Secretário de Inspeção do Trabalho é demitido após incluir BYD em “lista suja” de trabalho escravo
Liminar da Justiça do Trabalho retirou a montadora chinesa da lista 2 dias depois da decisão de Luiz Felipe Brandão de Mello

Ighor Nóbrega
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta segunda-feira (13) a demissão do secretário de Inspeção do Trabalho, Luiz Felipe Brandão de Mello, dias após a justiça derrubar a decisão de incluir a montadora chinesa BYD na “lista suja” de empresas ligadas ao trabalho escravo. A exoneração foi publicada no Diário Oficial da União.
Brandão de Mello, subordinado ao Ministério do Trabalho, mandou inseriu a BYD na última atualização da lista na semana passada, que também incluiu o cantor Amado Batista. A gigante do mercado de carros elétricos conseguiu uma liminar da Justiça do Trabalho para a retirada da relação.
A "Lista Suja", publicada semestralmente pela pasta, foi atualizada no dia 6; antes da liminar para a BYD, a tabela incluía 613 empregadores. A inclusão no cadastro só ocorre após a conclusão de processos administrativos, nos quais são assegurados aos autuados o contraditório e a ampla defesa. Os nomes permanecem publicados por dois anos.
A inclusão da BYD ocorreu após o resgate de 220 trabalhadores chineses encontrados em situação análoga à escravidão e vítimas de tráfico internacional de pessoas nas obras da planta onde a montadora de automóveis instalou uma fábrica no município de Camaçari, na região metropolitana de Salvador (BA), em dezembro de 2024.
De acordo com o Ministério Público do Trabalho (MPT), os trabalhadores eram terceirizados pelas empreiteiras China JinJiang Construction Brazil Ltda. e Tonghe Equipamentos Inteligentes do Brasil Co. (atual Tecmonta Equipamentos Inteligentes Brasil Co. Ltda.), que prestavam serviços exclusivos para a BYD.
Na época, a equipe do órgão constatou que os operários dormiam em camas sem colchão e tinham apenas um banheiro para cada 30 pessoas, além de terem os passaportes retidos pelas empreiteiras, que confiscavam cerca de 60% dos salários mensais, sendo que os outros 40% eram pagos em moeda chinesa para evitar o abandono do emprego.
O SBT News tentou contato com o Ministério do Trabalho, mas, até a publicação da matéria, não teve retorno. O espaço permanece aberto.









