PF: emendas de Frias e gravações de "Dark Horse" coincidem
Investigação aponta possível ligação de gastos da produtora do filme sobre Bolsonaro com R$ 2 milhões enviados por deputado para ONG
Emanuelle Menezes, Caroline Vale
Post do filme "Dark Horse", que teria recebido dinheiro de Vorcaro | Reprodução
A Polícia Federal identificou uma coincidência entre o período de gravação de "Dark Horse", filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e movimentações milionárias da produtora responsável pelo longa, que recebeu dinheiro do deputado federal Mario Frias (PL-SP) e de uma empresa ligada a fornecedores contratados com recursos de emendas parlamentares. O relatório da PF teve o sigilo retirado nesta quinta-feira (10) pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).
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Segundo os investigadores, a Go Up Entertainment, empresa responsável por "Dark Horse" que tem Karina Ferreira da Gama como sócia, movimentou R$ 19,03 milhões entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025.
Entre os principais valores que entraram nas contas da produtora estão R$ 750 mil da NTT Brasil e R$ 645,4 mil transferidos pelo próprio Mario Frias, produtor executivo do filme. Também aparecem R$ 3,92 milhões da Moneycorp Banco de Câmbio, R$ 2,61 milhões da Go7 Assessoria, Produção e Marketing Cultural e R$ 1 milhão de Marcello de Oliveira Lopes (entenda mais abaixo).
É justamente nesse período que a PF encontrou uma conexão temporal considerada relevante para a investigação: segundo informações reunidas pelos investigadores, "Dark Horse" foi gravado em São Paulo entre 20 de outubro e 7 de dezembro de 2025.
"Nesse sentido, segundo fontes abertas, o filme foi gravado justamente em São Paulo, entre 20 de outubro e 07 de dezembro de 2025. Assim, chama a atenção a coincidência temporal das gravações com o período da referida comunicação (10/11/2025 a 30/12/2025), bem como a natureza das despesas, que envolvem hotel de alto padrão e refeições, além de despesas com produtoras", diz o documento.
Durante o período analisado, a produtora fez pagamentos de R$ 906.768,44 ao Hotel Unique, estabelecimento de alto padrão de São Paulo, e de R$ 653.155 à Foodflix Alimentação. A PF também identificou pagamentos a empresas da área audiovisual, entre elas J D da Silva Produções e Mazal Produções.
PF segue caminho de R$ 700 mil até produtora
A PF investiga se recursos públicos provenientes de emendas parlamentares podem ter percorrido uma cadeia de empresas até chegar à produtora do filme.
O Instituto Conhecer Brasil (ICB), também presidido por Karina Gama, recebeu R$ 2 milhões provenientes de duas emendas parlamentares de Mario Frias. Os recursos foram destinados a projetos executados por meio de termos de fomento.
Em um desses contratos, a Dinâmica Editora recebeu R$ 400 mil e o Instituto Super Poder Educacional recebeu R$ 300 mil. As duas empresas são relacionadas pela investigação ao grupo empresarial de Heric Fabiano Dias. Posteriormente, a NTT Brasil, administrada por Heric, transferiu R$ 750 mil para a Go Up Entertainment.
A proximidade entre os valores entrou no radar dos investigadores.
"Embora os elementos disponíveis não permitam afirmar que os recursos transferidos pela NTT Brasil tenham origem direta nos valores recebidos do ICB, a coincidência entre os montantes e a proximidade temporal das operações são circunstâncias relevantes para a análise financeira", registra a investigação.
Esse trecho é importante porque estabelece o limite do que a PF conseguiu demonstrar até agora: há uma trilha financeira considerada suspeita, mas ainda não está comprovado que os R$ 750 mil enviados à produtora são os mesmos recursos públicos anteriormente recebidos pelas outras empresas.
A hipótese investigada é de que valores destinados a contratos do ICB possam ter sido repassados a empresas por meio de contratações sob suspeita e, posteriormente, direcionados à Go Up.
Mario Frias transferiu R$ 645 mil à Go Up
Outro ponto destacado pela PF envolve dinheiro enviado diretamente por Mario Frias à produtora de "Dark Horse". O deputado transferiu R$ 645,4 mil para a Go Up em menos de dois meses, segundo os dados financeiros analisados.
