Rogério Correia cobra votação de requerimento para investigar Flávio Bolsonaro na CPMI do INSS
Em entrevista ao SBT, deputado do PT afirma que pedido foi ignorado pela presidência da CPMI e cita suspeitas com esquema de empréstimos consignados

Vicklin Moraes
O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) afirmou nesta quinta-feira (5), em entrevista ao SBT News, que a presidência da CPMI do INSS deixou de pautar um requerimento que prevê a investigação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por suposta ligação com o esquema de fraudes em empréstimos consignados envolvendo o Banco Master.
Segundo Correia, a condução dos trabalhos tem sido seletiva, com a reapresentação de pedidos já rejeitados e a exclusão de outros que, na avaliação dele, têm relação direta com o objeto da comissão. “O presidente insiste em colocar novamente para votação o requerimento para convocar o filho do presidente Lula, mas não coloca o do filho do Bolsonaro, que também precisa ser esclarecido”, afirmou.
O deputado também afirmou que a CPMI do INSS decidiu adiar a votação de requerimentos sem consenso, incluindo a quebra de sigilo ampla do Banco Master, para reformular os pedidos e restringi-los ao escopo dos empréstimos consignados vinculados ao INSS.
Segundo o parlamentar, o requerimento retirado de pauta era considerado excessivamente abrangente e poderia atingir pessoas sem relação direta com a investigação. “O acordo foi votar apenas o que fosse consenso. A quebra de sigilo ampla poderia extrapolar o escopo da CPMI”, afirmou.
Além de Flávio Bolsonaro, Correia defendeu a votação de requerimentos para convocar o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto e o pastor Zé Teó, sócio do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Segundo ele, esses pedidos são centrais para entender o funcionamento financeiro do esquema investigado.
“Esses três requerimentos são fundamentais. Se vierem à votação, cada parlamentar decide conforme sua consciência”, disse.
Correia criticou o que classificou como desequilíbrio na condução da pauta e afirmou que a não apreciação de determinados requerimentos cria a percepção de blindagem política.
“O problema é que os pedidos nem chegam a ser votados. Isso gera uma blindagem anterior, antes mesmo do plenário da CPMI se manifestar”, afirmou.
O deputado também negou que a votação ampla de requerimentos possa paralisar os trabalhos da comissão. Segundo ele, o risco de paralisia existe justamente quando a presidência escolhe quais pedidos serão analisados. “Se todos forem colocados em votação, não há paralisia nenhuma. O que não pode é insistir em requerimentos já derrotados e impedir a análise de novos”, disse.
A expectativa, segundo Correia, é que o tema seja tratado novamente nas próximas reuniões da CPMI, com a inclusão de todos os requerimentos considerados relevantes pela base governista e pela oposição.









