”Não sou inimigo do presidente Lula, mas sou crítico da sua gestão”, afirma Ciro Nogueira, sobre eleições 2026
Para presidente do Progressistas, “Flávio é o Bolsonaro que se vacinou”, mas se não provar que vai governar para fora da bolha não terá o apoio dele



Basília Rodrigues
Victoria Abel
José Matheus Santos
Em busca de um terceiro mandato no Senado pelo Piauí, o presidente do Progressistas, Ciro Nogueira, prefere não declarar apoio a nenhum candidato à presidência da República até que o cenário das pesquisas eleitorais esteja mais definido.
Em entrevista ao programa Sala de Imprensa, Ciro fez elogios ao presidente Luís Inácio Lula da Silva, ao mesmo tempo com críticas ao governo, e também apontou quais são as condições para apoiar a candidatura de Flávio Bolsonaro.
“Não sou inimigo do presidente Lula. Acho que ele foi um grande presidente nas primeiras gestões, mas não voltou da forma que o brasileiro tinha de expectativa”, afirmou.
Ciro foi da base aliada nos primeiros governos Lula e também atuou no governo Bolsonaro como ministro da Casa Civil.
“A gente tem dois Lulas. Um dos primeiros mandatos que veio unificar o país e enfrentar o maior problema da minha região que é a fome e miséria. E o Lula que voltou muito ressentido. Não foi um Lula que veio para unificar o Brasil”, classifica.
Ciro afirmou que “Flávio é o Bolsonaro que se vacinou”, em referência ao tom moderado do senador. Mas que ainda não provou se pretende governar para todos os brasileiros.
“Muito mais importante e vai ser definitivo é como vai ser a campanha do Flávio Bolsonaro. Se ele vier apenas para defender um legado, para falar para sua bolha, não unificar, não falar para maioria, não vai contar com nosso apoio”, sentenciou.
Ciro Nogueira também criticou Eduardo Bolsonaro que, ao ir para os Estados Unidos e apoiar tarifaço contra o Brasil, “deu discurso de soberania para Lula. Ele errou. Se não fosse Eduardo, Lula nem seria candidato”, pontuou.
Ciro afirma que o União Progressista, que é a federação entre os partidos União Brasil e Progressistas, ainda vai se reunir para definir apoios, depois do carnaval. A única certeza dele é que não apoiará uma terceira via.
“A força eleitoral de Lula e Bolsonaro é muito importante. O Brasil teve quatro grandes líderes populares: Getúlio (Vargas), Juscelino (Kubitscheck), Lula e Bolsonaro. E pela primeira vez, dois deles se enfrentaram. Não vejo a menor possibilidade de terceira via. A disputa vai ser entre Flávio e Lula. Se a eleição fosse amanhã, ninguém sabe quem seria o vencedor”, disse.
Ciro afirma que o PSD de Gilberto Kassab fez movimento, ao lançar pré-candidatos ao Planalto, que não irá quebrar polarização.
“Acho Kassab um dos políticos mais inteligentes, experientes do nosso país. Mas ainda não consegui, e nem ninguém em Brasília, entender o que Kassab quer realmente com isso. Mas ele deve ter toda uma estratégia”, disse. “Se o Tarcísio fosse nosso candidato hoje, estava eleito porque aglutinava muito mais o centro com a direita. Agora é um direito do maior líder da direita de escolher o candidato, já que ele acha que o Tarcísio tem a missão de ser candidato à reeleição em São Paulo”.
O senador piauiense lembra que nas eleições de 2022, Bolsonaro avaliou candidatura de Tarcísio para o Senado pelo estado de Goiás até decidir pelo governo de São Paulo, algo que nem mesmo o senador acreditava que daria certo.
Ciro acredita que o Nordeste irá entregar 10% a menos de votos para Lula, o que corresponderia a 800 mil pessoas. Para ele, aumentou o número de evangélicos que votam na direita, mas o convencimento do voto feminino continua a ser um desafio.
“Se a eleição (2022) tivesse sido só entre os homens, o Bolsonaro tinha sido eleito. Concordo que algumas falas dele pareciam que ele era mais machista do que ele realmente era, o que acabou atrapalhando a sua eleição”, avaliou.
Em relação à campanha no Piauí, Ciro diz que a indefinição entre Lula e Flávio não é um problema para ele.
“Se tiver coerência e trabalho, as pessoas sabem separar. Essa questão de ficar dizendo que vai ser melhor porque foi apoiado por fulano ou sicrano, as pessoas sabem que isso acaba no dia a dia não se efetivando. Tem que escolher os melhores, de acordo com o que prometi e consegui entregar. Isso a população do Piauí está sabendo avaliar”, acredita.