Os investigadores compararam esse montante com a renda mensal atribuída ao parlamentar, de pouco mais de R$ 44 mil, e levantaram dúvidas sobre a origem dos recursos utilizados nas transferências.
"Destaca-se, ainda, o envio de R$ 645.400,00 para a Go Up pelo próprio Deputado Federal Mário Frias, cujos rendimentos mensais alcançam a monta de R$ 44.008,52, colocando em questão o lastro financeiro para dar suporte às transferências feitas para a pessoa jurídica de Karina Gama no curto espaço de menos de sessenta dias", afirma o documento.
Outro relatório financeiro citado na decisão analisou uma conta de Frias entre abril de 2025 e abril de 2026 e registrou movimentação de R$ 882,5 mil. Segundo a comunicação financeira, os valores recebidos naquela conta eram provenientes do Tesouro Nacional, relacionados a salário e ressarcimentos da atividade parlamentar.
A própria investigação ressalva, porém, que a transferência de R$ 645,4 mil para a Go Up não aparece nessa conta, o que levou os investigadores a considerar que a operação teria ocorrido por outra instituição bancária.
O que a PF investiga
O inquérito foi instaurado em junho deste ano para apurar suspeitas relacionadas a emendas destinadas ao Instituto Conhecer Brasil (ICB) e à Academia Nacional de Cultura (ANC), ambas presididas por Karina Gama.
O ICB recebeu integralmente R$ 2 milhões de duas emendas de Mario Frias. Já a ANC foi indicada como beneficiária de R$ 1 milhão de emenda do deputado Marcos Pollon (PL-MS) e R$ 150 mil de Bia Kicis (PL-DF), mas, segundo a decisão, esses dois últimos valores não chegaram a ser repassados à entidade.
A PF aponta, em tese, suspeitas de crimes como peculato, fraudes em contratos, falsidades documentais, emprego irregular de verbas públicas, advocacia administrativa, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa. As suspeitas ainda estão sob investigação e não representam condenação dos citados.
Na decisão que autorizou as medidas da Operação Make Up, Dino também determinou restrições envolvendo empresas investigadas. A Go Up Entertainment, por exemplo, teve suspenso o direito de licitar e contratar com o poder público.
PF: emendas de Frias e gravações de "Dark Horse" coincidemInvestigação aponta possível ligação de gastos da produtora do filme sobre Bolsonaro com R$ 2 milhões enviados por deputado para ONGPolítica2026-09-10T19:08:57.821ZA Polícia Federal identificou uma coincidência entre o período de gravação de "Dark Horse", filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e movimentações milionárias da produtora responsável pelo longa, que recebeu dinheiro do deputado federal Mario Frias (PL-SP) e de uma empresa ligada a fornecedores contratados com recursos de emendas parlamentares. O relatório da PF teve o sigilo retirado nesta quinta-feira (10) pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo os investigadores, a Go Up Entertainment, empresa responsável por "Dark Horse" que tem Karina Ferreira da Gama como sócia, movimentou R$ 19,03 milhões entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025. Entre os principais valores que entraram nas contas da produtora estão R$ 750 mil da NTT Brasil e R$ 645,4 mil transferidos pelo próprio Mario Frias, produtor executivo do filme. Também aparecem R$ 3,92 milhões da Moneycorp Banco de Câmbio, R$ 2,61 milhões da Go7 Assessoria, Produção e Marketing Cultural e R$ 1 milhão de Marcello de Oliveira Lopes (entenda mais abaixo). É justamente nesse período que a PF encontrou uma conexão temporal considerada relevante para a investigação: segundo informações reunidas pelos investigadores, "Dark Horse" foi gravado em São Paulo entre 20 de outubro e 7 de dezembro de 2025. "Nesse sentido, segundo fontes abertas, o filme foi gravado justamente em São Paulo, entre 20 de outubro e 07 de dezembro de 2025. Assim, chama a atenção a coincidência temporal das gravações com o período da referida comunicação (10/11/2025 a 30/12/2025), bem como a natureza das despesas, que envolvem hotel de alto padrão e refeições, além de despesas com produtoras", diz o documento. Durante o período analisado, a produtora fez pagamentos de R$ 906.768,44 ao Hotel Unique, estabelecimento de alto padrão de São Paulo, e de R$ 653.155 à Foodflix Alimentação. A PF também identificou