Política

Moraes repreende ex-general do Exército por mudança de depoimento sobre Bolsonaro

Ex-comandante Marco Antônio Freire Gomes foi ouvido no Supremo em 19 de maio, como testemunha de acusação na investigação sobre a trama golpista

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Julianna Valença
03/06/2025, 22:57 • Atualizado em 03/06/2025, 22:57
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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes repreendeu o ex-comandante do Exército Marco Antônio Freire Gomes sobre alteração de depoimento dado à Polícia Federal (PF) em 2024. Gomes foi ouvido no Supremo em 19 de maio, como testemunha de acusação na investigação sobre uma possível trama de golpe de Estado em 2022.

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Nos vídeos sobre os depoimentos, divulgados pelo STF nesta terça-feira (3), o ex-comandante negou que tenha dado voz de prisão ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) devido a movimentações antidemocráticas. Ele afirmou que teria feito apenas um alerta ao ex-chefe de Estado, mas que houve uma “má interpretação” da sua fala.

“Eu alertei ao senhor presidente, com toda a educação dentro de um aspecto bem cordial, de que as medidas que eventualmente ele quisesse tomar ele deveria atentar para os diversos aspectos aí, sejam os apoios nacional e internacionalmente, até a questão do próprio congresso e a parte jurídica [...] A mídia até reportou que ali eu teria dado voz de prisão ao presente e não aconteceu isso de forma alguma. Acho que é uma má interpretação”, disse.

O momento da possível voz de prisão de Gomes à Bolsonaro foi relatado em interrogatório da PF pelo ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB), Carlos Baptista Júnior. O chefe da FAB afirmou que teria presenciado o momento e que a posição incisiva do militar foi decisiva para impedir concretização do Golpe de Estado.

À PF, Freire Gomes afirmou que Bolsonaro tinha tratado de minutas golpistas em reunião com os militares e que ele teria sido contrário. Ao STF, no entanto, o ex-general disse que não se lembrava de ter afirmado no interrogatório que o ex-comandante da Marinha, Almir Garnier, foi a favor da trama golpista.

“Ele [Almirante Garnier] também foi surpreendido por aquilo tudo ali. Não me lembro de ele ter dito, apenas demonstrou, vamos dizer assim, o respeito ao comandante em chefe das Forças Armadas e que não tinha opinião efetiva naquele momento. Não interpretei como qualquer tipo de conluio”, afirmou Freire Gomes.

Em seguida, Moraes falou à defesa do ex-comandante que as testemunhas ouvidas no STF não podem “omitir” informação e afirmar que não lembram do que falaram em depoimento à PF. O ministro disse ainda que na condição de um ex-comandante do Exército, Gomes estaria “preparado para lidar sobre tensão” no interrogatório e no depoimento atual.

“Dr. Paulo, por favor, queria advertir a testemunha novamente dos termos do artigo 342. A testemunha não pode omitir o que sabe. Então eu vou aqui dar uma chance de falar a verdade. Se mentiu na polícia, tem que dizer que mentiu na polícia. Não pode, agora, perante o Supremo Tribunal Federal, falar que não lembra, que talvez estava focado somente no que pensava”, advertiu.

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