Aldo diz que não foi avisado de troca por Joaquim Barbosa e acusa presidente do Democracia Cristã
Ex-ministro afirma que João Caldas buscou nome ligado ao STF por preocupação com investigações sobre o Caso Master





Emanuelle Menezes
Roberta Russo
Cézar Feitoza
Ranier Bragon
O ex-ministro Aldo Rebelo afirmou nesta quarta-feira (20), em entrevista ao SBT News, que não foi avisado que seu nome foi trocado pelo de Joaquim Barbosa para concorrer ao cargo de presidente da República. Ele acusa o presidente do seu partido, o Democracia Cristã (DC), João Caldas, de ter feito a escolha por estar, segundo suas palavras, "preocupado com as investigações da Polícia Federal sobre o Banco Master".
"R$ 117 milhões de reais do fundo de previdência dos servidores municipais [de Maceió] foram parar na conta do Banco Master. O prefeito da capital era o filho do João Caldas, o presidente do Instituto de Previdência indicado por eles, e aí aparece nos dossiês que circulam por Brasília e em Alagoas a história dos negócios da família Caldas na prefeitura. O mais nebuloso é exatamente esse negócio com o Banco Master", afirmou.
O SBT News procurou João Caldas, presidente do DC, para obter posicionamento sobre as declarações feitas por Aldo Rebelo. Ele ainda não se manifestou.
Segundo Rebelo, o movimento dentro do partido ocorreu sem comunicação prévia à direção da legenda ou à própria pré-campanha dele, anunciada oficialmente pelo DC em janeiro.
"Ninguém no partido foi avisado de que haveria esse anúncio. O próprio ministro Joaquim Barbosa não se pronunciou sobre isso. Ninguém sabe onde ele se encontra", declarou.
O ex-ministro afirmou ainda que, nos bastidores políticos, circula a avaliação de que a aproximação do DC com Joaquim Barbosa teria relação com o fato de o ex-magistrado ter integrado o STF.
"Reza a lenda que essa é uma das explicações do presidente João Caldas procurar alguém que tenha alguma relação com o Supremo Tribunal Federal, já que o processo e a investigação estão lá no Supremo", disse.
Apesar das críticas, Rebelo afirmou que seguirá defendendo sua pré-candidatura ao Planalto pela legenda e disse acreditar que Barbosa não seguirá na corrida presidencial.
"Eu aposto o que precisar que o ex-ministro Joaquim Barbosa não vai levar essa candidatura adiante. O partido terá que se reunir em torno da minha candidatura", afirmou.
Na segunda-feira (18), ao confirmar Barbosa como pré-candidato, Caldas argumentou ao SBT News que a escolha pelo ex-magistrado estava ligada à "viabilidade política", medida por pesquisas. Sem detalhar números, ele afirmou que levantamentos indicaram baixa competitividade de Rebelo, que vinha em campanha há meses.
"Há oito meses ele faz campanha, faz palestras, foi para todos os meios de comunicação. E as pesquisas mostram claramente a inviabilidade política", defendeu.