pagamentos a empresas da área audiovisual, entre elas J D da Silva Produções e Mazal Produções. PF segue caminho de R$ 700 mil até produtora A PF investiga se recursos públicos provenientes de emendas parlamentares podem ter percorrido uma cadeia de empresas até chegar à produtora do filme. O Instituto Conhecer Brasil (ICB), também presidido por Karina Gama, recebeu R$ 2 milhões provenientes de duas emendas parlamentares de Mario Frias. Os recursos foram destinados a projetos executados por meio de termos de fomento. Em um desses contratos, a Dinâmica Editora recebeu R$ 400 mil e o Instituto Super Poder Educacional recebeu R$ 300 mil. As duas empresas são relacionadas pela investigação ao grupo empresarial de Heric Fabiano Dias. Posteriormente, a NTT Brasil, administrada por Heric, transferiu R$ 750 mil para a Go Up Entertainment. A proximidade entre os valores entrou no radar dos investigadores. "Embora os elementos disponíveis não permitam afirmar que os recursos transferidos pela NTT Brasil tenham origem direta nos valores recebidos do ICB, a coincidência entre os montantes e a proximidade temporal das operações são circunstâncias relevantes para a análise financeira", registra a investigação. Esse trecho é importante porque estabelece o limite do que a PF conseguiu demonstrar até agora: há uma trilha financeira considerada suspeita, mas ainda não está comprovado que os R$ 750 mil enviados à produtora são os mesmos recursos públicos anteriormente recebidos pelas outras empresas. A hipótese investigada é de que valores destinados a contratos do ICB possam ter sido repassados a empresas por meio de contratações sob suspeita e, posteriormente, direcionados à Go Up. Mario Frias transferiu R$ 645 mil à Go Up Outro ponto destacado pela PF envolve dinheiro enviado diretamente por Mario Frias à produtora de "Dark Horse". O deputado transferiu R$ 645,4 mil para a Go Up em menos de dois meses, segundo os dados financeiros analisados. Os investigadores compararam esse montante com a renda mensal atribuída ao parlamentar, de pouco mais de R$ 44 mil, e levantaram dúvidas sobre a origem dos recursos utilizados nas transferências. "Destaca-se, ainda, o envio de R$ 645.400,00 para a Go Up pelo próprio Deputado Federal Mário Frias, cujos rendimentos mensais alcançam a monta de R$ 44.008,52, colocando em questão o lastro financeiro para dar suporte às transferências feitas para a pessoa jurídica de Karina Gama no curto espaço de menos de sessenta dias", afirma o documento. Outro relatório financeiro citado na decisão analisou uma conta de Frias entre abril de 2025 e abril de 2026 e registrou movimentação de R$ 882,5 mil. Segundo a comunicação financeira, os valores recebidos naquela conta eram provenientes do Tesouro Nacional, relacionados a salário e ressarcimentos da atividade parlamentar. A própria investigação ressalva, porém, que a transferência de R$ 645,4 mil para a Go Up não aparece nessa conta, o que levou os investigadores a considerar que a operação teria ocorrido por outra instituição bancária. O que a PF investiga O inquérito foi instaurado em junho deste ano para apurar suspeitas relacionadas a emendas destinadas ao Instituto Conhecer Brasil (ICB) e à Academia Nacional de Cultura (ANC), ambas presididas por Karina Gama. O ICB recebeu integralmente R$ 2 milhões de duas emendas de Mario Frias. Já a ANC foi indicada como beneficiária de R$ 1 milhão de emenda do deputado Marcos Pollon (PL-MS) e R$ 150 mil de Bia Kicis (PL-DF), mas, segundo a decisão, esses dois últimos valores não chegaram a ser repassados à entidade. A PF aponta, em tese, suspeitas de crimes como peculato, fraudes em contratos, falsidades documentais, emprego irregular de verbas públicas, advocacia administrativa, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa. As suspeitas ainda estão sob investigação e não representam condenação dos citados. Na decisão que autorizou as medidas da Operação Make Up, Dino também determinou restrições envolvendo empresas investigadas. A Go Up Entertainment, por exemplo, teve suspenso o direito de licitar e contratar com o poder público. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/politica/pf-emendas-de-frias-e-gravacoes-de-dark-horse-coincidem
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