No governo Lula, crise no Irã é avaliada como “tiro de misericórdia” no Conselho de Paz
Presidente cumpre viagem a Minas Gerais enquanto Itamaraty prepara reporte sobre escalada no Oriente Médio e impactos diplomáticos


Murilo Fagundes
A escalada da crise no Irã é vista por fontes do governo brasileiro ouvidas pelo SBT News como um “tiro de misericórdia” nas tentativas recentes de articulação de um Conselho de Paz para mediar conflitos internacionais. O Brasil foi convidado para integrar o grupo, mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva condicionou sua participação à inclusão de líderes palestinos.
A leitura é de que o novo cenário, após os Estados Unidos e Israel lançarem um ataque coordenado contra o Irã na manhã deste sábado (28), reduz o espaço político para iniciativa e escanteia a possibilidade de o Brasil integrar o grupo.
O presidente Lula visita Juiz de Fora (MG) e sobrevoa áreas afetadas pelas chuvas enquanto o Itamaraty trabalha na consolidação de informações e na preparação de um reporte oficial sobre a situação. A avaliação técnica deve embasar eventuais posicionamentos do Planalto nos próximos dias.
Nos bastidores, há o entendimento de que, caso a crise se prolongue, temas bilaterais podem ficar temporariamente ofuscados. Ainda assim, a percepção predominante é de que o encontro entre Lula e Donald Trump, cogitado para março, permanece viável neste momento. A manutenção da reunião dependerá da evolução do conflito e do ambiente diplomático internacional nas próximas semanas.
Irã é mais complexo que Venezuela, avalia Amorim
O assessor especial para assuntos internacionais do presidente Lula, Celso Amorim, analisa que os planos norte-americanos para uma mudança política no Irã, com a queda do regime dos aiatolás, pode ser frustrado.
Ele avalia que a situação no país islâmico é muito diferente da Venezuela, país com o qual o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vem negociando alterações dentro do regime chavista.
No início de janeiro, Trump invadiu a Venezuela, capturou o então presidente do país, Nicolás Maduro, e hoje avança nas negociações econômicas com a atual presidente, Delcy Rodriguez.
"O Irã é muito mais complexo que a Venezuela, tem maior população e tem a questão religiosa", disse Amorim à Coluna da Victoria.
Trump não tem aliados internos com musculatura política no Irã, mesmo que tivesse apoio popular para avançar em um conflito armado, precisaria de investimento militar para vencer a resistência do exército dos aiatolás.
Pelas redes sociais, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a ofensiva visa defender a população norte-americana de ameaças do regime iraniano. "Nós garantiremos que o Irã não tenha uma arma nuclear", frisou.









