Moraes manda Governo do RJ entregar imagens de megaoperação que deixou 121 mortos
Ministro também cobrou que Ministério Público esclareça sua participação na operação realizada em outubro do ano passado

SBT News
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu prazo de 15 dias para que o Governo do Rio de Janeiro envie todas as imagens de câmeras de segurança registradas durante a operação que deixou 121 mortos nos Complexos do Alemão e da Penha, em 28 de outubro do ano passado. Essa foi a ação policial com o maior número de letalidades na história do país.
O despacho foi assinado nessa quarta-feira (4) e determina que as gravações sejam encaminhadas à perícia da Polícia Federal para a averiguação de excessos policiais e indícios de tortura, execução e ocultação de cadávares por parte dos policiais militares do RIo.
Moraes exige ainda que o Ministério Público (MP-RJ) esclareça seu papel na elaboração, autorização e execução do plano. O ministro atende um pedido do Ministério dos Direitos Humanos, de organizações sem fins lucrativos com atuação em comunidades do Rio e do próprio MP-RJ.
A decisão está no âmbito da chamada “ADPF das Favelas” (ADPF 635), ação apresentada pelo PSB em 2019, que restringiu ações policiais em comunidades e exigiu do governo carioca um plano para reduzir mortes em incursões nas favelas, incluindo a instalação de câmeras em viaturas e fardas.
Moraes herdou a relatoria do gabinete do ministro aposentado Luís Roberto Barroso, que deixou a Corte em outubro, poucas semanas antes da operação.
Em nota, o Palácio da Guanabara disse não ter sido notificado da decisão, mas se comprometeu a cumprir o prazo determinado.
Plano de Reocupação
O ministro também deu prazo de cinco dias para que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) informe como está a análise do Plano Estratégico de Reocupação Territorial apresentado pelo governo de Cláudio Castro (PL) para retomar territórios controlados pela milícia e pelo crime organizado.
O plano foi apresentado no fim de 2025, contém 232 páginas e sugere como projeto-piloto de estabilização as comunidades de Gardênia Azul, Rio das Pedras e Muzema, na Zona Oeste do Rio. A pacificação também envolve retomar o controle estatal sobre serviços públicos, como a venda de gás e a distribuição de internet, hoje uma fonte de renda relevante para o crime.
Relembre o caso
A operação Contenção foi deflagrada em 28 de outubro de 2025 com foco no Comando Vermelho (CV), a principal facção organizada do estado. Foram mobilizados cerca de 2.500 agentes das forças de segurança pública e cumpridos 99 mandados de prisão nos Complexos do Alemão e da Penha, na zona norte.
O saldo da primeira fase da Contenção foi de 122 mortos, sendo cinco policiais, tornando-a a operação mais letal da história do Brasil. A maior parte das trocas de tiros aconteceu em áreas de mata. Segundo o Brasil de Fato, laudos das perícias dos presos na operação evidenciaram falhas técnicas que podem indicar abusos por parte da Polícia Militar do Rio.








