Ibovespa fecha em queda de 1,52% e apaga metade dos ganhos no ano
Dólar à vista avançou 0,85%, encerrou o dia cotado a R$ 5,041, depois de variar entre R$ 5,009 e R$ 5,058


Exame.com
O Ibovespa fechou em forte queda nesta terça-feira(19) pressionado pela aversão ao risco no exterior, pelo avanço dos rendimentos dos Treasuries e pela piora do cenário político-eleitoral doméstico. O principal índice da bolsa brasileira recuou 1,52%, aos 174.278,86 pontos, após oscilar entre 173.543,76 e 176.973,24 pontos. O volume financeiro somou R$ 26 bilhões.
Já o dólar à vista avançou 0,85%, encerrando o dia cotado a R$ 5,041, depois de variar entre R$ 5,009 e R$ 5,058.
A bolsa brasileira abriu as negociações em forte queda, chegou a desacelerar as perdas. mas voltou a amplia-las na reta final do pregão, acompanhando o movimento negativo das bolsas de Nova York e o aumento da cautela dos investidores com o cenário eleitoral brasileiro.
O mercado repercutiu uma nova pesquisa AtlasIntel, divulgada nesta terça, que mostrou piora nas intenções de voto do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), após a revelação de sua ligação com o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
O levantamento mostrou que 51,7% veem Flávio Bolsonaro envolvido diretamente com o escândalo do banco envolvendo Daniel Vorcaro. Com isso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu vantagem na disputa eleitoral, revertendo o cenário do último levantamento.
Lula aparece com 48,9% das intenções de voto agora, ante 47,5% em abril. Enquanto o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, acumula 41,8%, uma queda de seis pontos percentuais em quase um mês, ante 47,8%. Já as intenções indecisas ou com intenção de anular ou votar em branco foram de 4,7% para 9,3% no período.
Ibovespa apaga metade dos ganhos no ano
Entre as blue chips, os bancos lideraram as perdas. Itaú Unibanco (ITUB4) recuou 2,12%, BTG Pactual (BPAC11) caiu 2,05%, Bradesco (BBDC4) perdeu 1,53%, Banco do Brasil (BBAS3) cedeu 0,93% e Santander Brasil (SANB11) caiu 0,37%.
As ações da Vale (VALE3) acompanharam a queda do minério de ferro e recuaram 0,99%. Já Petrobras (PETR4) caiu 0,75%, enquanto Petrobras (PETR3) perdeu 0,23%, em linha com o recuo do petróleo no mercado internacional.
Entre as maiores baixas do dia estiveram Cosan (CSAN3), que tombou 6,35%, B3 (B3SA3), com queda de 4,96% após confirmar Christian Egan como sucessor de Gilson Finkelsztain no comando da companhia, e C&A (CEAB3), que caiu 4,70%.
Do lado positivo, apenas quatro ações do Ibovespa fecharam em alta: Usiminas (USIM5) subiu 1,11%, Prio (PRIO3) avançou 0,73%, TIM (TIMS3) ganhou 0,63% e Smart Fit (SMFT3) teve leve alta de 0,11%.
Diante dessas perdas, o Ibovespa apagou metade dos ganhos do ano. A referência acionária encerrou o mês de abril com valorização de 16,26% no ano. Mas agora acumula alta de 8,16%.
Bolsas de NY fecham em queda
No exterior, as bolsas de Nova York fecharam em queda, pressionadas pela disparada dos juros dos títulos públicos americanos. O rendimento do Treasury de 30 anos atingiu o maior nível desde 2007, refletindo preocupações do mercado com inflação e deterioração fiscal em meio à guerra no Irã.
O Dow Jones caiu 0,65%, aos 49.363,88 pontos. O S&P 500 recuou 0,67%, aos 7.353,61 pontos, enquanto o Nasdaq perdeu 0,84%, aos 25.870,71 pontos.
No mercado de commodities, o petróleo devolveu parte dos ganhos recentes após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que adiou um ataque militar planejado contra o Irã. O movimento reduziu momentaneamente os temores de uma escalada imediata do conflito no Oriente Médio e de novas interrupções na oferta global da commodity.
Apesar disso, analistas seguem avaliando que o mercado ainda embute um prêmio elevado de risco geopolítico, especialmente diante das incertezas envolvendo o Estreito de Ormuz e os impactos da guerra sobre a oferta global de petróleo.









