O que candidatos ao governo do DF propõem para salvar o BRB
Em sabatinas do SBT e SBT News, candidatos apresentaram propostas e caminhos para enfrentar a crise financeira do Banco de Brasília

Candidatos ao governo do DF discutem BRB | Reprodução
O futuro do Banco de Brasília (BRB) entrou no centro da disputa pelo governo do Distrito Federal. Em uma série de sabatinas realizadas pelo SBT e pelo SBT News nas últimas semanas, os seis candidatos mais bem colocados nas pesquisas foram questionados sobre quais medidas pretendem adotar diante da crise enfrentada pela instituição após as operações envolvendo o Banco Master, do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
🔎 José Roberto Arruda (PSD) também participou da série, mas deixou a disputa após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitar, na quinta-feira (24), por 5 votos a 2, o registro de candidatura do ex-governador. Arruda anunciou que não vai recorrer da decisão.
Entre as propostas apresentadas pelos candidatos que permanecem na disputa estão a divulgação do balanço financeiro, auditorias, redução de despesas, concentração das atividades do banco no Distrito Federal, ampliação de linhas de crédito e negociações com o governo federal, o Banco Central e o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A falta do balanço atualizado do BRB foi um dos assuntos mais citados pelos participantes ao discutirem possíveis soluções para o banco.
O BRB ainda não publicou as demonstrações financeiras referentes a 2025. A falta do documento mantém dúvidas sobre a dimensão das perdas decorrentes das operações com o Master e também entrou nas discussões sobre a tentativa de empréstimo de R$ 6,6 bilhões para reforçar a situação financeira do Banco de Brasília.
Cappelli cobra balanço e rastreamento de recursos
Ricardo Cappelli (PSB) colocou a divulgação das contas do BRB como ponto central para definir o futuro da instituição. O candidato criticou a falta do balanço e afirmou que, sem os números, não é possível determinar a dimensão das perdas.
“Quando eu tomar posse, vai existir BRB? Ele vai estar aberto até lá? [...] A governadora está escondendo as contas do BRB. O que ela esconde da população? Publica as contas”, cobrou.
Cappelli, que foi interventor federal na segurança pública do Distrito Federal após os atos de 8 de janeiro de 2023, afirmou ainda que, caso eleito, pretende cobrar “diuturnamente” da Polícia Federal a localização do dinheiro desviado e a responsabilização dos envolvidos.
O candidato também defendeu a redução de despesas consideradas desnecessárias. Como exemplos, citou patrocínios do banco a uma corrida realizada na Paraíba e a um campeonato de vela em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
Celina aposta em crédito de R$ 6,6 bilhões
A governadora e candidata à reeleição Celina Leão (PP) aposta em uma operação de até R$ 6,6 bilhões para reforçar a situação financeira do BRB e preservar a instituição. O Governo do Distrito Federal busca viabilizar os recursos junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
A negociação, porém, enfrenta entraves. Entre eles está a falta das demonstrações financeiras do BRB referentes a 2025. Em agosto, o FGC afirmou que o balanço é um documento essencial para avaliar a situação econômico-financeira do banco e analisar a operação.
Durante a sabatina, Celina afirmou que a divulgação do balanço obedece a critérios técnicos. “O balanço do BRB não segue calendário eleitoral, ele segue um calendário técnico, não eleitoral”, disse.
A candidata também afirmou que o governo busca recuperar recursos do banco por meio de medidas judiciais e descartou trabalhar com um cenário de quebra da instituição. Celina atribuiu ao governo federal parte das dificuldades para avançar na operação de crédito.
“Hoje eu tenho certeza absoluta que há uma inércia total do governo federal e que o objetivo deles é realmente que o banco venha a ter um outro desfecho que não seja o desfecho que a gente estava trabalhando”, afirmou.
Caputo defende BRB voltado à economia do DF
Kiko Caputo (Novo) afirmou que uma eventual liquidação do BRB teria consequências de longo prazo para a economia do Distrito Federal. Para o candidato, o banco deveria reduzir gastos fora de Brasília e concentrar seus recursos no financiamento da atividade econômica local.
“Se efetivamente acontecer o que todo mundo já imagina, o banco ser liquidado, teremos atraso de mais de dez anos, de alcançar nível de atividade econômica que temos no DF”, afirmou.
Caputo criticou gastos com patrocínios fora da capital e defendeu que os recursos sejam direcionados a pequenos e médios empresários, microcrédito e programas para servidores endividados.
“Poderia estar ajudando o pequeno, médio e microempreendedor do DF. Poderia ser excelente assessor pro microcrédito, estimular comércio, industrialização do Distrito Federal. Ajudar servidores públicos a saírem do superendividamento”, disse.
Grass propõe auditoria e negociação com BC e FGC
Leandro Grass (PT) defendeu como primeiros passos a publicação do balanço e a realização de uma auditoria independente para determinar a situação financeira do BRB.
“Primeiro ponto, passo um: abrir o balanço, publicar a auditoria. O balanço é para quê? Para a gente saber qual é o tamanho do rombo”, afirmou.
Depois do diagnóstico, Grass propõe negociar uma solução com o Banco Central e o Fundo Garantidor de Créditos. “Aí nós vamos ao Fundo Garantidor e ao Banco Central negociar uma saída. E essa saída não pode penalizar a população”, declarou.
Entre as alternativas mencionadas estão um plano de captação de recursos pelo próprio BRB, a ampliação das carteiras de crédito, a operação de fundos públicos e uma negociação com o governo federal para que novas linhas de financiamento sejam administradas pela instituição.
Grass também prometeu uma auditoria independente sobre as operações que levaram à atual situação do banco e o rastreamento dos recursos envolvidos nas irregularidades.
Belmonte quer regionalizar atuação do BRB
Paula Belmonte (PSDB) defendeu a concentração das atividades do BRB no Distrito Federal, com prioridade para o financiamento de empresas e da economia local.
“Quando a gente fala do BRB, a gente precisa fazer com que o banco esteja dentro da nossa cidade, fomentando a economia e trazendo crédito para os nossos empresários”, afirmou.
A candidata criticou a expansão da instituição para outros estados e citou a presença de agências em João Pessoa. “Eu adoro João Pessoa, mas quero agência bonita é aqui em Brasília”, disse.
Belmonte também defendeu diálogo entre o governo do Distrito Federal e o governo federal para buscar uma saída para a crise, independentemente das divergências políticas entre as administrações.
“Eu não posso aceitar, neste momento em que estamos salvando o banco, a governadora ficar falando mal do presidente da República. Isso não é a política de construção”, declarou.
Durante a sabatina, a candidata também responsabilizou politicamente as atuais gestões do DF pela tentativa de aquisição do Master e disse que havia alertado para os riscos da operação.
Em agosto de 2025, a Câmara Legislativa aprovou, por 14 votos a 7, a autorização para que o BRB adquirisse 49% das ações ordinárias e 100% das preferenciais do Master. A operação, no entanto, dependia do aval do Banco Central, que rejeitou a aquisição em setembro daquele ano.















