EUA indiciam ex-presidente cubano Raúl Castro
Acusação formal teria ligação com aviões abatidos por caças de Cuba em 1996



SBT News
Reuters
O ex-presidente cubano Raúl Castro, de 94 anos, foi indiciado nos Estados Unidos, disse um alto funcionário do governo Trump nesta quarta-feira (20), em uma medida que marca uma escalada na campanha de pressão de Washington contra o governo da ilha caribenha. O caso estaria relacionado a um episódio em que aviões civis operados por um grupo de exilados cubanos foram abatidos por caças de Cuba, em 1996 .
A acusação não foi detalhada, e surge num momento em que o presidente dos EUA, Donald Trump, pressiona por uma mudança de regime em Cuba, onde os aliados de Castro estão no poder desde que seu falecido irmão, Fidel Castro, liderou uma revolução em 1959.
Este caso representa o exemplo mais recente do Departamento de Justiça de Trump utilizando processos criminais para atingir seus adversários políticos, tanto no país quanto no exterior. Historicamente, indiciamentos de líderes estrangeiros pelos EUA são raros.
Os EUA impuseram efetivamente um bloqueio a Cuba, ameaçando com sanções os países que lhe fornecem combustível, provocando cortes de energia e agravando a pior crise em décadas.
Castro, de 94 anos, foi ministro da Defesa de Cuba antes de assumir a presidência em 2008, após seu irmão adoecer. Fidel morreu em 2016.
Raúl Castro deixou a presidência em 2018, mas continua sendo uma figura poderosa na política cubana.
Havana não comentou diretamente a ameaça de indiciamento, embora o Ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez, tenha expressado desafio em declarações públicas no dia 15 de maio.
"Apesar do embargo (dos EUA), das sanções e das ameaças de uso da força, Cuba continua em um caminho de soberania rumo ao seu desenvolvimento socialista", disse Rodríguez.
Ditador apoiado por EUA
Nascido em 1931, Raúl Castro foi uma figura fundamental, ao lado de seu irmão mais velho, na guerra de guerrilha que derrubou o ditador Fulgencio Batista, apoiado pelos Estados Unidos. Ele ajudou a derrotar a invasão da Baía dos Porcos, organizada pelos EUA, em 1961.
A abertura de um processo criminal contra um adversário dos EUA como Castro lembra a acusação anterior de tráfico de drogas contra o ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, um aliado de Havana, que está preso.
O governo Trump citou essa acusação como justificativa para a operação militar americana em Caracas, em 3 de janeiro, na qual Maduro foi capturado e levado a Nova York para responder às acusações. Ele se declarou inocente.
Trump afirma que o governo comunista de Cuba é corrupto e, em março, ameaçou que Cuba "será a próxima", depois da Venezuela.
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, afirmou na segunda-feira (18) que qualquer ação militar dos EUA contra Cuba levaria a um "banho de sangue" e que a ilha não representa uma ameaça.










