Política

Partido de Bolsonaro pressiona por anistia e ameaça romper com presidente da Câmara

PL cobra urgência na votação e fala em "clima de inferno" caso Hugo Motta não inclua projeto na pauta do plenário

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Rafael Porfírio
24/04/2025, 13:33 • Atualizado em 24/04/2025, 13:35
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Presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) | Divulgação/Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) | Divulgação/Bruno Spada/Câmara dos Deputados

A reunião oficial do colégio de líderes, que envolve deputados tanto de governo quanto oposição, acontece na manhã desta quinta-feira (24), na Câmara. A expectativa entre os parlamentares é de que o encontro tenha um clima tenso, com possibilidade de a oposição, que defende a anistia a envolvidos nos atos golpistas do 8 de janeiro, elevar o tom para que o texto seja levado ao plenário.

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Nessa quarta (23), o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ) fez um aviso direto ao presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB). O parlamentar falou que se o requerimento de urgência para votar a anistia dos presos pelos atos golpistas de 8 de janeiro não for incluído na pauta da próxima semana, o partido pode romper com ele.

"Se ele [Hugo Motta] não inserir [o requerimento de urgência na pauta], ele vai dizer que está rompendo com a gente [...] Falei mais cedo com o Valdemar que precisamos estabelecer um limite, porque, se não, ele vai ficar nos enrolando, empurrando com a barriga. Ele [Valdemar] falou que estou certo e que é para estabelecer esse limite[...] Não queremos romper, mas se ele continuar enrolando, vamos até o fim", destacou Cavalcante, destacando apoio do presidente do PL, Valdemar Costa Neto.

Entenda movimento do PL e postura de Motta

A ameaça principal é que o PL passe a controlar sozinho os recursos das comissões que preside, como as de Saúde, Agricultura e Turismo, o que pode criar ainda mais tensão no Congresso Nacional.

Hoje, existe um acordo entre os partidos: quem preside uma comissão tem direito a 30% das emendas, e os outros 70% são divididos entre as demais bancadas. Mas o PL ameaça romper esse acordo.

"Eu não quero fazer isso, mas, se for necessário esticar a corda e colocar a corda no pescoço, o rompimento até nisso pode afetar. Não queremos fazer isso. Se ele [Motta] romper conosco, podemos chegar nessa medida extrema", afirmou Cavalcante.

Por enquanto, Motta não respondeu diretamente à pressão do PL. Mas ele já deixou claro que não quer misturar os temas.

Durante um evento nessa quarta (23), Motta disse que a pauta da anistia não vai passar na frente de outros projetos importantes, como o que isenta do Imposto de Renda quem ganha até 5 mil reais por mês.

"Em um cenário de crise internacional, não podemos ter uma crise institucional. Temos que ter diálogo. Não vamos misturar essas pautas, vamos usar todo o nosso tempo com responsabilidade", declarou o presidente da Câmara.

Partidos adotam cautela

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também entrou em cena. Na noite de ontem, o petista se reuniu com Motta e líderes partidários para um jantar na residência oficial da Câmara e ouviu que não há acordo para votar a anistia neste momento.

Mesmo partidos de centro-direita, como União Brasil e Progressistas, disseram que não devem apoiar a proposta. Já os líderes da oposição, que defendem a anistia, nem compareceram ao encontro.

A situação mostra que o PL está tentando forçar uma votação polêmica, mas encontra resistência até entre antigos aliados. Motta tenta manter o foco em projetos mais consensuais e o governo Lula, nesse cenário, prefere a cautela

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