PT vê traição de Pacheco a Messias e quer troca de candidato a governador em Minas
Estado é decisivo para campanha presidencial; Senador nega ter trabalhado contra AGU


Eduardo Gayer
A cúpula do PT entende que o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) foi um dos artífices da derrota inédita sofrida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na noite desta quarta-feira, quando o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). Em meio ao clima de desconfiança generalizado, expoentes do partido vão defender junto a Lula que retire o apoio a Pacheco ao governo de Minas Gerais.
Nos bastidores, petistas avaliam que o senador fez um “teatro” ao almoçar com Messias e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) na véspera da sabatina e, em paralelo, operou junto ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para derrotar o advogado-geral da União (AGU). Foi a primeira vez em 132 anos que uma indicação do presidente da República ao STF não passou pelo crivo dos parlamentares.
Aliados de Pacheco afirmam que as acusações são infundadas, e que o almoço com Messias foi um gesto público de apoio. O voto no Senado para indicações ao Supremo, porém, é secreto.
Pessoas próximas a Lula dizem que Lula perdeu a confiança em Pacheco e, por isso, há grandes chances de mudança de palanque em Minas Gerais. O Estado é considerado decisivo para a campanha presidencial. Como mostrou o SBT News, em um jantar no Palácio da Alvorada, o presidente relatou decepção com o aliado.
A ex-prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), pré-candidata a senadora, é citada como um possível nome para concorrer ao governo. Ela, porém, resiste ao plano e diz que é preciso aceitar a derrota de Messias. “Bola para frente. É assim a democracia. Nem sempre o Legislativo concorda com o Executivo”, afirma a petista, com a ressalva de que o STF “perdeu” por não ter o AGU como um de seus integrantes.








