para o financiamento de políticas públicas.
Hoje, esses recursos chegam a entidades como o Comitê Olímpico do Brasil (COB), o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) e o Comitê Brasileiro de Clubes (CBC), responsáveis por programas de formação de atletas, competições e desenvolvimento esportivo.
Para o TCU, esses valores devem ser considerados públicos porque as apostas são um serviço explorado sob autorização do Estado e parte da arrecadação tem destinação obrigatória definida em lei para políticas públicas.
Nesse entendimento, mesmo sendo repassado diretamente às entidades e sem passar pelo orçamento da União, o dinheiro mantém natureza pública e, por isso, deve ser submetido à fiscalização.
As entidades contestam essa interpretação e defendem que os valores têm natureza privada, já que não passam pelo orçamento da União.
A divergência abre uma disputa com potencial de judicialização e coloca em discussão o grau de autonomia das organizações esportivas.
Além de reforçar essa interpretação, o tribunal quer mudar a forma de acompanhamento dos gastos. Em vez de análises pontuais, a proposta é adotar um sistema contínuo, com envio periódico de dados e cruzamento automático de informações.
A área técnica do TCU identificou falhas no modelo atual, como dificuldade de padronização e acesso às informações. Para corrigir o problema, estão em estudo dois formatos:
SharePoint: As organizações esportivas devem subir os arquivos de dados a cada quatro meses diretamente em uma plataforma do TCU.
Dados Abertos (API): As entidades publicam os gastos em seus próprios sites em formato legível por máquina, permitindo que o Estado e a sociedade extraiam as informações automaticamente.
O avanço das bets é um dos principais motivos para a revisão das regras. A expectativa do tribunal é que a nova modalidade eleve significativamente o volume de recursos destinados ao esporte nos próximos anos.
Em 2024, antes da entrada plena das bets, os repasses de loterias ao setor somaram R$ 910 milhões. Cerca de 88% desse total ficaram concentrados em três entidades: COB, CPB e CBC.
Penalidades
O TCU também prevê sanções para casos de descumprimento. A omissão de dados pode levar à abertura de processos para apurar responsabilidades e exigir ressarcimento de prejuízos. Em situações mais graves, o tribunal pode determinar a suspensão de novos repasses até a regularização das contas.
Apesar das diretrizes, o modelo ainda não está fechado. O processo será incorporado a outra análise, em andamento na Corte, que deve consolidar as regras em uma nova instrução normativa.
TCU quer ampliar fiscalização sobre repasses de bets ao esporteCorte prepara nova regra para monitorar o dinheiro e reforça que valores devem ser tratados como as loteriasPolítica2026-04-01T21:27:05.688ZO Tribunal de Contas da União (TCU) quer ampliar o controle sobre os repasses das bets para o setor esportivo e passar a tratá-los como dinheiro público federal. A medida pode obrigar comitês e confederações a prestar contas mais detalhadas sobre o uso desses valores. Em relatório aprovado nesta quarta-feira (1º), a Corte propõe criar um modelo de fiscalização contínua para monitorar os repasses ao setor esportivo. A mudança ocorre após a , que passou a direcionar parte da arrecadação para o financiamento de políticas públicas. Hoje, esses recursos chegam a entidades como o Comitê Olímpico do Brasil (COB), o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) e o Comitê Brasileiro de Clubes (CBC), responsáveis por programas de formação de atletas, competições e desenvolvimento esportivo. Para o TCU, esses valores devem ser considerados públicos porque as apostas são um serviço explorado sob autorização do Estado e parte da arrecadação tem destinação obrigatória definida em lei para políticas públicas. Nesse entendimento, mesmo sendo repassado diretamente às entidades e sem passar pelo orçamento da União, o dinheiro mantém natureza pública e, por isso, deve ser submetido à fiscalização. Queda de braço As entidades contestam essa interpretação e defendem que os valores têm natureza privada, já que não passam pelo orçamento da União. A divergência abre uma disputa com potencial de judicialização e coloca em discussão o grau de autonomia das organizações esportivas. Além de reforçar essa interpretação, o tribunal quer mudar a forma de acompanhamento dos gastos. Em vez de análises pontuais, a proposta é adotar um sistema contínuo, com envio periódico de dados e cruzamento automático de informações. A área técnica do TCU identificou falhas no modelo atual, como dificuldade de padronização e acesso às informações. Para corrigir o problema, estão em estudo dois formatos: O avanço das bets é um dos principais motivos para a revisão das regras. A expectativa do tribunal é que a nova modalidade eleve significativamente o volume de recursos destinados ao esporte nos próximos anos. Em 2024, antes da entrada plena das bets, os repasses de loterias ao setor somaram R$ 910 milhões. Cerca de 88% desse total ficaram concentrados em três entidades: COB, CPB e CBC. Penalidades O TCU também prevê sanções para casos de descumprimento. A omissão de dados pode levar à abertura de processos para apurar responsabilidades e exigir ressarcimento de prejuízos. Em situações mais graves, o tribunal pode determinar a suspensão de novos repasses até a regularização das contas. Apesar das diretrizes, o modelo ainda não está fechado. O processo será incorporado a outra análise, em andamento na Corte, que deve consolidar as regras em uma nova instrução normativa.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/politica/tcu-quer-ampliar-fiscalizacao-sobre-repasses-de-bets-ao-esporte
NYT: Trump levou à Fifa acusações contra árbitro brasileiro
Em conversa com o presidente da entidade, chefe de Estado afirmou que o árbitro brasileiro Raphael Claus estaria envolvido em manipulação de resultados
Exército diz que não está com duas das 8 armas de Bolsonaro
Batalhão de Polícia de Brasília informou a Moraes que não encontrou armamentos para remessa à PF; ex-presidente havia dito que todas estavam com a Força