STF e big techs: É importante preservar espaço para críticas
Ao SBT News, o professor de Direito, Carlos Affonso, avaliou decretos de Lula e defendeu a preservação do ambiente saudável para debates nas redes sociais
Antonio Souza, SBT News
O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma nesta quarta-feira (11) o julgamento que discute a responsabilidade das plataformas digitais, conhecidas como big techs, por conteúdos publicados por usuários.
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O julgamento dará continuidade à decisão tomada pelo STF em 2025, quando a Corte redefiniu, por maioria, a interpretação do artigo 19 do Marco Civil da Internet e passou a permitir a responsabilização de plataformas digitais por conteúdos ilegais publicados por terceiros, mesmo sem ordem judicial prévia.
Ao SBT News, o professor de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Carlos Affonso Souza, avaliou alguns pontos dos decretos.
Um deles está a previsão de que empresas da internet monitorem conteúdos potencialmente criminosos e informem as autoridades competentes. Segundo o especialista, a medida pode representar uma inovação não prevista em lei federal.
“É claro que as empresas podem se enganar nesse monitoramento. Então, teremos um enorme fluxo de dados circulando. E aqui existe uma questão importante: o decreto inova sobre uma lei federal. Vale lembrar que um decreto precisa estar amparado por uma lei federal, não podendo ir além dela. Esse dever de monitoramento e de comunicação às autoridades, de forma generalizada, não existe atualmente em nenhuma lei federal", destacou Carlos.
Outro ponto citado é a possibilidade de atuação da Advocacia-Geral da União (AGU) em casos relacionados a conteúdos considerados falsos ou enganosos sobre políticas públicas.
A oposição argumenta que os decretos podem abrir espaço para restrições indevidas à liberdade de expressão.
Para Carlos Affonso Souza, esse é um dos pontos mais delicados da proposta, já que as redes sociais devem permanecer como espaços de debate, crítica e pluralidade de opiniões em uma democracia.
“É importante lembrar que este, como qualquer outro governo, não estará sempre certo. Ter espaço para críticas e para a oposição às políticas públicas faz parte de um ambiente saudável, democrático e de proteção à liberdade de expressão. Nesse ponto, me parece que existe uma questão delicada em relação ao decreto”, avaliou.
Sistema de responsabilização pode gerar abusos, avalia especialista
Antes da decisão do STF, o Marco Civil da Internet estabelecia que as plataformas só poderiam ser responsabilizadas por conteúdos de terceiros após descumprirem uma ordem judicial de remoção.
Com a nova interpretação da Corte, as empresas passam a ter uma obrigação mais ampla de agir após receber notificações sobre conteúdos potencialmente ilícitos.
Na prática, usuários poderão comunicar diretamente às plataformas a existência de conteúdos considerados criminosos ou danosos. Se as empresas não adotarem providências, poderão ser responsabilizadas judicialmente.
“Existe uma preocupação legítima de que esse sistema permita a remoção mais rápida de conteúdos realmente danosos. Mas também há o risco de abuso. Um concorrente, por exemplo, pode tentar tirar do ar o conteúdo de outra pessoa alegando algum crime ou dano. A plataforma acaba se tornando a árbitra desse conflito e, para evitar responsabilização, pode optar por remover o conteúdo”, afirmou Carlos Affonso Souza.
Entenda o julgamento
O que está em julgamento no STF é a constitucionalidade do artigo 19 do Marco Civil da Internet, que estabelece os diretos e deveres para o uso da internet no Brasil. Esse dispositivo prevê que, para garantir a liberdade de expressão e impedir a censura, as plataformas só podem ser responsabilizadas por conteúdos publicados pelos usuários caso se recusem a cumprir decisões da Justiça.
Os 11 ministros do STF julgam dois recursos, um do Facebook e outro do Google, que discutem a responsabilização das plataformas por publicações feitas por terceiros nas redes sociais. O julgamento também analisa se conteúdos podem ser removidos sem necessidade de ordem judicial.
Ao final do julgamento, a expectativa é que haja mudanças no atual formato de responsabilização das plataformas, suprindo parte do que estava sendo discutido no Projeto de Lei das Fake News, que não avançou no Congresso Nacional.
