Flávio Bolsonaro não comenta sobre relação com Vorcaro em fala a prefeitos
Pré-candidato do PL atrelou nome ao mandato do pai e prometeu dar mais dinheiro a municípios mesmo com redução da carga tributária


Victor Schneider
O pré-candidato do PL a presidente, senador Flávio Bolsonaro (RJ), não falou nesta terça-feira (19) sobre a relação mantida com o banqueiro Daniel Vorcaro durante discurso na Marcha em Defesa dos Municípios, conferência que reúne anualmente prefeitos de todo o país em Brasília.
A campanha tem sido abalada pelas revelações do site Intercept Brasil sobre mensagens trocadas para viabilizar o financiamento do filme "Dark Horse", em homenagem a Jair Bolsonaro. Flávio também admitiu ter encontrado Vorcaro depois de sua prisão, mas disse que a razão do encontro foi para colocar um "ponto final" nos investimentos que totalizaram pelo menos R$ 61 milhões.
Apesar disso, Flávio foi recebido majoritariamente com aplausos no palco, com gritos isolados de repúdio vindos de prefeitos governistas. Ao longo do discurso, teceu paralelos entre o que foi o governo do pai com o que pretende fazer caso eleito.
"Ele não escolhia coloração partidária na hora de destinar para qual municípios os recursos do governo federal iriam. Independentemente de ser município governado pela esquerda, pela direita ou um partido de centro, um presidente da República responsável se preocupa com os cidadãos e não pode punir um brasileiro sequer pela preferência partidária de um prefeito", afirmou.
Flávio prometeu que fará uma revisão ampla de gastos públicos para cortar impostos e estabilizar a situação fiscal do país. Essa medida, segundo o senador, vai estimular uma queda na taxa básica de juros que permitirá ao governo ser mais atrativo para o capital estrangeiro, estimulando a criação de empregos e um ciclo de prosperidade no país, com aumento de repasses para as prefeituras.
O pré-candidato criticou o governo Lula (PT) em diferentes propostas de apelo popular, como o programa Desenrola 2.0. Flávio disse que a falta de estabilidade fiscal torna a programa de combate ao endividamento nula no médio prazo. "Vai ficar todo mundo enrolado de novo no ano que vem, não vai tirar ninguém do sufoco. Tem que ter um Desenrola sério", afirmou.
Sobre o fim da escala 6x1, Flávio reconheceu que a legislação trabalhista está atrasada e não é compatível com a modernização do mercado de trabalho. Ele defendeu, porém, que o ideal não é reduzir a jornada de 44h para 40h, mas flexibilizar o modelo para um regime de pagamento do salário mínimo por horas trabalhadas sem prejuízo a direitos como 13º salários, férias, FGTS e acesso ao INSS. O discurso também acenou ao eleitorado feminino ao falar sobre as dificuldades que mães enfrentam em deixar os filhos enquanto trabalham.
"Lá em 1943, na época da CLT, não tínhamos home office, trabalhos de aplicativo de entrega, não tinhamos nem internet, nem celulares. O mundo mudou, se modernizou. E nós no Brasil precisamos de uma legislação trabalhista moderna, que respeite a realidade de cada setor sem engessar e sem inviabilizar quem quer trabalhar", resumiu.
No fim do discurso, Flávio buscou transmitir que tem experiência na política e um propósito maior em querer ser presidente. Afirmou que tem mandato há 24 anos, com passagens pela Assembleia Legislativa do Rio (de 2003 a 2019) e agora pelo Senado, e que participou "direta ou indiretamente" de decisões tomadas no governo do pai.
"Sou empresário, sou advogado. Sou casado e pai de duas meninas maravilhosas. E tudo que eu quero na minha vida é oferecer um Brasil para as minhas filhas que seja também um Brasil próspero para os filhos e filhas de todos que estão aqui presentes", disse.
Caso eleito, o senador disse que vai "olhar para frente" e pacificar o país via anistia aos envolvidos no 8 de Janeiro. "A era do ódio vai acabar a partir de 2027, porque nós vamos fazer um governo olhando para frente, sem perseguições".
Flávio Bolsonaro encerrou a fala com o slogan que marcou o mandato do pai: "Brasil acima de tudo, Deus acima de todos".