STF e big techs: É importante preservar espaço para críticasAo SBT News, o professor de Direito, Carlos Affonso, avaliou decretos de Lula e defendeu a preservação do ambiente saudável para debates nas redes sociaisPolítica2026-06-09T03:59:53.077ZO Supremo Tribunal Federal (STF) retoma nesta quarta-feira (11) o julgamento que discute a responsabilidade das plataformas digitais, conhecidas como big techs, por conteúdos publicados por usuários. O julgamento dará continuidade à por maioria, a interpretação do artigo 19 do Marco Civil da Internet e passou a permitir a responsabilização de plataformas digitais por conteúdos ilegais publicados por terceiros, mesmo sem ordem judicial prévia. + A análise ocorre em meio à repercussão de sobre o tema e a críticas da oposição, que vê risco de censura nas novas regras. Ao SBT News, o professor de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Carlos Affonso Souza, avaliou alguns pontos dos decretos. Um deles está a previsão de que empresas da internet monitorem conteúdos potencialmente criminosos e informem as autoridades competentes. Segundo o especialista, a medida pode representar uma inovação não prevista em lei federal. “É claro que as empresas podem se enganar nesse monitoramento. Então, teremos um enorme fluxo de dados circulando. E aqui existe uma questão importante: o decreto inova sobre uma lei federal. Vale lembrar que um decreto precisa estar amparado por uma lei federal, não podendo ir além dela. Esse dever de monitoramento e de comunicação às autoridades, de forma generalizada, não existe atualmente em nenhuma lei federal", destacou Carlos. Outro ponto citado é a possibilidade de atuação da Advocacia-Geral da União (AGU) em casos relacionados a conteúdos considerados falsos ou enganosos sobre políticas públicas. A oposição argumenta que os decretos podem abrir espaço para restrições indevidas à liberdade de expressão. Para Carlos Affonso Souza, esse é um dos pontos mais delicados da proposta, já que as redes sociais devem permanecer como espaços de debate, crítica e pluralidade de opiniões em uma democracia. “É importante lembrar que este, como qualquer outro governo, não estará sempre certo. Ter espaço para críticas e para a oposição às políticas públicas faz parte de um ambiente saudável, democrático e de proteção à liberdade de expressão. Nesse ponto, me parece que existe uma questão delicada em relação ao decreto”, avaliou. Sistema de responsabilização pode gerar abusos, avalia especialista Antes da decisão do STF, o Marco Civil da Internet estabelecia que as plataformas só poderiam ser responsabilizadas por conteúdos de terceiros após descumprirem uma ordem judicial de remoção. Com a nova interpretação da Corte, as empresas passam a ter uma obrigação mais ampla de agir após receber notificações sobre conteúdos potencialmente ilícitos. Na prática, usuários poderão comunicar diretamente às plataformas a existência de conteúdos considerados criminosos ou danosos. Se as empresas não adotarem providências, poderão ser responsabilizadas judicialmente. “Existe uma preocupação legítima de que esse sistema permita a remoção mais rápida de conteúdos realmente danosos. Mas também há o risco de abuso. Um concorrente, por exemplo, pode tentar tirar do ar o conteúdo de outra pessoa alegando algum crime ou dano. A plataforma acaba se tornando a árbitra desse conflito e, para evitar responsabilização, pode optar por remover o conteúdo”, afirmou Carlos Affonso Souza. Entenda o julgamento O que está em julgamento no STF é a constitucionalidade do artigo 19 do Marco Civil da Internet, que estabelece os diretos e deveres para o uso da internet no Brasil. Esse dispositivo prevê que, para garantir a liberdade de expressão e impedir a censura, as plataformas só podem ser responsabilizadas por conteúdos publicados pelos usuários caso se recusem a cumprir decisões da Justiça. Os 11 ministros do STF julgam dois recursos, um do Facebook e outro do Google, que discutem a responsabilização das plataformas por publicações feitas por terceiros nas redes sociais. O julgamento também analisa se conteúdos podem ser removidos sem necessidade de ordem judicial. Ao final do julgamento, a expectativa é que haja mudanças no atual formato de responsabilização das plataformas, suprindo parte do que estava sendo discutido no Projeto de Lei das Fake News, que não avançou no Congresso Nacional. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/politica/stf-e-big-techs-e-importante-preservar-espaco-para-criticas
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